Sobrevoando

Quilos

Estive sobrevoando por aí e encontrei muita gente com saudades do tempo em que se pesava os bois na fazenda, por quilo, e se pagava na hora o fazendeiro. Tem gente que ainda consegue vender a boiada assim, mas pelo que tenho acompanhado, são cada vez mais raros esses casos.

Já faz um tempo que o “moderno” é levar a boiada para ser pesada no frigorífico “a rendimento”, ou seja, o frigorífico pesa o boi, mata, descasca, tira a cabeça, as patas, o bucho, os miúdos e sei lá mais o que, faz um toalete (tira as graxas extras e contusões) e daí pesa as duas metades de carne e ossos, a dita carcaça. O rendimento de carcaça é o seu percentual em relação ao peso total do boi (ou da vaca). Então, o frigorífico multiplica o valor do dia da arroba (15 quilos de carne) para se ter o valor total do animal. Isso todo mundo sabe e não tem novidade nenhuma.

Porém, o que muita gente tem reclamado é que, no frigir dos ovos, tem recebido menos do que receberia se vendesse do “modo antigo”, ou seja, pesando em quilos na fazenda.

Teoricamente, vender a rendimento é um ótimo negócio para quem tem boiada pesada e principalmente bem acabada, com alto percentual de rendimento de carcaça. Em contrapartida, quem tem bois menos acabados deve tomar pau nesse sistema, o que parece justo. Animal bem acabado ganha mais; mal acabado ganha menos. Isso sem falar nas vantagens que algumas raças/frigoríficos oferecem com bonificações extras.

Porém, o que temos escutado por aí é uma reclamação de que os toaletes têm sido muito exagerados, que os pesos são inferiores ao que deveriam ser, que os rendimentos são mais baixos do que o fazendeiro acha que deveriam ser e que, por fim, o valor recebido é menor do que deveria ser. Também descontos extras por lesões e prenhezes têm sido reclamação corrente entre os fazendeiros.

Não sei o que é real nem o que é choro, mas que podem e devem existir problemas nessas relações de pecuaristas com frigoríficos, isso é certo.

Por isso, tenho visto que quando os fazendeiros têm um frigorífico de confiança, onde entregam sempre o seu gado, esse tipo de problema tende a diminuir ou até desaparecer. E muitas vezes começa a aparecer a vantagem desse sistema, que é valorizar o bom produto e, por sua vez, o bom fazendeiro. Pese o gado na fazenda, acompanhe algumas matanças e entenda melhor como funcionam os descontos. Faça um relacionamento mais próximo com o frigorífico, e troque se for preciso (espero que você esteja em um local onde tenha mais de um). Enfim, fiscalize e acompanhe o seu gado, pois é nessa hora que você vai colher os resultados de muito tempo de trabalho e dedicação e é quando você não pode abrir mão de receber o valor justo pelo seu produto.

Para ilustrar essa conversa, já faz muito tempo, fui vender umas vacas para outro comprador que não o nosso tradicional, pois esse novo estava oferecendo um valor a rendimento que parecia mais interessante financeiramente. Naquela época, vendíamos as vacas gordas sempre pesadas na fazenda, nada dessa coisa de rendimento. Pois bem, quando embarcamos as vacas, nosso capataz disse: Seu Carancho, aposto que depois de todo esse serviço (de receber a rendimento) vão nos pagar um Real por quilo (faz tempo isso), que era um pouco menos do que recebíamos pelas vendas feitas na fazenda. E dito e feito, foi exatamente o que aconteceu, milagrosamente, o valor deu exato R$ 1,00 por quilo vivo, isso depois de todos os cálculos de rendimento, descontos, etc. Perdemos dinheiro e a conta ficou muito suspeita.

Ou seja, não é que o sistema não seja bom, mas o frigorífico tem de ser parceiro, realmente.


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