Caindo na Braquiária

 

Não trabalhamos com coelhos

Alexandre Zadra

Carlos Alberto Gambagorte, ou “Zorba” para os mais chegados, foi um sócio leal e trabalhador que tive em Pirassununga quando cursávamos a zootecnia. Meu interesse era grande em ter um criatório de alguma espécie por nós estudada na faculdade. Tão logo começaram as primeiras aulas de cunicultura (criação de coelhos) com o professor José Bento, o qual na época ministrava essa matéria, eu e “Zorba” montamos um pequeno criatório na sua casa, seguindo a risca todo o protocolo de manejo sanitário e nutricional para produzirmos carne e pele de coelhos.

Abatemos alguns poucos animais, dos quais vendemos a carne e a pele curtida por nós mesmos, e com o ciclo curto na produção, conseguíamos corrigir rapidamente alguma falha de execução que, por ventura, havíamos cometido, mas por conta do mercado restrito, não demos sequência na criação. Quando trabalhamos com planejamento genético nas espécies de ciclo mais curto como os coelhos, temos chances de corrigir alguma decisão equivocada que tomamos em relação ao uso de raças em pouco tempo, já ao direcionarmos nossa visão para a pecuária, devemos sempre realizar os acasalamentos com o máximo de zelo possível, pensando sempre em produzir animais que possam ser recriados e engordados tanto em sistemas extensivo como em sistemas intensivos.

A realidade atual da cria no gado de corte passa pelo uso da novilha 1\2 sangue Angus (F1), em que boa parte dessas fêmeas permanecem nos rebanhos para uso como matriz, já que tem predicados de sobra para esse intento, pois é precoce, fértil e tem ótima habilidade materna. Muitos desses criadores me questionam a respeito da melhor raça a ser usada nas suas meio-sangues. O primeiro passo é definir para qual mercado seus animais serão vendidos. Caso seja venda dos bezerros na desmama, devemos programar o acasalamento com a raça mais valorizada pelo seu cliente, atendendo inclusive sua forma de recria, seja com suplementação ou não.

Raças como Brangus, Braford, Canchim e Bonsmara vão muito bem nas F1 para sistemas de recria caprichada, pois seu metabolismo é mais alto que o animal meio-sangue. Esse tricross tem um potencial excelente de ganho em peso nos sistemas de recria com suplementação. Assim, o criador deve usar a raça que seu cliente prefira engordar, lembrando que, no caso desses animais serem recriados e engordados no Brasil Centro Norte, deve-se caprichar na dieta com grãos.

Já raças como Senepol e Caracu saltam na frente quando temos uma recria e engorda em sistemas extensivos, em que os tricross apresentam metabolismo igual a meio-sangue, apresentando uma performance excelente no pasto. No caso de o nosso produtor fazer o ciclo completo, sempre recomendo colocar os ovos em dois cestos, onde caso haja confinamento na fazenda, podemos usar raças europeias em uma parte das femeas F1, tais como Charoles ou Simental. Esses animais tricross deverão ser confinados logo após a desmama se estiverem no Centro Norte do País, pois seu metabolismo é muito alto, havendo menor apetite para alimentos volumosos no calor dessa região. Caso estejam no Sul do País (nesse caso, seriam filhos de vacas cruzadas e pais europeus), poderão ser recriados a pasto para depois serem confinados.

Na outra parte das fêmeas meio-sangues costumo recomendar raças de menor metabolismo como Bonsmara e bimestiços, as quais, com pouca suplementação, apresentam bom desempenho mesmo no verão. Dessa forma, esse gado pode ser recriado e engordado em um semiconfinamento ou em um sistema semi-intensivo sem sofrer demais com falta de apetite no calor.

Vejamos o que vem ocorrendo no momento com o preço do milho nas alturas. Alguns criadores que programaram uso de raças europeias nas F1 para engordá-las no cocho diretamente após a desmama estão em apuros, pois esse tricross (¾ europeu) que possui alto metabolismo tem grande chance de perder peso caso não receba uma dieta rica em grãos. Portanto, devemos sempre que possível pensar em usar mais de uma raça nas matrizes F1, contanto que atendam o mercado e tenhamos flexibilidade na recria e na engorda.

Alexandre Zadra - Zootecnista zadra@crigenetica.com.br


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