Especial Silagem

 

Acertando na ensilagem

A conservação de forragens é milenar e cai cada vez mais no gosto do pecuarista

Até alguns anos atrás, era raro ler sobre as técnicas de conservação de forragens, muitos dos artigos eram esporádicos e ainda denunciavam uma ciência incipiente no País. Entretanto, as coisas vêm mudando e o pecuarista, a cada dia que passa, entende que ela não é um bicho-de-sete-cabeças. Trabalhosa, é verdade, e, quando bem feita, resiste cinco anos facilmente. Atenta às tendências, há seis anos, a Revista AG lançou a seção Feno & Silagem para levar ao criador informações de tamanha qualidade que o permitisse desfrutar dos benefícios da comida farta o ano todo no cocho. Ainda permanece sendo a única publicação que trabalha o tema mensalmente.

Vale lembrar que muito desse advento da conservação de forragens é motivado pela fusão entre agricultor e pecuarista promovida pela integração lavoura-pecuária e pelo seu complemento com floresta, além do fato de a criação de gado tornar-se um ativo rentável e deixar de ser uma moeda de especulação, incorporando às suas obrigações a necessidade de gerar lucro. Dessa forma, uma leva de novos pecuaristas já chega mais disposta a investir em tecnologia e aqueles mais tradicionais começam a também adequar os processos produtivos. E nada mais ecoapropriado como ter comida durante a seca para ajudar a segurar o efeito sanfona no boi, sustentando boas médias de ganho de peso no decorrer do ano.

Se a o produto da fazenda está nessas condições, não é mais considerado silagem

Comumente, o pecuarista tem optado pela silagem de milho, por já ter dominado a técnica de plantio e por proporcionar maior desempenho do animal. Um erro comum na escolha do híbrido é observar o teor de proteína isoladamente dos fatores de fibra e energia. O teor de proteína bruta na silagem de milho pode variar de 6,5 a 8%. Porém, com a saca de 60 quilos do grão cotado a R$ 30, em Rondonópolis/ MT, e a R$ 60, em Erechim/RS, uma alternativa econômica é a silagem de capim, na qual também se enquadra a cana-de-açúcar.

A ensilagem de gramíneas é utilizada no Brasil desde a década de 1960, à época feita apenas com capim-elefante, ainda utilizado, mas que vem perdendo espaço devido ao manejo mais dificultoso. Ganharam evidência Brachiaria decumbens, Brachiaria brizantha cv. Marandu, Panicum maximum cv. Tanzânia e Panicum maximum cv. Mombaça, cultivares que apresentam algumas vantagens como fermentação, teor de matéria seca (MS) em torno de 22%. Tudo isso coroado também pelo surgimento de maquinário especializado. A partir de 2002, as fabricantes de colhedoras associaram o uso de máquinas à adequada formulação de dietas.

Porém, quando se recorre aos capins, o objetivo passa a ser volume de alimento e não mais alta qualidade de proteína e carboidratos, como ocorreria com o milho, sendo um suplemento destinado a animais de recria e vacas descarte (categorias menos exigentes). Uma solução seria agregar outros nutrientes à dieta como a polpa cítrica, dependendo da região em que a propriedade esteja localizada, para elevar o teor nutricional. Os pesquisadores Thiago Fernandes Bernardes, zootecnista, e Gustavo Rezende Siqueira, da Apta, apresentam um exemplo hipotético bem interessante para elucidar a questão, inserindo-se a silagem de capim em uma ração para que se tenha um ganho de peso da ordem de 1,2 kg/ dia, em que ela representaria 40% da MS, ou uma produção de leite de 30 kg/dia, cuja participação na MS seria de 35%.

Entretanto, quando contrastamos com a silagem de milho, a participação do volumoso na dieta para uma vaca produzir essa quantidade de leite passa a ser de 55%, ou seja, o custo da tonelada de silagem de capim pode ser menor, porém, os dispêndios na alimentação acabam sendo superiores devido à significativa contribuição de ingredientes concentrados na dieta dos animais. “Por outro lado, se pensarmos em economia de escala, visando ao lucro por área (R$/ha), principalmente em locais onde o custo da terra é alto, a silagem de capim passa a ser uma alternativa interessante, pois tem reflexo direto na produtividade por hectare, na qual volumosos com alta capacidade produtiva possuem a tendência de diluir custos de implementos, adubos e manejo em geral”, concluem os pesquisadores.

Para obtenção de uma silagem de qualidade, alguns passos importantes devem ser respeitados, que vão desde o ponto de colheita até a vedação e retirada do alimento. Com o critério necessário, o animal terá acesso a um alimento de ótima qualidade sem o risco de micotoxinas produzidas por fungos presentes nas silagens mofadas, visão ainda comum em muitas das propriedades brasileiras. O gado rejeita no cocho e quando consome pode sofrer com intoxicação e perdas invisíveis no ganho de peso e no acabamento de carcaça.

Dimensionamento do silo

O silo trincheira é um dos mais utilizados no Brasil. Requer maiores investimentos, porém, é a opção que possibilita a obtenção de silagem de melhor qualidade, principalmente pelo fato de as paredes realizarem pressão e, dessa forma, permitir que a densidade da silagem seja elevada, chegando a valores próximos a 750 kg MV/m³. Mas quando a opção for o de superfície, algumas regras são de extrema importância, tanto para maximizar a compactação como também garantir a segurança dos operadores que estarão compactando a forragem.

Segundo o zootecnista Rafael Amaral, que assina diversos artigos sobre Feno & Silagem na Revista AG, recomenda- se dimensionar o silo trincheira entre a base e a altura na relação de 6:1, ou seja, a cada seis metros de base, será possível ter um metro de altura. Essa relação auxilia na obtenção de bons resultados, pois os tratores são capazes de compactar tanto no sentido transversal como no longitudinal. Essa relação também permite que os tratores, durante a operação de compactação, não fiquem propensos ao tombamento, o que geralmente ocorre em casos em que o silo tem seus lados muito íngremes.

Com relação ao dimensionamento, dois pontos são fundamentais para serem respeitados: o avanço diário do painel e a largura mínima. Para um bom manejo no pós-abertura, o avanço diário deve ser de, no mínimo 30 cm, isso permite reduzir a deterioração aeróbia da silagem e assim preservar a qualidade da mesma. Para pequenas propriedades, também é necessário definir a largura mínima. No caso de silo tipo trincheira, deve ser de 1,5 vezes a bitola do trator que fará a compactação. Respeitando essa regra, será possível transitar por todo o silo e, assim, permitirá que a compactação seja maximizada.

Ponto de colheita

O ponto de colheita é um parâmetro fundamental para a qualidade da silagem e depende essencialmente da maturidade da planta e a umidade. A maturidade é importante porque assegura a quantidade necessária de açúcares para a fermentação bacteriana e garante um melhor valor nutricional para o rebanho. Já a umidade favorece a compactação, que é um aspecto importante para otimizar a anaerobiose dentro do silo e preservar mais o valor nutritivo. O milho deve ser colhido com 28-35% de matéria seca. Isso pode ser observado pela linha do leite, quando ela estiver entre 1/2 e 2/3 do grão, a colheita já pode ser feita.

Tamanho errado de partícula faz gado selecionar o alimento no cocho

Em propriedades que têm a possibilidade de realizar a colheita rapidamente, recomenda-se colher com 2/3 da linha do leite, pois é nesse ponto que há a maior produção de NDT (Nutrientes Digestíveis Totais). Já em propriedades onde a colheita é mais demorada, recomenda- se iniciá-la quando a linha de leite estiver em 1/2, para não se correr o risco de ensilar o milho com maturidade muito avançada. O sorgo deve ser colhido com aproximadamente 30- 33% de MS, na fase de grão farináceo, aos 100-110 dias.

Em gramíneas tropicais, uma forma de minimizar os efeitos da alta umidade é a realização da pré-secagem da forragem antes da ensilagem. Devese evitar a colheita em dias chuvosos ou muito úmidos. Na Brachiaria sp., o primeiro corte é feito 70 a 80 dias e os cortes subsequentes, de 30 a 35 dias após o rebrote. No capim-elefante, 90- 100 dias e 60 a 70 dias após rebrote, e no Cynodon, 45-55% e 30-35%, respectivamente. Para a cana, o período mais apropriado é na seca, quando a planta apresenta maior teor de açúcares. Já em relação à cana, a estação seca é quando a planta alcança o maior pico energético.

Tamanho de partícula

O corte da silagem de milho em fragmentos muito pequenos ou muito grandes deve ser evitado. Quando muito pequenas, reduzem a efetividade da fibra e, quando muito grandes, dificultam a compactação e, normalmente, levam à seleção da dieta total pela vaca. Se o objetivo é fornecer fibra aos animais, o tamanho da partícula deve levar em consideração sua efetividade em produzir ruminação, salivação e movimentação peristáltica do rúmen, ou seja, a fibra efetiva. Fragmentos reduzidos diminuem a digestibilidade da ração e o desempenho animal. Isso ocorre devido à acidez das silagens e à dificuldade de o animal compensar esse fato ruminando mais, produzindo mais saliva e, finalmente, tamponando o rúmen, ou seja, mantendo o pH elevado, entre 6 e 7.

Na verdade, não é o tamanho médio de partícula que interessa, mas, sim, a distribuição do seu tamanho. A recomendação é que se a silagem não for a única forragem a ser fornecida ao gado, deve-se ter 2 a 4% maior que 19 mm, 40 a 50% entre 8 e 19 mm, e 40 a 50% menor que 8 mm. Se a silagem for o único volumoso, aumentar para 10 a 15% na peneira maior para 19 mm. Uma variação muito grande no tamanho das partículas provocará maior seletividade por parte dos animais e, portanto, alteração no balanceamento das rações.

O carregamento lento, a colocação de camadas diárias finas, a falta de compactação e o atraso na vedação podem causar perdas. Por esse motivo, é importante que haja uma adequação entre o tamanho do silo e a disponibilidade de mão de obra e equipamentos. As máquinas têm de estar preparadas para fazer o corte da forragem com o tamanho de partícula adequado – 1 a 2 cm para milho planta inteira e sorgo; 2 a 5 cm para gramíneas; e 0,5 a 1 cm para cana.

“O tamanho da partícula influencia o requerimento de potência e desempenho da colhedora, densidade no transporte e no silo. Do ponto de vista nutricional, a diminuição excessiva da partícula pode interferir no aumento da taxa de passagem, promovendo alterações no consumo voluntário do animal, e, por consequência, reduzindo desempenho”, assinala Luiz Felipe Prada e Silva, do Departamento de Nutrição e Produção Animal (FMVZ/USP).

Uso de inoculantes

O inoculante é uma cultura de bactérias puras, em altas concentrações, que garante a máxima preservação do valor nutritivo da forragem fresca. As vantagens na utilização desse ingreingrediente são várias. Em capim e planta inteira, a estabilização ocorre por diminuição do pH igual ou abaixo 4,5. Bactérias coliformes, salmonelas, clostridios e outras inativam-se nesse índice e é importante que isso aconteça o quanto antes. Quando se trata de grão úmido, é preciso baixar o pH e impedir o aparecimento de fungos. Esses não se inativam ao pH estabilizado por bactéria lática. Por isso, usa-se uma bactéria produtora de ácido propiônico para obtenção da ação fungistática. O mesmo caso para a silagem de cana de açúcar.

O zootecnista Rafael Amaral recomenda dimensionar o silo trincheira na relação de 6m de base por 1m de altura

A aceleração da fermentação da silagem ocasionada pelo uso do inoculante preserva a qualidade final do alimento e seu valor nutritivo, melhora a palatabilidade e diminui as perdas de silagem. Quanto mais rapidamente fermentar, maior será a qualidade da comida, lembrando que o inoculante permite ao produtor abrir um silo muito antes do processo normal. Depende de quanta forragem se inocula, mas em até 48 horas já é possível acessar o silo. A pesquisa científica recomenda um mínimo de 200 mil UFC/g (unidades formadoras de colônias por grama de forragem).

Estabilidade aeróbia

Os inoculantes também podem ajudar a preservar a temperatura do silo, que, sem cuidado, pode ultrapassar os 40 graus centígrados e literalmente azedar a silagem, abrindo caminho para perda de matéria orgânica e até contaminação por fungos, posteriormente. Estabilidade aeróbia é definida pelos pesquisadores como sendo o tempo em que a silagem leva para aquecer e superar a temperatura ambiente em 2oC. Nessa temperatura, estudos de microbiologia mostram que a silagem está tomada por micro-organismos espoliadores que consomem todos os nutrientes preservados durante a fase fermentativa, gerando grandes perdas, especialmente de energia.

Pode ser traduzida pelo aquecimento da massa de forragem exposta ao ar e o aparecimento de fungos, levando a elevadas perdas de MS, redução de consumo por parte dos animais e queda na produção. Levando em consideração que cerca de 70% do custo de produção é apenas com alimentação, é sabido que se trata de um fator relevante na produtividade animal. “A instabilidade aeróbia é desencadeada pelo rápido crescimento de leveduras, tanto no fechamento do silo como na abertura, que ocorre naturalmente nas forragens e podem se desenvolver e multiplicar rapidamente logo que o silo é fechado, pelo fato de ainda conter oxigênio residual”, explica o mestre em Ciência Animal e Pastagem Sérgio Toledo.

Puverizador pode ser aclopado à colheitadeira para aplicação homogênea do inoculante

O ponto crítico é a abertura do silo. O problema agrava-se quando não existem taxas adequadas de remoção da silagem, quando o consumo é baixo ou quando removida permanece por muitas horas sem ser consumida, como ocorre em fazendas onde é retirada uma vez ao dia. De acordo com Toledo, uma bactéria que tem sido muito estudada para contornar o problema é a Lactobacillus buchneri. Inúmeros ensaios no Brasil e no exterior demonstram sua eficiência.

Lonas de etil vinil álcool são as melhores para bloquear passagem de oxigênio

Além do ácido lático mencionado anteriormente, ela também produz ácido acético. Embora ainda não elucidado o porquê, esse ácido tem capacidade de inibir o crescimento e o desenvolvimento de outras leveduras e bolores de maneira maneira muito eficiente. Outra opção são os “combos”, que nada mais são que uma associação de bactérias.

Compactação e vedação

“Os cuidados com a compactação devem ser direcionados ao tempo em que o trator compacta a forragem e o peso empregado nesse processo. A recomendação do tempo para a compactação é de 1 a 1,2 vezes o tempo de colheita. Além dessa variável, o peso do trator deve ser de 40% da quantidade de forragem que chega a cada hora no silo”, indica Amaral. É muito comum observar silos com camadas deterioradas na porção superior do silo no momento de abertura.

Perdas que podem chegar a 35% de MS no primeiro metro do silo, sendo que a cada 1 cm de camada preta que se encontra no topo, pode se estabelecer uma relação de 3 cm de perda de camada boa. Para um silo com 10 cm de camada preta, estima-se que o valor da perda por metro quadrado seja ao redor R$ 25,00. Sérgio Toledo descreve que um bom silo apresenta densidade de cerca de 600 a 650 kg de matéria original por m3 (225 a 250 kg MS/m3). Isso significa que ainda há algum espaço entre as partículas de silagem por onde o oxigênio penetra fundo, alcançando até 20 cm por dia, ou seja, atrás do painel (área onde foi alocada a silagem), o oxigênio está despertando aquelas leveduras dormentes e a degradação de nutrientes está ocorrendo.


Fica a dica!

“A escolha do volumoso a ser ensilado pode ser determinada pelo objetivo da suplementação, dependendo da exigência qualitativa do sistema de produção”, avisa Antony Sewell, consultor da Boviplan. Em sistemas onde o objetivo é o alto desempenho individual, ou seja, ganhos de peso elevados ou alta produção de leite por vaca, exige-se volumoso de alta qualidade nutricional, como a silagem de milho ou de sorgo. Portanto, nestes casos, define-se o volumoso pelo valor nutricional. Em confinamentos de engorda e terminação, a utilização de silagens de milho e sorgo podem se tornar inviáveis economicamente. Para estes casos as de cana-de-açúcar ou capim são normalmente mais vantajosas, assim como para a suplementação a pasto de categorias de menor exigência nutricional.


Para um silo mal compactado, esse valor sobe para metros, sendo que há trabalhos científicos que mostram que até seis metros atrás do painel a silagem está com valores de nutrientes bem baixos, o que distorce o balanceamento da dieta. Um dos grandes vilões para a ocorrência de deterioração é a própria lona utilizada, que é constituída em polietileno, como já discutido anteriormente nesta seção Feno e Silagem. “O mais indicado são os filmes de barreira de oxigênio, constituídos de etil vinil álcool. Outro fator que contribui para o aumento da camada deteriorada no topo do silo é o dano físico ocasionado por animais, aves e roedores. Mantas ajudam nessa questão e duram até oito anos”, recomenda Amaral.

Micotoxinas e a retirada do painel

Os ruminantes são reconhecidamente mais resistentes que os monogástricos no tocante às micotoxicoses produzidas pelos fungos, porém, muito se perde na produção, de maneira geral. As micotoxinas são medidas em ppm (partes por milhão) ou ppb (partes por bilhão), ou seja, quantidades bastante pequenas, mas com efeitos desastrosos na saúde do animal e nas pessoas que consumirem seus produtos.

Silagem com 'febre' é indicativo de deteriorização anaeóriba

Uma das principais micotoxinas e, talvez, a mais conhecida é o grupo das aflatoxinas (AF). Existem tipos como AFB1, AFB2, AFG1 e AFG2 passíveis de identificação nos alimentos. Essas aflatoxinas, após serem metabolizadas no fígado, são transformadas nos tipos AFM1 e AFM2, sendo transportadas para o leite das vacas. A legislação brasileira limita a presença em, no máximo, de 0,5 ppb, traduzindo isso, seria 0,5 g de aflatoxina em um milhão de litros de leite.

Aqui está uma das principais fontes de intoxicação do gado

No leite em pó, esse limite é de 5 ppb, ou 5 g de aflatoxinas em 1 mil toneladas. Outra micotoxina bastante importante economicamente é a zearalenona (ZEA). Um composto que se assemelha quimicamente ao estrógeno (hormônio feminino). Dessa forma, se a ZEA estiver presente nos alimentos, seus resultados no rebanho estão relacionados, principalmente, a problemas reprodutivos, tais como aborto, repetição de cio, edema de úbere em novilhas, retenção de placenta e cistos de ovário, entre outros sintomas. Nos machos, ocasiona queda na fertilidade e da libido. O produtor evita a proliferação desses microtóxicos quando retira uma camada grossa do painel diariamente.

Silos bem dimensionados e que apresentam altas taxas de retiradas de forragem apresentam perdas reduzidas de MS, pois o painel fica exposto ao ar por um período reduzido de tempo. Para condições tropicais, os pesquisadores sugerem uma retirada mínima de 20 a 25 cm por dia do silo. “A adoção de técnicas de boas práticas na ensilagem poderá diminuir a contaminação por fungos. Na ensilagem propriamente dita, a prevenção da deterioração aeróbia tem demonstrado bons resultados no controle do desenvolvimento de fungos e, consequentemente, da produção de micotoxinas”, relata o médico-veterinário Lucas José.

Em confinamentos de engorda e terminação, a utilização de silagens de milho e sorgo pode se tornar inviável, adverte Antony Sewell

A silagem ficou boa?

Uma boa silagem deve ter cheiro agradável e cor clara. Grandes quantidades de efluentes escorrendo indicam a possibilidade de fermentação inadequada ou corte excessivo da forragem. Muito seca, indica que pode ter havido problemas na compactação. Mofo é um indicativo da presença de O2 oriundo da má compactação ou da vedação inadequada. O pH de uma boa silagem precisa ser inferior a 4,2. A análise de ácidos orgânicos deve indicar valor acima de 2% de ácido lático e inferior a 0,1% de ácido butírico de MS. A degradação de proteína é um sinal de fermentação indesejável e o nível de nitrogênio amoniacal tem de ser inferior a 11% do nitrogênio total.

Plantas de milho e de sorgo, quando adequadamente ensiladas, são boas fontes de energia (60% a 70% de NDT); contudo, são deficientes em proteína (7% a 9% de PB). A silagem de sorgo equivale a 80%-90% da silagem do milho por conter menor quantidade de grãos, apresenta maiores perdas de grãos nas fezes dos animais e talos de menor digestibilidade. As silagens de capins, geralmente, estão associadas ao maior risco de perda e apresentam conteúdo energético inferior às silagens de milho e de sorgo (56% a 60% de NDT).