Confinador

 

CONFINAMENTO: ESCOLHA OU EXIGÊNCIA

Atualmente, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) tem identificadas por volta de 1.400 unidades de confinamento, entre pequenos, médios e grandes produtores. Boa parte dessas unidades de engorda estão inseridas em fazendas de produção extensivas e servem como opção estratégica para os produtores rurais no Brasil.

De forma geral, 90% dos confinamentos mapeados podem ser caracterizados como estratégicos, ligados fortemente a sistemas de produção de ciclo completo e/ou recria – engorda. As propriedades restantes, 10%, podem ser denominadas como unidades de negócio. Nesse grupo, estão os confinamentos médios e grandes, que oferecem possibilidade de parceria ou execução do modelo de boitel para produtores que não possuem estrutura física para realização de uma engorda intensiva.

Entretanto, é importante ressaltar que essa divisão não é matemática. Confinamentos pequenos também podem trabalhar com sistemas de parceria, boitel ou compra de gado e assim como os grandes confinamentos muitas vezes produzem animais próprios como parte de sua safra.

Embora existam propriedades com sistemas de terminação em confinamento de Norte a Sul do País, existem algumas condições que impactam fortemente o resultado dessa atividade: disponibilidade de animais, fonte de insumos para nutrição animal, presença das indústrias frigoríficas e preço de venda. A combinação desses fatores citados é essencial para que o produtor tenha um resultado satisfatório, independentemente do Estado onde esteja localizada sua fazenda.

Entretanto, como produtores distantes de alguns fatores essenciais de produção conseguem bons resultados? A resposta para essa pergunta vem da estratégia que parte deles traçam para conseguir rentabilidade. Entretanto, antes da definição desse planejamento, é necessário responder uma primeira pergunta: realizar o confinamento é uma escolha ou exigência?

Acreditamos que o uso do sistema de confinamento é uma escolha para o produtor, a intensificação é uma exigência, porém, o sistema a ser utilizado dependerá de cada fazenda. Para que possa escolher entre um produto e outro, entre um sistema de produção menos intensivo e o confinamento, o pecuarista deve estar disposto a realizar uma mudança e ela tem muito a ver sobre como ele encara sua fazenda. A pecuária é um negócio de fato, que precisa de investimento, deve dar lucro e está inserido em uma economia de mercado.

Outra consideração muito importante é que o pecuarista deve entender o sistema de confinamento não como uma busca incessante pela intensificação a qualquer custo, mas, assim como qualquer técnica de produção e tecnologia, como uma forma de otimizar o uso de recursos da fazenda, ou seja, chegar ao ponto ótimo de produção com os recursos disponíveis, obtendo a melhor produtividade, rentabilidade e em menor tempo.

Com a estratégia adequada e traçando um planejamento acertado, o produtor terá a confiança necessária para investir e utilizar a tecnologia para produzir mais.

O uso do confinamento tem seus pontos positivos e negativos. Podemos citar a padronização da produção, escala de produção e melhor controle dos processos e da gestão. É no controle do confinamento que observamos o diferencial da fazenda, pois aquilo que não é mensurado não poderá ser gerenciado com eficiência. Ainda há no Brasil muitas propriedades que não acompanham os índices zootécnicos e financeiros corretamente e, além de não conseguirem descobrir sua eficiência técnica e econômica, também ficam expostos às falhas do processo: perdas de insumos, quebra de maquinários e outras fugas de capital imperceptíveis.

Por outro lado, o confinamento pode apresentar custo de produção maior, problemas em produtividade por conta da má capacitação dos funcionários e é um sistema de produção no qual não é possível especular com o produto pronto, ou seja, animal confinado pronto para o abate deve ser vendido.

As ameaças que podem aparecer estão por conta da insegurança jurídica, o uso incorreto do sistema (tecnicamente), além de barreiras técnicas e socioambientais que podem ser utilizadas como argumentos pelos nossos concorrentes.

O estabelecimento de uma estratégia adequada para o uso do confinamento pode resultar em índices bem interessantes. Entretanto, ainda no Brasil temos uma disparidade muito grande de resultados técnicos no uso do sistema, conforme aponta a Tabela 1.

O planejamento do confinamento envolve diversas definições prévias como, por exemplo:
– Insumos para nutrição, de onde virão? A que custo e quais serão esses produtos?
– Produção de volumoso, quanto pode baratear meu custo com a dieta? Tenho área suficiente para produzir? Qual o custo operacional disso? Em teoria, estaríamos produzindo energia na fazenda e mais barata do que a compra de grãos.
– Colaboradores estão preparados para a rotina do dia a dia? Sabem realizar os controles adequados em um confinamento?
– Indústria - tem algum frigorífico em um raio de 300 km da minha fazenda? Tem uma ou mais empresas com as quais eu posso negociar?
– Disponibilidade de animais - vou produzir animais próprios ou terei de comprar ou fechar parcerias? De onde esses animais virão? Qual seria o custo do frete dessa viagem?

Esses e alguns outros são os problemas e as questões que um confinador precisa solucionar antes de construir o primeiro curral de alojamento dos animais ou investir em um maquinário de última geração.

O confinamento não pode ser encarado como uma exigência, pois infelizmente não é possível garantir resultados técnicos e econômicos positivos em todas as diferentes localidades do País, considerando os diferentes perfis de produtores. É possível que a melhor tática para determinadas regiões ou safra seja a utilização do semiconfinamento, que pode propiciar um bom resultado. Pois, ainda assim, esse sistema conseguirá reduzir a idade ao abate, adiantar o faturamento (encurtando o ciclo de produção), exige menos investimentos do que o sistema de confinamento e oferece uma flexibilidade operacional maior do que os sistemas mais intensivos.

Confinamentos identificados pela Assocon

Outra avaliação que pode ser feita é que nesse momento talvez a melhor estratégia seja terminar animais em unidades de engordas já estabelecidas, que podem gerar um resultado técnico e econômico favorável ao produtor, que não dispõe de confinamento. O ano de 2016 caminha para ser difícil em termos de rentabilidade e em um cenário como esse não é admissível ao produtor ficar exposto à ineficiência. Dados levantados pela Assocon apontam um cenário em que a rentabilidade do confinamento pode variar de uma arroba por animal a até um prejuízo de uma arroba por animal, dependendo da compra dos insumos e do nível de produtividade da fazenda.

Se considerarmos que de 80 a 90% do custo operacional total podem estar vinculados a somente dois itens, boi magro e nutrição no confinamento, o erro nesses dois pontos pode levar uma propriedade a um sério prejuízo. Parceria e boitel podem ser uma saída, portanto.

Visão aérea de um confinamento e suas estruturas

A definição da estratégia e do desenvolvimento de um planejamento adequado é fundamental para iniciar um processo que poderá resultar em sucesso. Após isso, o controle e as avaliações dos resultados serão as formas para que seu planejamento esteja sempre alinhado com sua capacidade operacional, com o mercado e que em um próximo ano seja melhor desenvolvido.

Independentemente da técnica de produção utilizada, o pecuarista deve se atentar para:
– produzir mais kg de carcaça por hectare;
– aumentar a taxa de desfrute em sua propriedade;
– elevar o retorno sobre o capital investido e antecipar receitas;
– distribuir sua receita ao longo do ano e ter flexibilidade de comercialização;
– viabilizar o abate de animais mais jovens, com o fim de obter uma carcaça de melhor qualidade;
– reduzir o custo de fornecimento de produção por unidade de energia ou ganho conseguido; e
– aumentar o peso de abate, aproveitar melhor a carcaça do animal que está sendo produzido.

Por fim, uma luz no fim do túnel, com a maior existência de programas de televisão nos quais a comida e a alimentação são os destaques principais, a carne bovina tem tido uma posição diferenciada. Isso tem gerado reflexos interessantíssimos no segmento, como um marketing melhor dos produtos, melhor aproveitamento da carcaça e programas de remuneração satisfatórios.

Todo esse movimento gera um efeito muito bom na produção de animais, dado que a valorização dos bons produtos estimula o produtor a ser mais eficiente. Talvez esteja aí o melhor e mais saudável caminho para uma discussão sobre como classificar a carcaça bovina no País.


Confinadores podem aumentar produção em 2%

De acordo com a pesquisa realizada pela Assocon, os seus associados demonstram que podem aumentar em 2% o volume de gado confinado em relação a 2015, quando foram confinados 731.120 animais. Para 2016, a projeção é de 745.742 cabeças.

“A pesquisa realizada no final de 2015 com confinamentos não associados à Assocon mostrou intenção de queda de 3,52% na produção de animais confinados para 2016. É importante lembrar que essas duas pesquisas foram realizadas com grupos distintos de propriedades”, comenta Bruno Andrade, gerente executivo da Assocon.

A pesquisa com os associados da Assocon foi realizada em março de 2016 e evidenciou a dificuldade do produtor esse ano para cumprir sua meta de confinamento. Embora a expectativa seja de terminar 746 mil animais em 2016, os projetos pecuários analizados contam com apenas 52% dos animais para cumprir essa meta. Os 48% restantes incluem animais que precisam ser comprados, fechados via parceria, boitel ou aguardam definição do produtor em terminá-lo em confinamento ou em outro sistema de produção.

Despesas – O custo de produção da arroba engordada no confinamento em março de 2016 apresentou elevação de 23% em relação a março de 2015. O retorno/animal projetado para o primeiro semestre é negativo, na ordem de 1@ por animal, considerando todos os insumos de produção a preços de mercado.

“A Assocon observa que entre os entrevistados houve importante oscilação em relação à intenção de confinamento para 2016. Algumas propriedades de pequeno porte pretendem dobrar sua produção, entretanto, seu impacto no volume total é limitado”, ressalta Bruno Andrade.