Brasil de A a Z

 Tá na cria? Eficiência reprodutiva é prioridade

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, 2016 começou nervoso, as trapalhadas na política continuam e os números divulgados da economia brasileira são de deixar o cidadão trabalhador indignado. Além de tudo isso, nós que trabalhamos no campo estamos lidando ainda com a estação das águas apresentando chuvas irregulares, distribuídas de forma maluca pelo País.

Pois é, mas o agronegócio não para. A estação de monta em bovinos de corte já terminou para alguns rebanhos que atendemos, outros estão chegando na reta final. Não se pode titubear nessa fase determinante para o sucesso da atividade, decisiva para a colheita da próxima safra, afinal temos que fazer nascerem bezerros!

Do ponto de vista financeiro, a característica mais importante a ser selecionada no gado de corte é a fertilidade, apontada por pesquisadores norte-americanos como sendo pelo menos cinco vezes mais importante do que as características de crescimento (ganho em peso) e dez vezes mais importante que características de qualidade de carcaça. Bom, mas o que se pode fazer para obtenção de melhores resultados em prenhezes?

Primeiro, tem de ter disponibilidade de alimento, manejo sanitário rigoroso e uma boa equipe na fazenda para manejar as matrizes e os touros. Caso se faça inseminação artificial (IA), inseminação artificial em tempo fixo (IATF), transferência de embriões de fertilização in vitro (FIV) ou transferência de embriões em tempo fixo (TETF), a contratação de profissionais competentes é fundamental.

Seleção por fertilidade nas matrizes é essencial e, para isso, é necessário que seja definida uma estação de monta. Só medindo podemos selecionar, e essa história de touro o ano inteiro com a vacada, além de não permitir a identificação das matrizes mais eficientes, dá uma boa bagunçada na fazenda.

Definir uma estação adequada é importante, e implementá-la de forma gradativa também é determinante para não se perder produção. Particularmente, me agrada a estação de 120 dias, pois caso tenhamos a possibilidade de selecionar entre as vacas cheias, podemos ter como um dos critérios as de prenhez mais adiantada, do início de estação, ao invés de forçar a redução da estação. No caso de vacada comercial, me parece que descartar as vacas vazias e repor com novinhas prenhes é uma boa opção. A estratégia é muito particular.

A pressão de seleção por fertilidade vai depender do estágio em que se encontra o projeto da fazenda: rebanho em crescimento, estabilizado ou em processo de redução, e também da variação do ambiente no ano anterior, durante a última estação de monta. Por exemplo, mudança de fazenda ou seca muito severa são desculpas mais compreensíveis das primíparas.

A pressão de seleção mínima da mínima a ser feita é descartar as vacas falhadas da estação anterior, e vazias novamente. Depois, descartar vacas que não produzem dois bezerros a cada três anos, o passo seguinte é eliminar todas as vazias – com exceção dos indivíduos que tenham uma boa justificativa para permanecerem. Já em um estágio mais avançado, existem rebanhos estabilizados em número que descartam as vacas prenhes no final da estação normal.

Mas precisamos estar conscientes que também tem muita coisa mal feita, como rebanhos PO (puros de origem) que não fazem nem a seleção básica por eficiência reprodutiva, muitas vezes multiplicando por FIV a genética de uma vaca que não emprenha naturalmente. Nesse caso, a seleção acaba sendo inversa, negativa para a fertilidade. Adequar o tamanho ou frame size da matriz à disponibilidade alimentar na fazenda também é fundamental para se obter melhores resultados de prenhez. Selecionar reprodutores e o próprio rebanho de matrizes conjugando avaliações genéticas, DEPs de perímetro escrotal, stayability, prenhez precoce e idade ao primeiro parto é uma maneira de acelerar o processo.

Caso você não colete dados para ter todas essas informações, compre touros ou sêmen de reprodutores com boas informações. Esse é um caminho fácil de promover melhoramento para fertilidade em seu rebanho. Se ainda adotar mais algumas práticas básicas de estação de monta, descarte das vacas vazias e também daquelas que desmamam bezerros fracos, está implementado um programa simples e eficiente de seleção. Um arroz com feijão bem feito pode ser mais eficiente do que muito projeto cheio de firula, mas sem pragmatismo, sem foco!

É, amigos, sei que esta estação monta já era. Fica a dica para o planejamento da próxima, neste ano, e essa conversa sobre seleção vai longe, mas por hoje o recado está dado: mexa o doce na fazenda e faça nascer bezerros, lembrando que, na seleção, nada é mais importante que fertilidade.

Grande abraço, e até mês que vem quando continuaremos a falar sobre seleção de gado de corte.


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