Leite

 

AS VACAS FALAM, ESTAMOS OUVINDO?

Alexandre M. Pedroso*

Eu costumo dizer que o melhor “termômetro” para sabermos se as rações que formulamos ou o manejo que recomendamos estão adequados é a vaca. Sempre devemos “escutar o que as vacas nos dizem”, mas, muitas vezes, técnicos e produtores são arrogantes e não dão ouvidos às vozes do rebanho. Os animais nos dão muitos sinais e temos de estar atentos para observá-los e interpretá-los corretamente.

Para compor o raciocínio, vou utilizar diversos elementos de um artigo que escrevi há muitos anos, mas que continua mais atual do que nunca. Costumeiramente, digo em palestras e treinamentos que a parte mais fácil do manejo da alimentação é a formulação da dieta. O difícil é fazer com que as vacas comam exatamente aquilo que foi previsto pelo nutricionista e também que tenham o mesmo ambiente que foi considerado por ele na hora de formular a dieta. Sim, pois o desempenho das vacas não depende unicamente da comida disponibilizada a elas.

Lembro-me de uma vez em que fui chamado por um produtor de leite que se queixava de que suas vacas não estavam produzindo bem e ele gostaria que eu fizesse uma avaliação das formulações utilizadas. Fui até a fazenda e passei cerca de três horas visitando as instalações, avaliando itens de conforto, manejo, etc., e voltei a me reunir com ele. Apresentei uma lista com 15 itens que deveriam ser imediatamente corrigidos para que as vacas pudessem ter melhor desempenho. Uma das únicas coisas em que não vi defeito foi justamente na formulação das dietas. Como eu costumo dizer, quem quer trabalhar com alimentação de bovinos leiteiros tem de ir muito além da formulação.

A avaliação da alimentação dos rebanhos leiteiros sempre foca os índices produtivos e reprodutivos das vacas, e também os resultados das análises laboratoriais d...

Para ler a matéria completa faça Login
Caso não seja assinante da Revista AG, clique Aqui e Assine Agora!