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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Suínos

Cotação animadora

Criador de suínos vem recebendo preços melhores que os de 2013 e 2012, e o mercado russo prioriza o fornecedor brasileiro devido a problemas sanitários em países importantes. Até a crise na Ucrânia está ajudando

Luiz Silva

Novamente o mercado da suinocultura brasileira é marcado por oscilações. O setor encerrou o primeiro semestre de 2014 registrando queda de 1,5% nas exportações da carne, enquanto os abates caíram 9,5% no acumulado no mesmo período (14,7 milhões de animais contra os 16,3 milhões abatidos nos seis primeiros meses de 2013), segundo dados da Safras & Mercado. Para o analista da agência Allan Hedler, a queda ainda é reflexo das sucessivas crises que o setor enfrentou durante os últimos anos, fazendo com que muitos produtores fossem obrigados a reduzir os planteis a fim de minimizar os prejuízos. O processo de recuperação, segundo ele, é lento e deverá se estender até o final de 2014.

No acumulado de janeiro a junho, o volume embarcado foi de 232,8 mil toneladas contra as 236,5 mil registradas em igual período do ano passado. Contudo, segundo Hedler, as exportações em junho sinalizaram um bom avanço, registrando um aumento de 8,9% em relação a junho do ano Fotos: Divulgação passado, totalizando um volume mensal recorde no ano, de 43,5 mil toneladas. “A estimativa é de bom desempenho para o setor até o final do ano. Afinal, com a produção que ainda segue lenta no País, a disponibilidade interna acaba sendo menor do que a do ano passado, o que tem contribuído para as altas nas cotações durante o primeiro semestre de 2014”, explica o analista.

No entanto, Hedler pondera que o mercado interno vivencia um ótimo momento para o setor produtivo – leiase criador. Com a valorização do suíno vivo e com os custos dos principais insumos para o arraçoamento animal abaixo dos níveis registrados em igual período do ano passado o suinocultor garante uma melhor margem de lucro. No primeiro semestre de 2012, o quilo vivo registrou uma média de R$ 2,22 na região Centro-Sul, passando para R$ 2,85 no mesmo período de 2013, com valorização de 28,37%. Em 2014, o preço subiu para R$ 3,35 em média, com alta de 17,54% em relação ao ano passado.

Para o criador da região Centro-Sul, o mercado vinha em julho fluindo de forma firme, com o quilo do animal vivo sinalizando no mês valorização diária, passando de R$ 3,21 para R$ 3,45. Por conta da tradicional demanda mais retraída a partir da segunda metade do mês, na maioria das praças acompanhadas já era então observada certa estabilidade nas cotações. Com o recebimento da massa salarial com a virada de mês, o volume de vendas no mercado atacadista deveria aumentar novamente, o que certamente deverá alterar o comportamento das cotações novamente.

Produção menor -— De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção de carne suína do Brasil totalizou 1,394 milhão de toneladas entre janeiro e junho de 2014, resultado 0,57% inferior ao primeiro semestre do ano anterior. Deste total, 1,159 milhão de toneladas foi destinada ao mercado interno, volume 0,24% menor ao registrado nos seis primeiros meses de 2013. Com isso, é mantido o nível de consumo per capita de carne no Brasil de 15 quilos/ habitante/ano. Em junho, as exportações brasileiras de carne suína aumentaram 8,21% em volume (43,960 mil toneladas) e 69,81% em valor (US$ 167,25 milhões) em relação a junho de 2013. Houve, também, elevação de 56,93% no preço médio, em função da redução de oferta do produto no mercado internacional.

Segundo o presidente executivo da ABPA, Francisco Turra, a melhoria no preço decorreu de eventos sanitários, como a peste suína africana e a diarréia epidêmica suína PEDv, registradas em importantes produtores como Estados Unidos, México e Canadá. Hedler explica que o surto da PEDv tem reduzido a oferta de carne suína nos Estados Unidos. O vírus foi diagnosticado pela primeira vez em meados de maio de 2013, sendo uma doença altamente contagiosa que ocorre apenas em suínos, causando surtos agudos e graves de diarréia, e que se transmite rapidamente entre todos os estágios da vida do animal.

Segundo o analista, a oferta desses países atingidos deve sofrer maior redução entre os meses de agosto e outubro de 2014. “A Rússia já reduziu em 75,8% as importações de carne suína dos EUA nos primeiros quatro meses de 2014 devido às preocupações com os surtos de PEDv. Desde o início do ano, os russos vêm importando mais carne suína brasileira. Em fevereiro, foram 10,8 mil toneladas, chegando a 14,5 mil em maio e disparando para 22,2 mil em junho”, destaca. A Rússia leva hoje 58% das vendas externas brasileiras de carne suína, patamar que se distancia bastante dos cerca de 30% de participação de meses anteriores. Os russos aumentaram em 74,28% em junho/ 2014 as suas compras em relação a junho/2013. No mês, os embarques para aquele mercado totalizaram 22,233 mil toneladas e US$ 112,03 milhões. Em receita, as exportações para a Rússia cresceram 233,83% ante igual período do ano passado.

De janeiro a junho de 2014, os embarques para a Rússia aumentaram 21,29% em volume (83,760 mil toneladas) e 66,97% em receita (US$ 336,05 milhões)

Efeito Ucrânia na Rússia —- De janeiro a junho, os embarques para a Rússia aumentaram 21,29% em toneladas (83,760 mil toneladas) e 66,97% em receita (US$ 336,05 milhões). “O aumento significativo da participação russa nas exportações brasileiras já era previsto e se explica pelo contexto internacional político e sanitário”, destaca Turra. O conflito da Rússia com a Ucrânia, com envolvimento político dos Estados Unidos e da União Europeia, concorrentes do Brasil naquele mercado, acabou favorecendo as vendas brasileiras de carne suína.

Mas não foram só o política e os aspecto sanitário que levaram ao aumento das vendas aos russos. “Os embarques do Brasil para a Rússia aumentaram também porque houve redução da oferta interna de carne suína naquele mercado, uma vez que a Ucrânia, que comprava do Brasil, repassava volumes importantes para lá. Atualmente, as vendas brasileiras para a Ucrânia estão em níveis muito baixos”, acrescenta Rui Eduardo Saldanha Vargas, vicepresidente de suínos da ABPA.

Para a Ucrânia, o Brasil vendeu 330 toneladas em junho/2014, crescimento de 14,65%, ante o mesmo mês de 2013. Porém, no acumulado do ano, as exportações caíram quase 89% em volume, passando de 25,385 mil toneladas de janeiro a junho de 2013 para 2,798 mil toneladas no mesmo período deste ano. As exportações brasileiras para a Argentina em junho foram de 602 toneladas, com uma queda de 9,13%. No acumulado do ano, houve redução de 51,42% nas vendas de carne suína para o país vizinho.

O analista da Safras diz que a menor oferta representa uma disponibilidade menor no mercado interno, o que explica a valorização do suíno vivo ao longo do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o quilo vivo estava cotado a R$ 2,52 na média diária da região Centro- Sul, a valorização chega a 36,7%. “No acumulado dos primeiros seis meses do ano, a disponibilidade interna é 10,6% menor do que no mesmo período de 2013”, aponta Hedler.