Sobrevoando

TOP

Toninho Carancho
carancho@revistaag.com.br

Estava lembrando esses dias de uma conversa que tive com o Joseph Purgly, ex-diretor da CFM, sábio criador de gado, faz algum tempo.

Ele comentava sobre o núcleo de gado Nelore PO da CFM, que no início dos anos 2000 era de um pouco mais do que 1.000 cabeças e que tinha sido vendido para a Agropecuária Grendene. Dizia ele que esse núcleo tinha uma desvantagem em relação ao restante das fêmeas por necessariamente ter que ser coberto por touros PO ou POI e que naquela época era bastante difícil achar reprodutores, com esse tipo de registro, que se encaixassem no tipo de touro que eles desejavam, ou seja, o touro provado, o touro com DEP’s positivas nas características de produção e reprodução. E dessa forma, dizia ele, a evolução desse núcleo de vacas andava bem mais devagar que o das vacas cara limpa. Achei muito interessante essa conversa, pois o núcleo com mais de 1.000 matrizes me parecia um número bastante alto e não imaginava que a seleção ficasse prejudicada em relação ao outro grupo, de dezenas de milhares de matrizes.

Hoje, os programas de seleção multifazendas possibilitam o comparativo do gado de uma fazenda com o de outra, aumentando consideravelmente o número de animais participantes e pressionando cada vez mais na escolha dos melhores.

Ou seja, a seleção deve ser massal. Quanto mais animais participando, em iguais condições, melhor, mais ganho genético, mais Top serão os melhores e mais se difunde a genética de ponta.

Lembrei-me dessa conversa e assunto porque fui informado que nesta edição da AG teremos uma matéria sobre o Nelore Avaliado, o dito Nelore 3.0.

Esse Nelore avaliado é uma grande fábrica de carne a pasto adaptada à grande parte dos climas e estados brasileiros. Os criadores de Nelore que participam desses programas de melhoramento estão de parabéns, pois fazem o gado de que mais precisamos, embasados em técnica e performance. É a ciência em prol da pecuária e dos pecuaristas.

Lembro de outra ocasião em que vi expostos uns seis touros Nelores lado a lado, todos de uma central de inseminação. Acho que três ou quatro eram os chamados de Nelore de Pista e os outros dois ou três eram dos ditos Nelores Avaliados ou 3.0. Pois bem, os de Pista eram realmente muito bonitos, enormes, altos, compridos, nobres. Já os avaliados não pareciam tão bonitos nem muito menos nobres.

Eram bem mais baixos e um pouco mais curtos, mas curiosamente pesavam praticamente a mesma coisa do que os gigantes. Eles eram mais “caixudos”, tinham mais carcaça, mais costela e também mais musculatura no traseiro. E realmente davam impressão que você poderia comprá-los e soltar no pasto com a vacada, diferente dos outros que pareciam carecer de maiores cuidados.

Quando os animais Top de venda de sêmen começaram a trocar os de Pista pelos Avaliados, a nossa pecuária começou a dar um salto de qualidade irreversível. Hoje, diferente de pouquíssimo tempo atrás, um grande campeão de exposição não é mais garantia de recorde de vendas.

E por falar em Top, aproveitando o gancho, saúdo a chegada do “TOP 100 - Os maiores vendedores de touros do Brasil”, listagem dos maiores vendedores de touros que está sendo feita pela Revista AG, FF Velloso & Dimas Rocha Assessoria Agropecuária e Portal Beef Point. Essa é uma lista que não existe no Brasil e que irá ranquear, por quantidade e não por valores, quem vende mais touros e de que raças, promovendo os criadores de touros em escala comercial, muitas vezes relegados a um segundo plano e que na verdade são os que fazem a pecuária real do nosso dia a dia. Parabéns a todos os participantes, muito sucesso nessa empreitada.