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Braço direito do produtor

O diretor-executivo da Lallemand Brasil, Paulo Soeiro, abre o jogo sobre as ramificações da empresa e a parceria para uma produção de qualidade

Revista AG – Recentemente, o Grupo Lallemand adquiriu o Laboratório Farroupilha, de Patos de Minas/MG, empresa do mercado de biológicos. Portanto, que objetivos estratégicos estão envolvidos com a compra?

Paulo Soeiro - O Grupo Lallemand é composto por diversas empresas dedicadas à produção de bactérias, leveduras e derivados, não apenas para nutrição animal, mas também para diversas outras aplicações como panificação, produção de vinhos, cervejas, álcool, etc. A aquisição do Laboratório Farroupilha, no segmento de proteção de cultivos (Plant Care) tem um aspecto estratégico importante: demonstrar não apenas o potencial do Brasil para a produção de alimentos, como também indicar o caminho a seguir para uma produção baseada em princípios biológicos, o que orienta a companhia em todo o mundo.

“Ainda há muito a se aprender e descobrir nesse mundo dos micro-organismos”

Revista AG – Pesquisas realizadas pela USP e pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) comprovam o benefício da suplementação com selênio orgânico no leite e na saúde dos consumidores. A Lallemand comercializa esse tipo de aditivo nutricional. Porém, como esse produto contribui para melhorar a produtividade do gado?

Paulo Soeiro - Isso é verdade, o benefício da suplementação dos animais com uma associação de selênio orgânico, vitamina E e óleo de girassol foi comprovado em crianças e também foi observado em idosos que receberam o leite de vacas suplementadas. Nosso produto é uma composição de selenometionina e selenocisteína, ou seja, 98% do selênio estão ligados a um aminoácido, o que torna o mineral mais facilmente assimilado pelo animal, passando também para o leite e para a carne. O selênio atua como antioxidante e auxilia a resposta imunológica em bovinos e humanos.

Revista AG – Entre os principais itens para produzir uma silagem de qualidade está a utilização de inoculantes para o controle do pH. Qual produto a companhia oferece ao mercado?

Paulo Soeiro - Consideramos que cada tipo de forragem tem uma formulação para atendê-la, seja para baixar o pH, como foi comentado, ou para uma melhor estabilidade após a abertura do silo e exposição aeróbica. Além disso, sabe-se há alguns anos que determinados micro- -organismos não podem ser usados de maneira geral, em determinados materiais. A silagem de cana-de-açúcar é um exemplo disso. Na maior parte dos casos, o uso de bactérias láticas estritas levou a uma piora da qualidade do material pelo aumento da fermentação alcoólica, trazendo um aumento significativo nas perdas de matéria seca dessa forragem. Além de inoculantes que fazem a correta fermentação, possuímos, em nossa linha, bactérias específicas como o ácido propiônico e o ácido acético, que são potentes controladores de fungos, evitando a deterioração da silagem durante o consumo e, às vezes, se estende por meses.

Revista AG – Um grande desafio do pecuarista é produzir com qualidade sob as condições do clima tropical. Como a companhia desenvolve suas pesquisas para colaborar para esse objetivo do produtor?

Paulo Soeiro - A Lallemand trabalhou em parceria com algumas universidades como a Esalq/USP, para entender melhor como se comportaria a silagem sob o clima tropical, quando lançou o Lalsil Cana. Outro estudo foi para a avaliação de nossa levedura viva para ruminantes (Levucell SC) e seu efeito na digestibilidade de fibra de forragens tropicais, que foi desenvolvido e comprovado em Pirassununga/SP.

Revista AG – Por falar em qualidade, é imprescindível que uma empresa de renome ofereça um suporte técnico especializado. De que maneira a Lallemand atua dentro da porteira para assegurar ao produtor eficiência na aplicação dos produtos?

Paulo Soeiro - Fazemos uso de diferentes ferramentas para demonstrar o valor da utilização de nossos produtos, sendo nossa equipe responsável para traduzir isso aos nossos clientes no dia a dia. Dentre as ferramentas, aplicamos uma avaliação completa do material ensilado e através dos dados inseridos no programa (CSI – Corn Silage Investigation), temos uma análise das características e dos riscos a que o material ensilado está submetido.

Revista AG – O que a empresa espera para os próximos anos no Brasil e quais lançamentos devem surgir na linha de bovinos?

Paulo Soeiro - Vamos continuar investindo em opções naturais para a produção de bovinos. Sejam novos produtos ou novas aplicações. Ainda há muito a se aprender e descobrir nesse mundo dos micro-organismos. Acho que a inovação não representa somente novos produtos para os mercados existentes, pode ser também o uso de produtos já existentes para aplicação em novos mercados.