Manejo Racional

 

Bem-estar animal e o manejo diário

Existem ferramentas que podem ser utilizadas para evitar excessos no controle sanitário

Eduardo Ichikawa* e Luciano Rodrigues**

Hoje, o bem-estar animal possui grande relevância quando o assunto é o manejo de animais de produção, inclusive, sendo elevado ao patamar de ciência. Três são os seus elementos fundamentais: o funcionamento adequado do organismo, o que, entre outros fatores, inclui que estejam saudáveis e bem alimentados; o estado emocional, incluindo a ausência de sentimentos negativos como dor e medo crônico; e a possibilidade de expressar determinados comportamentos específicos inerentes a cada espécie.

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde Animal considera que um animal encontra-se em um estado satisfatório de bem-estar quando o mesmo está saudável, confortável, bem alimentado, expressando comportamento inato e sem sofrer dor, medo ou estresse. Esses são os denominados cinco princípios básicos do bem-estar animal. A partir desses conceitos práticos e teóricos foram criadas as técnicas de manejo racional, que visam ajudar a manejar o gado de forma inteligente.

Curral gera grandes desgastes para homens e animais de duas a quatro vezes no ano

Ou seja, de forma a respeitar as características individuais da espécie bovina, como visão, olfato, audição e comportamento gregário, para que os níveis de estresse sejam os menores possíveis e a lida com o gado seja calma, rápida, efetiva e sem riscos de acidentes, ora para os animais, ora aos vaqueiros. Um bom exemplo de pontos críticos são o transporte, a vacinação e a condução até o curral. Sabemos que esses manejos são momentos muito difíceis dentro de uma fazenda, quando diversos acidentes podem ocorrer e os níveis de estresse chegarem a picos alarmantes.

Dessa forma, treinamentos práticos para os vaqueiros são de grande valia para a diminuição de acidentes tanto para homens quanto para animais, obtenção de agilidade no trabalho e melhorias na qualidade de carne e de carcaça. É oportuno ressaltar que, apesar de crítica, a ida ao centro de manejo, a vacinação e o transporte ocorrem poucas vezes. Um animal de corte criado extensivamente irá ser manejado em média duas a quatro vezes por ano em um curral. Entretanto, é importante lembrar da necessidade de cuidados no trato cotidiano, no pasto, momento no qual a sanidade tem participação especial.

No manejo convencional, a carga de estresse é muita alta, assim como é elevado o risco de lesões

Diariamente, poderá haver a necessidade de cura de umbigo de um bezerro recém-nascido, aplicações de antibióticos ou anti-inflamatórios e tratamento de miíases (bicheiras), ações nas quais os vaqueiros, muitas vezes, utilizam-se de laços para conter os animais. Como os bovinos apresentam um comportamento gregário - vivem em grupos –, eles sofrem grandes cargas de estresse quando as zonas de fuga deles são invadidas por boiadeiros em busca de um animal ou outro que precisa ser medicado.

Dentre as atividades do dia a dia, quando falamos de sanidade, a necessidade de curar bicheiras é a necessidade mais frequente. No manejo convencional, o indivíduo acometido é contido com o uso de laços, na maioria das vezes, por dois vaqueiros ou então o lote é conduzido a um curral. Essa conduta apresenta certas falhas como maior demora no tratamento, riscos de acidentes com vaqueiros, cavalos e bovinos, alto nível de estresse e, por consequência, perdas na produtividade do rebanho.

É nesse ponto que algumas mudanças no manejo sanitário podem fazer a diferença. Atualmente, existem diversas ferramentas que podem ser utilizadas para evitar excessos. Um exemplo é o uso de mata-bicheira, que dispensa o uso de laço e a contenção dos animais. Outras formas disponíveis são o uso de anti-inflamatórios e antibióticos de amplo espectro, com rápida ação e dosagem única.

Como vimos, muitos são os desafios do manejo diário, mas, com o uso de soluções adequadas, consegue-se agilidade, segurança dos vaqueiros e obtém-se uma melhoria na produtividade da fazenda, aliando tudo isso ao bem-estar animal.

*Eduardo Ichikawa é gerente-técnico de Bovinos da Bayer Saúde Animal
**Luciano Rodrigues é gerente de Produtos de Corte da Bayer Saúde Animal