Na Varanda

 

Legado familiar - Por que trabalhar tanto?

Francisco Vila é economista, consultor internacional e diretor da Sociedade Rural Brasileira vila@srb.org.br

H oje quero contar uma história de um recente encontro em uma exposição pecuária. Após a conclusão da minha palestra, dois produtores dirigiram-se a mim comentando que eles continuam frequentemente conversando sobre algumas ideias que ouviram em uma apresentação minha na Feicorte em 2007. O tema abordava os desafios da sucessão familiar no agro. Naturalmente, não me lembrei mais dos detalhes e assim optei pela fuga para frente e indaguei se eles teriam aplicado alguns dos conceitos. A resposta foi “mais ou menos”. Bom, em português claro, isso significa “não”, como, aliás, ocorre na maioria dos casos quando a teoria é uma e a prática é outra.

Entretanto, um dos senhores, com idade entre 65 e 70 anos, relatou que estava pensando em trazer as duas filhas para dentro do negócio contratando-as por meio período. Uma já estava formada em sociologia e era sócia em uma loja de roupas para bebês e a outra estudava jornalismo, com o plano de criar um blog.

Como sempre respondo nesses casos, a minha sugestão é a de não deixar entrar o filho da faculdade ou do curso técnico diretamente no negócio familiar, mas sim mandá-lo trabalhar em uma fazenda com perfil semelhante, em outro lugar. Sugeri que o pai enviasse uma filha para um produtor com lavoura e pecuária no Mato Grosso e a outra para passar dois anos em uma fazenda ou cooperativa na Austrália. A vantagem desse argumento é que frequentemente a conversa acaba nesse ponto.

Mas os dois senhores, produtores de porte com plantação de soja e engorda de boi a pasto e em confinamento não se deram por vencidos. O amigo do pai das duas moças confidenciou que existia ainda outro pr...

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