Brasil de A a Z

Tempo é dinheiro! Genômica, um caminho sem volta.

 

William Koury Filho É zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Amigos da lida, 2016 começou para valer! Firmamos o corpo e mesmo com toda a trapalhada na política do País, o campo não para. O grosso dos nascimentos de bezerros está chegando ao final e a estação de monta também caminha para o fim nos primeiros meses do ano.

O ano começa e com ele as avaliações de sobreano, momento de iniciar a seleção dos touros jovens, que serão a geração mais recente a trabalhar na estação de monta no segundo semestre. É também mais uma oportunidade para seleção das novilhas de reposição.

Os instrumentos para seleção dos zebuínos têm evoluído muito nos últimos anos. O olho continua sendo essencial e são vários os programas de melhoramento que podem ser utilizados, gerando DEPs cada vez com mais qualidade e confiabilidade, e ainda temos a tal da genômica! Pois é, então vamos falar um pouco dessa poderosa ferramenta, pouco conhecida por muitos e reverenciada por outros.

Para falar em genômica, precisamos primeiro lembrar o conceito de DEP – Diferença Esperada na Progênie. DEP é o valor do gameta médio. Caramba, mas o que é isso?

Bem, vamos recordar como os gametas (espermatozoides e óvulos) se formam do ponto de vista genético: com base na segregação mendeliana, lembrem que os pais, touro e vaca, são diploides - e que a estrutura de DNA é uma fita dupla helicoidal, sendo que o genoma bovino possui aproximadamente 3 bilhões de unidades de informação ou pares de bases do DNA e pelo menos 22 mil genes.

Pois bem. No momento da formação dos gametas, os pares de bases A e B, por exemplo, segregam aleatoriamente (segregação mendeliana), podendo ir a base A ou B para o gameta (haploide – uma fita) gerando uma combinação única.

Nos acasalamentos, quando há fecundação, os gametas masculino e feminino se unem, gerando um produto (bezerro), que irá se desenvolver, sendo que se for para um lote com o mesmo tratamento, fará parte de um grupo de contemporâneos. Quando temos um embrião, já temos a estimativa do valor genético do futuro produto pela DEP de pedigree, estimada basicamente pelas informações das avaliações dos pais e demais parentes.

Conforme o desenvolvimento do animal, as estimativas de valor genético ganham acurácia através das mensurações de pesos, perímetro escrotal, escores visuais, mensurações de ultrassonografia, etc., compondo a chamada DEP interina, que utiliza a diferença do indivíduo com relação à média do grupo de contemporâneos, e roda a análise de um grande conjunto de dados em uma complexa modelagem estatística. A DEP de progênie é a mais confiável, pois utiliza todas as informações anteriores, mais as informações dos produtos.

Atualmente, além de todas as informações citadas anteriormente, ainda temos a possibilidade de utilizar informações moleculares para estimar as DEPs genômicas, o que nos possibilita ter um garrote, por exemplo, com a mesma acurácia de um touro com aproximadamente 17 filhos avaliados. Ou seja, podemos antecipar a seleção de animais jovens com muito mais confiabilidade!

Vale lembrar que o ganho genético de um rebanho está diretamente relacionado ao intervalo entre gerações.

As informações moleculares “dizem” se aquele produto deu mais sorte ou mais azar na segregação mendeliana, diretamente pela leitura do DNA para marcadores expressivos do ponto de vista econômico.

Claro que em uma coluna curta e direcionada para um público mais amplo, não dá para ser tão científico e dar uma explicação maior de um assunto tão complexo, portanto, o objetivo aqui é dar um recado simples: a ciência evolui constantemente e utilizar as ferramentas mais atuais de maneira inteligente é o caminho certo para estar à frente, em uma época em que o dinamismo é fundamental. Lembremos que tempo é dinheiro.

É, amigos, a genômica e sua evolução como ferramenta para seleção de zebuínos não é a solução para todos os nossos problemas, mas podem ter a certeza de que é um caminho sem volta para progredirmos na eficiência do processo de seleção para inúmeras características de relevância econômica. Tenham um grande ano!