Sala de Ordenha

 

No momento, movimento de baixa perde força

Considerando a média nacional, o preço do leite ao produtor teve ligeira alta (0,1%) no pagamento de dezembro de 2015, referente ao leite entregue em novembro. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$ 0,960 por litro.

O preço médio em 2015, sem considerar o leite entregue em dezembro (pagamento em janeiro de 2016), foi de 0,948 por litro, uma queda de 2,1% frente ao mesmo período do ano passado, em valores nominais. Corrigindo pelo IGP-DI, a diferença é de 8,0%.

Houve queda dos preços do leite na Região Sudeste e no Brasil Central, mas os recuos foram amenizados pelas falta de chuvas em algumas áreas, o que tem interferido nas pastagens e na produção de leite.

Na Região Sul, por sua vez, os preços subiram no Rio Grande do Sul e no Paraná e ficou praticamente estável (queda de 0,05%) em Santa Catarina.

Cabe destacar que o custo de produção em alta e as margens mais apertadas para o produtor têm diminuído os investimentos e gastos na atividade leiteira, o que limita o crescimento da produção.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em novembro, a produção, considerando a média nacional, aumentou 0,2% na comparação com o mês anterior.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) em R$/litro, valores nominais

Para dezembro, o aumento previsto é de 0,4% na captação (dados parciais), em relação a novembro último.

Para o pagamento de janeiro de 2016 (produção de dezembro de Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria 2015), 76% dos laticínios pesquisados acreditam em manutenção dos preços do leite ao produtor, 17% falam em quedas e os 7% restante estimam alta para o produtor. No curto e médio prazos, o movimento de alta deverá perder força.

Em janeiro, deve ocorrer o pico de produção de leite no Brasil Central e na Região Sudeste. A partir daí, a expectativa é de queda na produção, o que deve dar sustentação às cotações do leite e derivados em todos os elos da cadeia.

Do lado do consumo, espera-se melhora a partir de fevereiro, com o final das festas e férias, mas de qualquer maneira 2016 ainda será um ano de demanda interna patinando.

Por fim, do lado dos custos de produção, os alimentos concentrados continuam pesando mais no bolso do pecuarista. Destacamos a forte alta do milho em janeiro de 2016, em função das exportações brasileiras aquecidas. Em São Paulo, o cereal está custando 58,6% mais, em relação ao mesmo período de 2015.

Planejamento, gestão e estratégia de compra de insumos serão essenciais para o sucesso da atividade, diante das margens mais apertadas.

A sugestão é cautela e acompanhamento do mercado e fatores que podem interferir no mercado de leite e custos de produção, como o câmbio, por exemplo.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria