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Cai preço ao produtor

O preço do leite ao produtor caiu 0,9% no pagamento de setembro, referente à produção de agosto, pondo fim ao movimento de alta que perdurou nos últimos seis meses.

Considerando a média nacional, o produtor recebeu R$ 0,969 por litro. Em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI, a queda é de 9,4% neste ano, em relação ao mesmo período de 2014.

A produção de leite aumentou nas principais bacias leiteiras do Sudeste e do Centro-Oeste. Na Região Sul, o volume captado também foi maior em agosto e setembro.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em agosto, a produção, considerando a média nacional, aumentou 2,1%, frente a julho. Para setembro, é esperado aumento de 1,7% na captação de leite (dados parciais).

Além disso, a demanda por lácteos está patinando em 2015 e a expectativa é de um consumo mais fraco no final de ano, com as férias e festas.

Para o pagamento de outubro (produção de setembro), 53% dos laticínios pesquisados no País acreditam em queda de preços, 30% em manutenção e os 17% restantes falam em alta nas cotações (basicamente Nordeste).

Para o pagamento de novembro (produção de outubro), a pressão de baixa ganha força no Brasil Central e na Região Sudeste, mas a intensidade das quedas dependerá da retomada das chuvas e da recuperação das pastagens.

No mercado spot, os preços caíram em setembro e outubro, corroborando com o cenário de maior oferta de leite.

QUEDA NAS IMPORTAÇÕES
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em agosto, o Brasil importou US$ 28,1 milhões em produtos lácteos. Na comparação com julho deste ano, as compras diminuíram 14,4%.

O produto mais importado foi o leite em pó, que somou 6,7 mil toneladas e US$ 13,3 milhões em agosto. Tanto o faturamento como o volume, em agosto, foram os menores do ano.

Os principais fornecedores dos produtos lácteos para o Brasil, em valor, foram a Argentina (45,9%), o Uruguai (40,2%) e os Estados Unidos (4,5%).

Na comparação com igual período do ano passado, o Brasil reduziu as importações em 25,6%, considerando os gastos, e aumentou 0,6% considerando o volume.

Do lado das exportações, em agosto, o Brasil embarcou US$ 36,4 milhões em produtos lácteos. Na comparação com julho, o faturamento caiu 17,7%.

O produto mais exportado foi o leite em pó, que somou 7 mil toneladas e US$ 34,5 milhões em faturamento, em agosto.

Os principais compradores dos produtos lácteos brasileiros, em valor, foram a Venezuela e a Angola, na sequência de importância.

A Rússia voltou a importar produtos lácteos do Brasil neste mês (principalmente queijos, manteiga e leite em pó), totalizando US$ 266,1 mil e 58,8 toneladas.

O mês de agosto ficou com a balança comercial brasileira negativa, com US$ 20,37 milhões de déficit.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista
Scot Consultoria