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10 DICAS DE VACINAÇÃO

Juliana Moreira* e Larissa Salles**

A vacinação é o método mais eficaz para proteger os animais de doenças. Porém, por outro lado, se for feita de forma errada, pode causar diminuição no bem-estar dos bovinos, com perda na carcaça, desperdícios do medicamento e prejuízos econômicos. Vacinar animais com eficácia economiza tempo e dinheiro.

A imunização feita de forma correta traz resultados excelentes ao País, como é o caso, por exemplo, na erradicação da febre aftosa com vacinação em alguns estados (Tocantins, Mato Grosso do Sul, Piauí e outros) e o controle da raiva em herbívoros.

Todavia, não basta apenas aplicá-la se outros manejos não forem observados. Cuidados que vão desde a limpeza do local onde vivem os animais até o momento exato da aplicação e contenção do indivíduo. A adoção do manejo racional na vacinação proporciona benefícios econômicos diretos, tais como diminuição na perda de vacina, redução de danos aos equipamentos e baixo risco de acidentes de trabalho. As boas práticas são fundamentais para determinar o sucesso ou o fracasso de uma vacinação.

Durante todo o processo, mantenha um fluxo de trabalho contínuo e seguro, do início ao fim. E lembre-se sempre dos reforços vacinais que devem ser feitos de acordo com a orientação do fabricante ou do veterinário da propriedade. Animais primovacinados devem receber um reforço 30 dias após a primeira dose.

A vacinação feita da maneira certa garante muitos benefícios ao produtor e não deve ser deixada de lado. Mas tente sempre pensar de maneira combinada, aliando um bom manejo geral com a sanidade da propriedade. Assim, as chances de uma doença acometer os animais diminuem bastante. Em palestra, o virologista Amauri Alfieri afirmou: “não tem como dissociar manejo de sanidade”. A vacinação racional é a melhor forma de prevenir o gado e garantir um processo sem prejuízos. Dessa forma, muitos problemas podem ser evitados.

O procedimento de vacinação é, em si, uma prática que costuma gerar estresse, portanto, deve ser realizada de forma coerente para que o impacto negativo seja o menor possível. Adotando o manejo racional, muitos produtores já descobriram as vantagens e garantem que traz mais segurança ao aplicador e ao animal e menores perdas, sem aumentar o tempo necessário para vacinar todo o rebanho.

E por último, fica um alerta: tenha sempre um veterinário para auxiliar nesse processo para que alcance o resultado desejado.

Agulha
Para saber qual o tamanho das agulhas a utilizar, é preciso ficar por dentro de algumas dicas interessantes. Considere a categoria animal a ser imunizada e, para vacinas aquosas, opte pelo calibre menor. Para vacinas oleosas, calibre maior. Para aplicação subcutânea, calibre menor. Para aplicação intramuscular, calibre maior.

A escolha da agulha depende da categoria animal ou concentração da vacina


DICAS

1. Ao comprar as vacinas na loja, verifique se estão armazenadas na temperatura correta (entre 2º e 8ºC) e garanta que continuem assim até a aplicação.
2.
Planeje o dia da vacinação, separe os materiais (agulhas em tamanho adequado para cada categoria), verifique se estão limpas e em bom estado. Não utilize agulhas tortas e enferrujadas. Verifique se há seringas em número suficiente.
3. Alguns dias antes, verifique as instalações. Mantenha-as limpas e sem obstáculos (degraus, poças de água, pregos, madeiras ou buracos) que dificultem a passagem dos animais. Verifique também as porteiras.
4. No momento da vacinação, separe as vacinas em caixas com gelo (confira lote/validade, quantidade de frascos X nº de animais, dosagem) e mantenha longe do sol e calor.
5. Esterilize as agulhas (água fervente por 15 a 20 minutos) e tenha um nº suficiente para sempre dispor de agulhas limpas (troque a cada dez animais).
6. Conduza os animais de forma calma e sem agressão. Utilize piquetes próximos ao curral para manter os animais para vacinação. Trabalhe com lotes menores.
7. Tenha uma equipe para conduzir, conter e vacinar, evitando desgaste dos vaqueiros e animais. Mantenha a higiene dos colaboradores, orientando para lavagem das mãos com água e sabão antes de iniciar o trabalho.
8. Regule a pistola de acordo com a dosagem indicada. Aspire a vacina para dentro da pistola, evitando bolhas de ar. Aplique de acordo com a recomendação do fabricante, por via subcutânea ou intramuscular, na tábua do pescoço. Nunca vacine animais doentes ou debilitados!
9. Após a vacinação, conduza os animais para um local com sombra, água e alimento de forma calma e tranquila, sem agressões.
10. Ao final da vacinação, limpe todos os materiais e instalações e descarte os frascos utilizados em local adequado.


Reações vacinais comprometem lucro do pecuarista

Da Redação

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu alerta os pecuaristas de todo o País para a importância de vacinarem 100% dos rebanhos na campanha oficial de vacinação contra a febre aftosa, programada para este mês.

“A imagem da pecuária brasileira nunca esteve tão positiva no cenário internacional. Reabrimos o mercado chinês e abrimos o mercado norte-americano, o maior do mundo. Não podemos correr o risco de ter um caso de aftosa por descuido, desinformação ou procedimentos indevidos no momento da vacinação”, ressalta Luiz Claudio Paranhos, presidente da ABCZ. “Acima de tudo, o custo de uma dose de vacina é muito baixo em relação ao benefício que ela proporciona”, complementa Paranhos.

O alerta do presidente da ABCZ também envolve a qualidade da vacina e o preparo dos funcionários das fazendas na hora da aplicação.

“A reação vacinal é uma questão séria e merece profunda reflexão de toda a cadeia da carne bovina. Também considero clara a responsabilidade da indústria de saúde animal em relação à qualidade das vacinas comercializadas. E os pecuaristas precisam ficar atentos a isso na hora de se preparar para a imunização contra a febre aftosa, orientando corretamente os funcionários da fazenda. Além disso, os laboratórios também precisam estar comprometidos com o treinamento de boas práticas nas fazendas”.

A afirmação de Paranhos está respaldada por estudos recentes que constataram um imenso prejuízo para a cadeia da carne bovina com as reações vacinais ou medicamentosas em bovinos. O trabalho dos pesquisadores da Unesp e da FIO concluiu que nada menos do que 500 mil toneladas de carne podem deixar de ser comercializadas por ano devido à “depreciação de cortes na desossa decorrente da retirada de lesões vacinais ou medicamentosas”. O trabalho foi realizado em 376 carcaças do Centro-Oeste paulista, das quais 308 (81,91%) apresentaram lesões, com perda média de 0,38 kg por carcaça.

Outro trabalho recente realizado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e pela Unesp de Botucatu foi ainda mais contundente nas conclusões sobre as perdas de reações vacinais nos bovinos. “O resultado da reação vacinal alcançou o valor máximo de 6,5 kg por animal, considerando 1,65% de lesões em relação ao peso vivo e pré-jejum”, concluiu o estudo. Em valores da época (2013), foram identificadas perdas de até R$ 50,00 por animal devido às reações vacinais – a arroba do boi gordo estava em R$ 115,00 naquele momento. Extrapolando para o atual patamar da cotação da arroba, os prejuízos com o uso de vacinas de má qualidade ou procedimentos inadequados no momento da aplicação podem superar R$ 60,00 por animal.

O Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS), por exemplo, considera como um manejo inadequado concentrar os animais presos por um período muito longo de tempo. A carga gerada de estresse prejudica a resposta imunológica da vacina. A troca de agulhas a cada dez lotes de animais vacinados também ajuda a evitar contaminações.

*Juliana é médica-veterinária e gerente do Departamento Técnico da Vencofarma - setec@vencofarma.com.br

** Larissa é médica-veterinária e trainee do Departamento Técnico da Vencofarma - setec3@vencofarma.com.br


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