Mercado

 

Atenção na sanidade

O bom desempenho do rebanho deve-se à soma de vários fatores, como melhoramento genético, nutrição e manejo. Entre as práticas de manejo, uma das mais importantes é a que trata da sanidade animal. A saúde animal adequada garante uma oferta de alimentos originários da cadeia pecuária segura e confiável. A adoção de um programa de controle sanitário bem planejado, dentro das normas fixadas pelos órgãos competentes, é imprescindível para se conseguir boa produtividade e qualidade do rebanho.

Estamos nos aproximando da segunda campanha de vacinação anual contra febre aftosa, que começa em novembro, e da vacinação contra raiva, que é obrigatória apenas em algumas regiões. O produtor deverá estar atento ao calendário de vacinação estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo que os calendários das demais imunizações são estipulados conforme as Secretarias Estaduais de Agricultura.

Para obter um manejo eficiente, o ideal é a adoção de um cronograma para cada propriedade, pois, assim, o produtor consegue trabalhar o controle preventivo de doenças, além de ministrar as vacinas e a vermifugação de acordo com o período determinado para aplicação. O manejo eficiente também envolve as boas práticas de vacinação, que consistem em: aquisição de vacinas somente em lojas autorizadas, estar atento à temperatura e ao armazenamento do produto, fazer a troca da agulha e a limpeza da seringa, usar brete de contenção para não machucar o animal, aplicar a vacina na tábua do pescoço do animal, etc. Enfim, é preciso ter atenção em todo o processo de vacinação.

O Brasil deu um grande avanço na imunização contra a febre aftosa, através das campanhas de vacinação muito bem sucedidas. Atualmente, as Regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e Sul do país são livres da doença com vacinação. Na Região Sul, o estado de Santa Catarina obteve, em 2007, o status de livre de febre aftosa sem vacinação. Roraima, Amazonas e Amapá ainda não possuem o status de livre de aftosa com vacinação.

O Brasil ocupa um lugar de destaque como grande exportador mundial de carne bovina. Daí se enfatiza a importância do país em seguir com rigor as questões sanitárias, que são exigências dos principais mercados importadores, como Europa, China e Estados Unidos. Diante da importância do país como grande produtor e exportador, é fundamental a segurança alimentar e adequação das questões sanitárias para oferecer produtos de qualidade, tanto para o mercado interno quanto para o externo. É preciso erradicar as doenças e quebrar as barreiras que impendem a comercialização da carne brasileira no exterior.

O Brasil ocupa o ranking de primeiro exportador de carne bovina do mundo desde 2008 e tem como desafio ampliar seu mercado e atender parte da demanda mundial por proteína animal. O país conquistou mercados importantes, como o norte-americano, que servirá de modelo para a abertura de outros mercados potenciais, como o Japão. Porém, esses mercados são extremamente exigentes em relação a normas sanitárias, principalmente quando se trata da febre aftosa. Apesar do avanço na erradicação da doença, não há espaço para descanso, e o Brasil ainda tem de avançar muito no status sanitário, pois ainda temos estados com risco desconhecido de febre aftosa.

Outro ponto a ser melhorado é a produtividade que, embora venha crescendo muito, ainda está abaixo do potencial. Para promover o avanço do Brasil, nesse quesito, é necessário aumentar a taxa de lotação, investindo na qualidade das pastagens. O cuidado necessário com o pasto envolve vários fatores, desde a escolha da forrageira até a adequada fertilidade do solo e o correto manejo do pasto. Esses aspectos devem estar de acordo com as caraterísticas do ambiente e com os objetivos a serem alcançados pelo produtor.

Apesar da consolidação da pecuária brasileira no mercado internacional, estamos desafios. O mercado interno da carne bovina não dá sinais de crescimento, pois o consumo ainda permanece baixo. Diante desse quadro, houve dificuldade para o escoamento da produção, fazendo com que muitas indústrias encerrassem ou reduzissem as atividades. Enquanto o mercado doméstico não melhora, as expectativas recaem sobre as exportações. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), as exportações brasileiras ampliaram o faturamento, atingindo US$ 507,4 milhões no mês de agosto.

Dos principais países importadores (União Europeia, Egito, China e Rússia), o destaque foi para a Europa, que ocupa o primeiro lugar nesse ranking, com 11.233,20 toneladas importadas, totalizando um faturamento de US$ 71 milhões. A segunda colocação ficou com Egito, com 18.058,55 toneladas, seguido da Rússia, com 14.426,80 toneladas, e China, com 12.728,31 toneladas.

Ainda sobre o mercado internacional da carne bovina, não foram confirmadas as exportações para o mercado norte-americano neste ano, pois isso dependerá da realização de missão técnica dos Estados Unidos ao Brasil. Quanto à exportação de carne termoprocessada para o mercado japonês, o Mapa está respondendo aos questionamentos do MHLW (Ministry of Health, Labor and Welfare), Ministério da Saúde do Japão, e há a expectativa de que seja realizada missão técnica em outubro, pois há interesse de ambos os lados em finalizar as negociações até dezembro, quando ocorrerá visita da presidente do Brasil àquele país.

O quadro “Boi Gordo no Mundo” apresenta o valor médio da arroba do boi gordo no período compreendido entre 13 de agosto e 14 de setembro de 2015 nos principais países produtores: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Entre os países citados, o preço da arroba valorizou apenas na Austrália e na Argentina.

A queda no consumo doméstico de carne bovina permanece acentuada, sendo que a diminuição do consumo é reflexo das condições econômicas desfavoráveis que o País enfrenta. Aumento do desemprego, redução do poder de compra, inflação e, principalmente, o valor “salgado” da carne bovina, tem feito os consumidores reduzirem o consumo e/ou optar por outras proteínas, como a carne de frango, que tem o preço mais acessível frente à carne bovina.

Apesar da demanda fraca internamente, o valor da arroba segue sustentado, pois a oferta de animais para abate ainda não é significativa a ponto de derrubar a cotação. Além disso, a valorização do dólar e o avanço das exportações têm favorecido a indústria, mantendo a arroba com preços firmes, porém, com altas moderadas. A média paga pela arroba do boi gordo, tomando como referência o estado de São Paulo, girava em torno de R$ 129,00 em setembro de 2013. Já a média paga em agosto deste ano está em R$ 143,25 (à vista).

O gráfico “Evolução do Preço da Arroba do Boi Gordo” analisa a evolução do preço em alguns estados. Na primeira quinzena de agosto, o Boi Gordo valorizou nas principais praças produtoras e manteve-se estável no Paraná e em Santa Catarina. A referência para SP registrou média de R$ 142,14 (à vista), durante o período de 13/08 a 14/09; em MG, R$ 134,90; em GO, R$ 130,11; no MS, R$ 134,45; no MT, R$ 126,25; no PA, R$ 124,42; no PR, R$ 148,05; e no RS, R$ 144,24.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 13/08 a 14/09/2015, observamos que a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,6%.

O mercado de reposição apresentou queda nas principais praças produtoras, no período de 13/08 a 14/09/2015. Apenas Minas Gerais e Pará apresentaram alta no preço do bezerro, cuja média em Minas foi de R$ 1.053,18 e no PA, de R$ 1.014,55. Já nas demais praças, o bezerro desvalorizou, registrando média de R$ 1.262,73 para os paulistas. Em GO, a média paga foi de R$ 1.188,64; no MS, R$ 1.219,55; no MT, R$ 1.121,82; no PR, R$ 1.233,18; e no RS, R$ 1.064,55.

A média paga pelo boi magro também recuou, sendo cotado em SP a R$ 1.643,64; em MG, a R$ 1.432,73; em GO, a R$ 1.489,47; no MS, a R$ 1.594,09; no MT, a R$ 1.472,73; no PA, a R$ 1.367,27; no PR, a R$ 1.649,55; e no RS, a R$ 1.826,96. A menor negociação no mercado de reposição se dá devido à escassa oferta de pastagem nesta época do ano. Assim, o produtor tem esperado o período de chuvas para fazer a reposição.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 1,89. Para boi magro/ boi gordo, ficou em 1,19.

Enfim, a pecuária trilha um caminho certo, rumo à sustentabilidade sem redução da produtividade. Nos últimos anos, a atividade deu um salto no uso de tecnologias, investindo em melhoramento genético, implantação de integração lavoura-pecuária e inseminação artificial em tempo fixo, cuidado e manejo das pastagens. O perfil dos produtores também mudou; está mais profissional, mais conhecedor do setor e atento à gestão. O aumento mundial no consumo de carne abre muitas oportunidades ao Brasil, pois o país tem potencial em suprir parte dessa demanda, mas ainda é preciso aumentar a produtividade e fazer os devidos ajustes no controle sanitário.

Antony Sewell e Rita Marquete Boviplan Consultoria