Top 100

 

Top 100

Os maiores vendedores de touros do Brasil

Fernando Furtado Velloso

A cada virada de ano fazemos um balanço do que passou e de nossas metas para o ano que inicia. Bem no início de 2016, discutimos e decidimos que realizar um levantamento sobre o mercado de touros, identificando os maiores vendedores do Brasil, seria um bom desafio. Ainda em janeiro, a Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha propôs essa ideia para a Revista AG, foram feitas algumas reuniões entre Fernando Velloso e Eduardo Hoffmann, diretores das duas empresas, e chegamos à conclusão que a ideia era mais do que boa, que a informação, apesar de simples, ainda não era disponível, e que a realização contínua desse levantamento valorizaria o segmento de reprodutores e poderia até tornar- se um fórum para discussão de tudo o que se relaciona a esse insumo tão importante para a pecuária de corte: o touro.

Uma boa ideia atrai bons parceiros.

Tão logo iniciamos a divulgação do projeto, foi incluído o BeefPoint como um dos realizadores, junto da Assessoria e da AG. Com a entrada de Miguel Cavalcanti (BeefPoint) na empreitada, ampliamos a visibilidade na Internet, em redes sociais e comunidades da pecuária de corte. O TOP 100 está alinhado com as tantas ações do BeefPoint de valorizar o que há de melhor em nossa pecuária, e antes das empresas, as pessoas envolvidas são amigas de longa data.

Precisávamos de um nome forte no mercado de touros zebuínos e a resposta veio na hora: o Zootecnista William Koury Filho, da empresa de consultoria BrasilComZ. Foram necessários pouco mais que 2 ou 3 telefonemas para discutirmos o trabalho e contarmos com o apoio de William e sua empresa na etapa zebuínos de nosso levantamento. Não fossem os problemas da telefonia móvel no Brasil, talvez resolvêssemos o assunto em uma só ligação.

Estava formado o time: bola no centro, o gol será realizar anualmente o melhor levantamento sobre vendedores de touros do Brasil.

TOP 50 – TAURINOS

Está encerrada a primeira etapa do TOP 100 – Os Maiores Vendedores de Touros do Brasil, e publicamos aqui a primeira relação dessa natureza, contemplando os 50 líderes nas vendas de Taurinos em 2015 (raças europeias e sintéticas). Este trabalho iniciou em fevereiro com o comunicado às associações de raças. De março a maio, a consulta esteve aberta na Internet para que os criadores informassem os seus dados. Ainda em maio, os dados foram enviados para as associações terem conhecimento e para validarem as informações.

Identificar os grandes fornecedores de touros no Brasil é uma informação de grande valia e esses produtores devem ser conhecidos e reconhecidos. O TOP 100 pretende saber quem são, onde estão, que raças produzem, como vendem e como selecionam seus animais. Atualmente essa informação não está disponível em lugar algum e acreditamos no seu valor para vendedores e compradores de reprodutores.

Temos consciência de que a listagem aqui apresentada pode não contemplar a totalidade dos grandes vendedores de touros no Brasil, pois a informação foi obtida por adesão voluntária dos produtores, mas garantimos que foi feito todo o esforço possível para que a divulgação desse levantamento fosse a mais ampla possível.

O critério básico e fundamental de nosso levantamento é o número de touros registrados vendidos por ano, nesta edição referente ao exercício 2015. Para os produtores que trabalham com mais de uma raça, bastante comum para criadores de raças europeias e sintéticas, é considerado o somatório das diferentes raças comercializadas.

Algumas considerações e conclusões podem ser obtidas desse primeiro levantamento TOP 50 – Taurinos:

1) 6.780 touros foram vendidos pelos participantes do TOP 50 Taurinos no Brasil em 2015. Número suficiente de reprodutores para um grupo de aproximadamente 200 mil matrizes.

2) 136 touros é media de venda anual, com variação de 44 a 698.

3) Somente oito criadores venderam mais que 200 touros em 2015, demonstrando que a venda de touros taurinos não é realizada principalmente por “grandes” produtores.

4) As raças Angus e Braford são as mais representativas, somando 51% dos touros vendidos, e estão muito próximas em quantidades (Angus, com 1.805 touros, e Braford, com 1.736 touros).

5) O grupo Angus/Brangus representa 47% dos touros; Hereford/ Braford, 34%; e Charolês/Canchim, 6,4%. A raça Devon vem na sequência, com 5,4% de participação, com 363 touros.

6) No Sul do Brasil está a maioria dos vendedores de touros e com especial concentração no RS.

7) Forma de comercialização: – 48% dos touros são vendidos na fazenda;

– 45% dos touros são vendidos em leilão próprio;

– 7% dos touros são vendidos em outros leilões (de terceiros, em exposições, sindicatos rurais, etc.). Observa-se uma grande variação conforme a propriedade. Algumas comercializam praticamente toda a produção em leilões e outras, em venda na fazenda.

Os dados referentes ao sistema de vendas merecem mais análises, pois podem nos trazer particularidades conforme a região, o grupo racial, o porte do vendedor, etc. Deveremos preparar mais estudos desses dados para as próximas publicações do TOP 100.

Programas de melhoramento genético citados

8) Programas de melhoramento genético:

– 80% dos rebanhos do TOP 50 Taurinos participam de algum programa de melhoramento genético;

– os programas citados foram: Conexão Delta G, Geneplus, Natura, Programa Montana e Pampaplus;

– mesmo no grupo dos 50 maiores vendedores de touros taurinos, temos rebanhos que ainda não participam de programas de melhoramento genético, demonstrando assim o grande espaço para crescimento da seleção objetiva entre produtores e usuários de genética.

9) O assunto “venda de touros” é de interesse dos produtores e foi possível verificar essa situação através do número de visitantes na página do TOP 100, superando 7.600 visitantes de março a 20/maio.

Toda nova ideia tem suas dificuldades e sofre alguma resistência, e no TOP 100 não foi diferente. Algumas pessoas nos procuraram porque não entendiam o que era o levantamento, se havia algum custo para participação, se era aberto para todos os produtores, etc. Como sempre, a comunicação não é algo fácil. Quem comunica considera tudo muito simples, mas precisa ser compreensível para quem lê. Esse foi um importante desafio de nosso trabalho, pois apesar de parecer tão simples, esse levantamento gerou dúvidas diversas para vários produtores que aderiram ou optaram por não participar desta edição.

Recebemos muitas mensagens parabenizando a iniciativa e boas sugestões através dos formulários de participação: que o levantamento contemplasse questões “qualitativas” dos touros, que as medias dos valores de venda fossem tabuladas, que o posicionamento do criador no sumário da raça fosse valorizado, que o destino dos touros (local, regional, para outros estados) fosse consultado, que fosse informado o início de trabalho de seleção da fazenda, e muitos grifaram a importância da valorização de touros registrados e com avaliação genética.

Alguns criadores aproveitaram para valorizar e informar o histórico do trabalho de sua fazenda, os diferenciais de seus reprodutores e a sua expressão no mercado de touros. Essa situação reforça que os produtores de genética buscam espaço para divulgar mais o seu trabalho e o TOP 100 irá disponibilizar essa oportunidade, seja nas publicações da AG ou na Internet, via Beefpoint ou Assessoria Agropecuária.

Ocorreu também o temor que gerássemos uma disputa não saudável entre raças. Naturalmente que esse não é o propósito do TOP 100, pois entendemos que informação transparente e atualizada é sempre insumo de valor para a pecuária de corte. Fazemos especial agradecimento à Associação Brasileira de Criadores de Devon (ABCD), pois a entidade assumiu o trabalho de tabular as informações e nos enviou o resumo pronto de seus associados. Parte deles figura na relação TOP 50 Taurinos.

Na edição de julho da Revista AG será publicado o ranking dos TOP 50 Maiores vendedores de touros zebuínos.

DEPOIMENTOS
GAP Genética
Kaju (João Paulo Schneider da Silva)

Fale um pouco sobre a história da fazenda, principalmente sobre comercialização de reprodutores?

“Nós temos dentro da GAP uma missão. Ela nos orienta e direciona nossos esforços no sentido de fazer as coisas acontecerem”, diz Kaju

“O grande trunfo da Pitangueira é nossa clientela que facilita o trabalho de vender esse número de reprodutores”, lembra Pedro Monteiro Lopes

Kaju – Nós temos dentro da GAP Genética uma missão. E ela nos orienta a direcionar todos nossos esforços no sentido de fazer as coisas acontecerem. Esse resultado constatado pelos organizadores do Top 100 é motivo de muita satisfação, porque sempre procuramos atender nossos clientes da melhor maneira possível. É graças ao grande plantel que a fazenda dispõe que viabiliza ofertar uma quantidade expressiva de animais para que, através do volume, os preços sejam convidativos dentro do processo de produção do nosso cliente. Portanto, temos uma ideia consolidada de disponibilizar genética qualificada e adaptada e que trará resultados aos produtores. Por exemplo, nós temos diversos dados sobre esses animais para que o criador compre sempre com segurança.

Qual a importância para vocês constar na primeira colocação do Top 100?

Kaju – Essa conquista, primeiramente, mostra que continuamente trabalhamos com plantel desejado. E se isso tivesse sido diluído entre os membros da família, o projeto já teria perdido forças há muito tempo. O doutor Eduardo Macedo Linhares conseguiu que seus filhos trabalhassem unidos, levando a GAP como um patrimônio de todos. O que acontece: mantemos os números originais dos planteis, a cabanha tem muita tradição trabalhando com as raças Angus e Hereford e mais recentemente investiu sobremaneira na produção dos sintéticos derivados, sendo Brangus e Braford. O grande volume de touros que nós comercializamos se deve às vendas desses reprodutores sintéticos. Também vale ressaltar que essa liderança no Top 100 é resultado da nossa ampliação de mercado nacionalmente.

Se hoje estamos no topo das vendas de reprodutores é porque negociamos produtos de qualidade Angus e Hereford aqui no Sul, mas jamais imaginamos que o mercado de animais cruzados impulsionaria nossas vendas em todo o País. Se eu te disser que, hoje, tudo que produzimos, mais de 50% vai para fora do Rio Grande do Sul, não é exagero. E isso é muito bom para o acréscimo de qualidade do produto brasileiro. O cruzamento com taurinos ou sintéticos acaba melhorando e muito a qualidade de carne, em virtude de esses animais produzidos serem precoces, eles irão para o abate mais cedo. Então, de uma certa maneira, nós estamos contribuindo para o desenvolvimento e para a lucratividade dos pecuaristas.

Pitangueira agropecuária
Pedro Monteiro Lopes

Fale um pouco sobre a história da fazenda, principalmente sobre comercialização de reprodutores?

Pedro Monteiro Lopes – Começamos com trabalho de genética através da raça Braford há mais de 30 anos. Inicialmente criávamos Nelore Mocho que, aliás, criamos até hoje, mas depois partimos para o cruzamento com Hereford. Atualmente, nós vendemos anualmente mais de 500 touros. Durante a nossa trajetória, somos cofundadores da Conexão Braford, iniciando com medições, DEPs e índices desses animais. Participamos também do ranking da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) há vários anos, da qual ainda faço parte como vice- -presidente. Faz 15 anos que integro a diretoria da ABHB. E há dez anos consecutivos a Pitangueira consagra- -se na primeira colocação do ranking da entidade.

Nós consideramos como grande trunfo da Pitangueira a nossa clientela que facilita o trabalho de vender esse número de reprodutores. Em 2016, já vendemos 10% dos touros, ou seja, aproximadamente 50 exemplares foram ofertados. Enfim, esperamos cada dia mais nos especializar com pós-venda eficiente.

Esse resultado que o TOP 100 apresenta nos traz uma imensa satisfação por saber que o nosso projeto está sendo valorizado. Só para ilustrar, nós somos pioneiros com as negociações de reprodutores Braford no Mato Grosso, principalmente na região de Rondonópolis. Praticamente 30% dos nossos touros são comercializados fora do RS. O grupo tem vendido substancialmente para os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Tocantins, Goiás e Paraná.

Em suma, para nós do Grupo Pitangueira é motivo de muita honra essa conquista. E sua importância é comprovada por consequência do trabalho incansável no pós-venda, porque isso tem gerado índice de recompra elevadíssimo pelos pecuaristas. Agradeço também o trabalho dos nossos funcionários que engrandecem a fazenda, os profissionais da imprensa e os demais envolvidos com o projeto Top 100.

Reconquista Agropecuária
José Paulo Dornelles Cairoli

Fale um pouco sobre a história da fazenda?

José Paulo Dornelles Cairoli – O projeto teve início há 42 anos com gado cruzado da raça Brangus, e na sequência, Angus e Brangus. Nos últimos 30 anos, nós estamos comercializando reprodutores de excelente qualidade genética. Há uma década, a Reconquista é a melhor cabanha do ranking nacional de criadores e expositores da Associação Brasileira de Angus, sempre trabalhando com genética de ponta, utilizando os melhores sangues para ofertar ao mercado animais que detêm a qualidade da fazenda.

Qual a importância para vocês constarem entre os melhores colocados do Top 100 nas negociações de taurinos?

José Paulo Dornelles Cairoli – Acho que essa ação de figurar entre os melhores é muito importante para qualquer criador, mostrando que um trabalho consistente tem reconhecimento. Especialmente, no caso da Reconquista, essa colocação revela que nosso projeto sólido de comercializar genética de qualidade aos produtores está surtindo resultados expressivos e sendo lembrado por toda a cadeia. Para continuar registrando bons resultados em 2016, estamos organizando remates no Rio Grande do Sul, Paraná e também vendas diretas.

Pecuarista José Paulo Dornelles Cairoli e seu neto Antônio Cairoli