Sala de Ordenha

 

Pressão de alta deve perder força

Mais um mês de alta de preço do leite. Considerando a média nacional, a cotação subiu 1,6% em julho, referente à produção entregue em junho.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$ 0,965 por litro. O preço do leite subiu 9,1% desde fevereiro, mas ainda assim está 2,5% abaixo do registrado em igual período do ano passado.

O tom do mercado no curto prazo é de estabilidade nos preços aos produtores, mas não estão descartados ligeiros aumentos em agosto. Alguns pontos importantes:
– No mercado spot, os preços médios em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul caíram em julho e agosto, e a expectativa é de que os preços continuem frouxos. A procura no mercado spot diminuiu.
– É importante destacar, porém, que as chuvas na Região Sul prejudicaram a coleta de leite. Prejudicaram também o desenvolvimento das pastagens de inverno, afetando negativamente a produção de leite no final de junho e julho. Informações do Conseleite/RS apontam para queda de 8% a 10% no volume produzido em julho.
– Este cenário poderá sustentar o mercado em curto prazo, já que a oferta de leite deverá ser menor que a esperada para o período. O pico de produção no estado (RS) é normalmente em agosto/setembro.

Segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, em junho, a produção, considerando a média nacional, subiu 1,8%, em relação a maio. Para julho, os dados parciais apontam para aumento de 1%.

Para o pagamento de agosto (produção de julho), 27% dos laticínios pesquisados acreditam em alta de preços, 59% em manutenção e os 14% restantes falam em queda nas cotações.

Nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a maior parte dos laticínios estima estabilidade dos preços ao produtor em agosto.

Para o pagamento de setembro (produção de agosto), o número de laticínios está falando em estabilidade maior.

Mercado internacional

No dia 18 de agosto, a plataforma Global Dairy Trade (GDT) realizou o leilão de número 146, com os produtos lácteos cotados, em média, em US$ 1.974,00 por tonelada.

Na ocasião, foram comercializados 36,90 mil toneladas, um decréscimo de 20,7% frente ao leilão anterior; e queda de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O leite em pó foi negociado, em média, por US$ 1.856,00, alta de 16,7% na comparação com o evento da quinzena anterior e queda de 33,8% na variação anual.

O leilão realizado no início de agosto atingiu US$ 1.590,00 para o leite em pó integral e US$ 1.419,00 para o leite em pó desnatado, menores preços desde julho de 2008, data inicial do histórico da plataforma GDT.

Principais causas da crise

Os altos estoques da China reduziram significativamente as importações de lácteos. Em 2014, foram importados 671 mil toneladas de leite pó integral e 253 mil toneladas de leite em pó desnatado.

Os altos estoques da China reduziram significativamente as importações de lácteos. Em 2014, foram importados 671 mil toneladas de leite pó integral e 253 mil toneladas de leite em pó desnatado.

Outro fator que reforça o cenário de maior oferta internacional foram os embargos que a Rússia impôs aos produtos lácteos e a outros alimentos dos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Noruega e Austrália.

Isso ocorreu em agosto de 2014, após o apoio desses países às sanções impostas ao governo russo pela invasão da Crimeia.

Ao mesmo tempo, importantes países exportadores aumentaram a produção. Os Estados Unidos e a União Europeia estão em plena safra.

Diante disso, a expectativa é que a pressão de baixa sobre o preço internacional permanecerá em curto e médio prazos. Uma recuperação mais forte dos preços é esperada para o primeiro semestre de 2016.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria