Sobrevoando

 

Eleições

Toninho Carancho
carancho@revistaag.com.br

Eleições normalmente são um evento bastante interessante, e muitas vezes vantajoso, não só para os eleitos, como também para os eleitores. É o momento de pedir, reivindicar, solicitar algumas mudanças. Coisas básicas, que é o que os governos deveriam se preocupar e que muitas vezes ficam relegadas a um segundo plano. Eleições servem para o embate de ideias, de rumos diferentes, de formas de governo e de governança.

E como todos sabem e acompanham, estamos passando por um período único na nossa história, quando estamos presenciando uma verdadeira ruptura nos moldes normais das eleições.

Me refiro, obviamente, à ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu) cuja eleição para presidência e sua diretoria que será realizada em agosto. Em 82 anos de ABCZ, esta é apenas a segunda vez que acontece de haver duas chapas concorrendo. Normalmente existe apenas uma chapa que é escolhida e aprovada por aclamação, não existindo a necessidade de votação.

Porém, neste ano, existe uma disputa como nunca vista anteriormente. São dois candidatos que estão em campanha frenética, com botons, folhetaria de campanha, outdoors espalhados por Uberaba/MG, cabos eleitorais, bandeiras e até um inédito debate entre os presidenciáveis, protagonizado pelo Canal do Boi.

A coisa pegou fogo, a luta pelo voto é no corpo a corpo. No debate, algo morno na sua maior parte, ganhou certa temperatura quando os contrincantes fizeram perguntas um para o outro. Foi bonito de ver. Eu estava sobrevoando por lá e tive a felicidade de acompanhar in loco o debate.

Os dois candidatos pertencem à atual diretoria e, portanto, teoricamente, fazem ou faziam parte de um mesmo time. Mas não é bem assim. Aconteceu um racha e a coisa está esquentando.

De um lado está Frederico Cunha Mendes, filho de José Olavo Mendes, três vezes presidente da ABCZ, e que concorre como candidato da situação. Fred, como é conhecido, é diretor da ABCZ, muito atuante em várias áreas e diretor de empresas na área de genética.

Do outro lado está Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, o conhecido Arnaldinho, exímio juiz de Nelore de pista e que, apesar de também fazer parte da atual diretoria, concorre como oposição.

Ao fechar esta coluna, recebi a notícia que a chapa do Arnaldinho tinha sido indeferida pela ABCZ pelo motivo de o mesmo ser associado técnico e não associado efetivo, como rege o Estatuto da ABCZ, mas que uma liminar havia concedido a sua presença nas eleições. O caso foi para a justiça.

Ao lerem estas mal traçadas linhas, possivelmente já terá sido resolvido esse imbróglio.

Porém, fica uma pergunta no ar. Ao final destas tão disputadas e embaraçosas eleições, como ficará a ABCZ e seus associados? Como irão juntar essas duas partes que hoje parecem tão separadas? A ABCZ é muito maior do que tudo isso. É a maior associação de raças de gado do mundo. Conta com mais de 20.000 associados, registra mais de 400.000 bezerros por ano e trabalha com um faturamento anual acima dos 60 milhões de reais.

Vida longa à ABCZ e, seja quem for o vencedor destas eleições, que tenha a capacidade de juntar e consolidar todos os criadores em prol das raças zebuinas.