Top 100

Ranking dos maiores vendedores de touros zebuínos

Adilson Rodrigues
adilson@revistaag.com.br

Hoje, somos 7 bilhões de “bocas” para alimentar no mundo. Em 2030, seremos 8 bilhões e, em 2050, vamos superar 9 bilhões. As estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) revelam que os produtores rurais de todo o globo terão de aumentar a produção em mais de 60%. O processo de crescimento das populações, principalmente na Índia e na China, impacta significativamente o agronegócio brasileiro, principalmente a pecuária.

Comparada à agricultura, a pecuária tem longo caminho pela frente no que se refere ao emprego de tecnologia, para que, enfim, métricas como a Unidade Animal por Hectare (U.A/ha) realmente sedam lugar para as informações mais confiáveis como arrobas de boi produzidas por hectare (@/ha). Afinal, nem sempre aquela a U.A é garantia de um animal que renda o peso mínimo de carcaça que é exigido pelo frigorífico.

A chave para tal salto produtivo e tecnológico passa inevitavelmente pelo acesso à informação; e esse é mais um dos gargalos da atividade. Basta lembrar que os dados utilizados para avaliar a pecuária nacional são datados de 2006, ano do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Para ajudar o mercado a ter mais dados sobre a produção de genética é que FF Velloso & Dimas Rocha Assessoria Agropecuária, Revista AG, BeefPoint e Brasil com Z uniram-se para lançar um projeto pioneiro no Brasil.

O TOP 100 – Os maiores vendedores de touros do Brasil nasce para investigar quem são as fazendas que dão o tom do melhoramento genético de bovinos. Como visto na edição de junho, o censo foi subdividido entre os 50 maiores vendedores de taurinos e os 50 maiores de zebuínos, destaque desta edição. Foi feito dessa forma para que o segundo grupo não segregasse a participação do primeiro, posto que o gado zebu é presença garantida em 80% do rebanho nacional.

Por que touros? Pelo fato de essa categoria ser responsável pela multiplicação de genética. No Brasil, 90% ou mais da vacada é coberta por touros. Um touro cobre de 30 a 40 vacas em apenas uma estação e a vaca, por melhor e mais precoce que seja, é capaz de produzir no máximo um bezerro por ano. Alternando o quadro para a inseminação artificial, os números só aumentam. Touros com médias excepcionais de produção podem bater a marca de 600 doses por ejaculado, suficientes para gerar 300 bezerros. Ou seja, o touro é o propulsor da carne de qualidade no Brasil.

Entretanto, a proposta do projeto não é nova, segundo apontam os organizadores. Como todos os envolvidos conhecem e acompanham a pecuária norte-americana, em uma dessas idas e vindas dos Estados Unidos Fernando Velloso, durante um dos dois farm-tours que ele participa por ano, teve contato com a Beef Magazine, uma revista especializada na produção de carne bovina de Minneapolis, que trazia o Seedstock 100, o TOP 100 deles. Porém, o Seedstock 100, que está em seu segundo ano, não faz distinção entre zebuínos e taurinos. Velloso, então, pensou por que não adaptar para o Brasil.

Tão logo chegou ao Brasil, procurou Eduardo Hoffman, diretor-executivo da Revista AG, para consolidar o projeto em parceria e divulgar os resultados. As conversas foram avançando e o projeto, tomando forma, mas como a comunicação digital está em seu ápice nesta década, um novo membro foi convidado a compor o time: Miguel Cavalcanti, CEO do Portal BeefPoint, que, inclusive, já tinha sido colunista de ‘Do Pasto ao Prato’, atualmente, assinada pelo próprio Fernando Furtado Velloso. Assim, nasceu na edição de junho da Revista AG o TOP 100 – Os maiores vendedores de touros do Brasil, que trazia a primeira etapa do trabalho: os 50 maiores vendedores de touros taurinos.

A repercussão, imediata, chamou a atenção do mercado. Apenas no Facebook do BeefPoint, o primeiro post do TOP 100 gerou 1,8 mil curtidas e mais de 270 compartilhamentos, sucesso total de engajamento na rede. Porém, faltava ainda uma peça- -chave para iniciar o trabalho com a listagem dos vendedores de touros zebuínos. Dessa forma, o quarto parceiro a integrar o TOP 100 foi William Koury Filho, zootecnista, jurado das grandes exposições de gado zebu, colunista da AG e proprietário da consultoria Brasil com Z. Através de William e dias a fio de toda a equipe vasculhando selecionadores de Norte a Sul do Brasil, deu-se a largada para a divulgação dos 50 maiores vendedores de touros zebus do Brasil.

“Apesar da simplicidade do levantamento TOP 100, pois somente informa quem são os produtores que mais vendem touros, é uma informação ainda indisponível no mercado. Sendo assim, vejo grande valor na iniciativa, pois irá informar, anualmente, quem são os principais players do mercado de reprodutores”, explica Velloso. Segundo Eduardo Hoffmann, a participação dos selecionadores de touros é determinante no levantamento, visto que a adesão ocorre de forma voluntária. As associações de raça não têm esses números. As leiloeiras também não.

“O volume de touros vendidos por criador é um número que só o proprietário possui. Ou seja, não temos como verificar a quantidade de venda de reprodutores de uma fazenda ou de um criador, a não ser que ele se disponha a responder ao nosso questionário”, destaca o diretor-executivo da Revista AG. Aliás, esse foi um desafio à parte, porque muitos dos selecionadores que tinham totais condições de figurar no ranking ficaram de fora nesta primeira edição, mas deverão participar nas próximas.

“Creio que conseguiremos ampliar a adesão dos selecionadores nas próximas edições. É normal que uma iniciativa inovadora como essa demore um tempinho para que seja melhor compreendida, tenha maior repercussão e, naturalmente, envolva mais participantes”, pontua William Koury. O zootecnista destaca que, embora muitos rebanhos ainda não tenham aderido ao censo, o que chama a atenção é o potencial de ampliação existente na produção de touros avaliados geneticamente a partir de uma maior conscientização do mercado quanto à importância do uso de uma genética mais qualificada.

Essa percepção ficou evidente no TOP 100, que mostrou adesão dos vendedores aos principais programas de avaliação genética das raças zebuínas. Um fato que chamou a atenção é que muitas das propriedades participam em mais de um programa de avaliação genética. Tem criador que inscreveu o rebanho no programa Nelore Brasil, da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), e no Programa de Melhoramento das Raças Zebuínas (PMGZ+), da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Houve caso de fazendas participantes em até três, além de algumas avaliarem seus rebanhos por um índice próprio, normalmente compilado com o apoio de uma universidade, e ainda figurarem entre programas oficiais.

“Optamos participar de três programas de avaliação genética diferentes por não existir um consolidado nacionalmente. Procuro, por exemplo, comparar o posicionamento do touro líder no Qualitas em relação ao touro líder na ANCP. Com isso, pretendo avaliar os resultados do meu rebanho em diferentes programas no ambiente de criação da minha fazenda”, explica Marco Antônio Mendonça Pedroza, proprietário da Fazenda Riacho Fundo (Araguaína/TO), que participa do Qualitas, ANCP e PMGZ. Para ele, hoje os programas são complementares, pois um prioriza mais maternal; outro, o sobreano; e um terceiro, as características de carcaça. Porém, para manipular tanta informação, também é preciso investir um pouco mais de recursos, inclusive, na informatização da propriedade.

Alguns Números do TOP 100

Considerando apenas taurinos, incluindo o rebanho dos participantes que ficaram fora dos TOP 50, o censo realizado constatou a venda de 7.552 touros, com destaque ao Angus, com 2.094 reprodutores comercializados; Braford, com 1.837; e Brangus, com 1.413, e o restante está bastante pulverizado entre as demais raças. No caso dos zebuínos, reinam o Nelore, com 12.617; Nelore Mocho, com 3.258; e Guzerá, com 756, dentro de um universo de 17.275 animais.

No total, foram computados 24.827 reprodutores, volume suficiente para cobrir em torno de 1.000.000 de matrizes. Como o número de matrizes de corte está em 59 milhões de cabeças, das quais apenas 10% são inseminadas, há uma demanda por touros na ordem de 350.000 por ano.

Os programas de avaliação genética não conseguem abastecer nem 30% desse mercado, ou seja, o TOP 100 comprova que há muita propriedade usando “touro de boiada”, em detrimento dos animais avaliados geneticamente, ou seja, há um vasto terreno para crescer nos próximos anos. Enfim, o projeto veio para ficar e o ano de 2017 promete muitas novidades nesse novo termômetro da pecuária brasileira.

FERNANDO FURTADO VELLOSO

Qual sua opinião sobre essa iniciativa pioneira?

Apesar da simplicidade do levantamento TOP 100, pois somente informa quem são os produtores que mais vendem touros, é uma informação ainda não disponível. Sendo assim, é uma forma de conhecer quem são os principais players desse mercado. Para os produtores, é um marketing verdadeiro, efetivo e sem custo ao participante.

Quais pontos você mais destaca nas informações geradas?

Um ponto que me chamou a atenção (no levantamento de taurinos) é que produtores que podemos considerar médios (entre 50 e 100 touros) estão figurando fortemente entre os maiores vendedores do Brasil. Creio que para muitos é uma surpresa, pois imagino que a percepção e expectativa eram de números superiores.

O que fazer para melhorar a adesão dos selecionadores?

Precisamos vencer algumas resistências e temores de que o levantamento promoverá uma disputa não saudável entre as raças. Não é o propósito do projeto e isso pode ser verificado nesta primeira edição. Estamos construindo a informação do perfil de produtores de touros taurinos: quem são, onde estão, que raças selecionam e o volume produzido.

WILLIAM KOURY FILHO

Valeu a pena participar do projeto?

Precisamos quantificar para inferir sobre um determinado assunto com propriedade, caso contrário, ficamos no achismo. O mercado de touros no Brasil é um segmento importante e não existia nada para mensurá-lo. Participar é uma forma de contribuir para a produção de uma informação mais acurada.

Quais pontos você mais destaca das informações geradas?

Embora muitos rebanhos ainda não tenham aderido ao censo, o que me chama atenção é o potencial de ampliação existente na produção de touros a partir de uma maior conscientização do mercado, em relação ao porquê de não se dever utilizar cabeceira de boiada como reprodutor (“semente do paiol”).

O TOP 100 pode ajudar na evolução da pecuária?

Vai ajudar, principalmente, a dimensionar a oportunidade existente no negócio de touros melhoradores, o que eu gosto muito de chamar de mercado de “sementes certificadas”. Creio que vamos ampliar a adesão nas próximas edições. É normal que uma iniciativa inovadora leve um tempinho para que seja melhor compreendida.

MIGUEL DA ROCHA CAVALCANTI

Filho de pecuarista, ex-colunista da Revista AG e empreendedor digital de sucesso, Miguel da Rocha Cavalcanti não hesitou participar de um projeto inédito e exclusivo como esse. Logo que ficou sabendo da novidade, integrou o time responsável pelo levantamento e começou a divulgação no Portal BeefPoint, o ponto de encontro do pecuarista na web.

Como estratégia, lançava os resultados parciais conforme as adesões se concretizavam. A estratégia mostrouse certeira e as postagens ultrapassavam os milhares de likes (curtidas) e muitos compartilhamentos ocorriam, atingindo centenas de pecuaristas e grupos de discussão. “Acreditamos que o Top 100 é um projeto a favor de todos e contra ninguém. Assim sendo, contamos com o apoio e a cooperação de todos os envolvidos na produção e comercialização de reprodutores: associações de raças, programas de melhoramento genético, técnicos do setor, leiloeiras, centrais de inseminação e agentes comerciais (corretores)”, ressalta Miguel Cavalcanti.

EDUARDO HOFFMANN

Por que é importantez de participar desse projeto?

O Top 100 é uma iniciativa inédita no Brasil e surgiu da necessidade de termos uma informação não disponível no mercado. A participação espontânea dos vendedores de touros é fundamental, pois não temos como verificar a quantidade de touros comercializadas por eles de outra forma. Só eles têm a informação se o animal foi vendido em leilão particular, de terceiro ou direto na fazenda.

Como o censo deve contribuir para a evolução desse mercado?

Primeiro, para sabermos em que ponto nos situamos hoje. Os números apresentados são inéditos e acreditamos que para o ano que vem teremos ainda mais adesões, deixando a lista mais completa. Com o TOP 100, o participante passa a ter uma chancela também de qualidade, pois quem vende muito precisa ter produto bom.

O TOP 100 mostrou-se próximo da realidade?

Estamos à procura dessa “realidade”. Julgo que para um primeiro ano tivemos uma adesão excelente. Acontece que “vaca velha não entra em porteira nova”. Ou seja, alguns criadores não perceberam a importância dessa lista ou pensaram não ter volume suficiente para ranquear. Agora, creio que vão repensar no próximo ano.

Tamires Miranda Neto, diretor da Agro-CFM, agradece a confiança depositada nos touros da fazenda

Agro-CFM

“Para nós, o TOP 100 é uma iniciativa superimportante. É um levantamento que não existia até então e, por esse motivo, não tínhamos conhecimento de como andava esse mercado. Fico muito feliz de liderar o ranking, sinal de que nosso cliente reconhece a qualidade dos touros CFM. Acredito que seja por isso que temos vendido um volume tão grande de reprodutores. Nosso índice de recompra é muito alto, tem girado em torno de 60%. Indica-nos que os touros têm ido ao pasto, estão montando e retornando o lucro esperado aos pecuaristas”, relata o médico-veterinário Tamires de Miranda Neto, diretor da Agro-CFM. A propriedade é pioneira no Ceip (Certificado Especial de Identificação e Produção) e através de uma parceria com a Universidade de São Paulo roda DEPs para uma dezena de características de impacto econômico, com destaque à probabilidade de prenhez aos 14 meses.

Para Ilson Corrêa, diretor da Grendene, a propriedade sempre buscou ser referência em qualidade de touros PO

Nelore Grendene

“A Nelore Grendene não nasceu com a intenção de ser o maior vendedor de touros do Brasil. Sempre fomos petulantes de buscar sermos os melhores. Qualquer um pode produzir mil touros, atualmente, basta ter dinheiro em caixa. O verdadeiro desafio é produzir mil touros com qualidade, melhorando ano a ano. Hoje, a Grendene participa do PMGZ e da ANCP, programas que nos dão condições para correr atrás dessa colocação por qualidade. Temos o protótipo dos nossos animais definido, para que sejam capazes de melhorar fertilidade, ganho de peso e habilidade materna, em um trabalho incessante de melhoramento genético para que o pecuarista que adquira essa genética possa alcançar os resultados esperados. O pecuarista moderno está preocupado em quantos quilos de carne está produzindo por hectare e por esse motivo procura animais melhoradores, explica Ilson Corrêa. Apesar de ficar em segundo no TOP, ao se usar como critério o fator do registro PO, ela é a primeira.