Semana da Carne

 

Metrópole da carne bovina!

Cadeia produtiva mostra para maior mercado consumidor brasileiro que está afinada em relação às exigências do produto

Erick Henrique
erick@revistaag.com.br

Desde meados do ano passado presenciamos a organização de dois importantes eventos para bovinocultura de corte brasileira (InterCorte e BeefExpo). Nada melhor para o setor como estratégia de mercado do que reativar interesses com o maior consumidor da carne bovina do Brasil, a população paulistana. Povo que recebe diariamente de braços abertos pessoas dos quatro cantos do Brasil e do mundo e faz questão de oferecer produtos de qualidade a quem procura, como a proteína bovina. Também é a cidade cosmopolita considerada a Meca para o pecuarista que busca lucratividade, porque oferece uma variedade incalculável de restaurantes, churrascarias, boutiques de carnes e supermercados para todo tipo de cliente, independentemente da condição social e econômica.

Ademais, São Paulo estava carente de grandes eventos desde a extinta Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte/2014), apontada por muitos como maior evento indoor da pecuária de corte no mundo, que agitou a metrópole por 19 anos com exposições de animais, leilões, simpósios, etc. Aqueles que trabalham no segmento comentam pelo menos uma vez ao ano, principalmente, no mês de junho, sobre a saudade e significância desse evento em suas vidas.

Pois bem, para todos os saudosistas, esses dias tiveram fim com a realização da “Semana da Carne”, de 13 a 19 de junho, com atrações para produtores e consumidores em várias localidades da capital paulista. Entre os destaques, vale ressaltar a etapa do Circuito InterCorte (Exposição Tecnológica da Cadeia Produtiva da Carne), projetado pela diretora executiva da Verum Eventos, Carla Tuccilio. Atração realizada na Bienal do Parque do Ibirapuera, nos dias 16 e 17 de junho.

Com semelhante relevância, a BeefExpo foi promovida nos dias 14, 15 e 16 dessa semana no Centro de Eventos Pró-Magno, na zona Norte, idealizado pela empresária Flávia Roppa. Esse evento teve como diferencial o ingresso de 350 animais das raças Guzerá, Nelore, Senepol, Sindi, Wagyu e Angus. Animais encantaram o público em mostras, julgamentos e leilões durante três dias, representando 25 fazendas e criatórios de diversos estados brasileiros.

Um ponto em comum nesses encontros citados foi a sintonia das palestras, que destacavam a importância de criar vínculos mais profundos com todos os agentes da cadeia produtiva, especialmente no tocante a aproximar o pecuarista não apenas da indústria, mas também do comércio varejista e do consumidor final. Isso para que o cliente passe a ter mais confiança e consciência de que há um universo de pessoas trabalhando duro para levar até sua mesa uma proteína vermelha que segue todos os protocolos de sustentabilidade e qualidade exigidos.

Pensando nisso, lideranças de renomadas corporações varejistas estiveram em ambos os eventos para explicar ao mercado como funcionam seus projetos a favor do meio ambiente e também apresentar outras demandas de seleção para a carne bovina. É o caso do Grupo Arcos Dourados, detentor da rede de fast-food Mac Donald’s na América Latina, que afirma deter um programa de rastreabilidade que garanta à rede uma forma de não adquirir carne de bovinos provenientes do Bioma Amazônia e se mostrou preocupada com o esperado aumento da população mundial.

Animais encantaram o público em mostras, julgamentos e leilões durante três dias, representando 25 fazendas e criatórios do Brasil

“Atualmente, nós temos 34 mil franquias. Imagina que para servir essa quantidade de estabelecimentos, atendendo 75 milhões de consumidores, nós consumimos muitos ingredientes. Então, qual é a nossa parcela de responsabilidade nessa história? Se nós pensarmos em manter essa companhia minimamente por mais 55 anos, essa conta não fecha”, diz o diretor de sustentabilidade do Mc Donald’s, Leonardo Lima.

Para ele, em 2050, com a população estimada de 9 bilhões de pessoas, mantendo a atual taxa de consumo e modo de produção, a corporação não terá carne para abastecer sua rede de restaurantes em todo mundo. “Então, quando falamos de sustentabilidade, nós temos de repensar como atualmente produzimos e consumimos alimentos, pois 40% dos nossos esforços na indústria de alimentos são desperdiçados. Isso é muito grave”, comenta Lima.

Mac Donalds, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Wallmart juntos em prol da pecuária sustentável

Presente nesse encontro e com as mesmas intenções, o representante da multinacional francesa Carrefour, Fernando Careli, apresentou o programa de sustentabilidade da companhia, o Garantia de Origem Carrefour, que está a pleno vapor no Brasil desde 1999, no qual seus produtos comercializados, oriundos do campo, são monitorados desde o preparo do solo, o nascimento dos bezerros, até a chegada às gôndolas. O programa prioriza também a redução de antibióticos, criação a pasto, acesso livre a água e alimentação, controle de vacinação, práticas de bem-estar animal, cumprindo a legislação trabalhista, proibindo o trabalho escravo e incentivando os colaboradores da fazenda aos estudos.

De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, vários objetivos dessa semana foram alcançados. Um deles era apresentar ao público urbano a realidade da nossa pecuária, no sentido de desmitificar alguns preconceitos que ainda há na sociedade com relação à produção agropecuária.

Para o secretário, a pecuária que se pratica no Brasil é uma atividade que busca cada vez mais a sustentabilidade ambiental e nesses eventos vimos isso de forma eloquente. Obviamente há desafios, como gerenciamento do campo, falta de mão de obra e qualificação do trabalhador, porém, são gargalos de toda sociedade brasileira. Mas o setor merece ser aplaudido por tamanho comprometimento.