Caindo na Braquiária

 

Elucubrações pecuarísticas

Quanta notícia desanimadora: queda acentuada no mercado de ações, levando as bolsas a resultados negativos por vários dias; valorização do dólar no mundo e acentuada baixa do preço do barril de petróleo. Só eu mesmo para achar que pode ser bom para a pecuária de corte.

Considero-me um cara otimista por natureza, pois para quem já viveu com a arroba valendo US$ 17,00 e não viu a pecuária acabar, tudo o que vier pela frente deve ser visto, na minha opinião, pelo ângulo positivo.

Vejo que a atual crise global, pasmem, poderia ser encarada positivamente para nosso setor pecuário, podendo forçar os consumidores e produtores a mudar hábitos adquiridos em tempos pós-descoberta do petróleo, produto que alterou a matriz econômica mundial desde o início do século XIX, quando a exploração e a industrialização de transformação se profissionalizaram.

Além do petróleo, outro fator que vem mudando nosso humor é o mercado de ações, sendo esse primordial para as empresas que ali disponibilizam papéis, obtendo de forma oficial aportes significativos de capital, a fim de ampliar investimentos, sendo, por esse prisma, de suma importância na geração de novos empregos, formando aí um ciclo virtuoso.

Sem fazer tábula rasa do conglomerado “Petróleo”, o mais importante produto da era moderna, sabemos que o impacto desse fóssil como combustível e sobretudo de seus derivados nos custos de vida de diversos países é relevante, onde poderíamos ver a queda dos preços do barril de “ouro negro” como um acontecimento positivo para esses países altamente dependentes de importação.

Deixe-me esclarecer tal tese (puxo todas as brasas possíveis da fogueira para nossa sardinha, a Pecuária), a qual tem boas chances de se tornar realidade se soubermos explorar esses mercados consumidores de nossa carne com um plano ministerial através de mais adidos bem alocados.

Seja para aquecer as casas, movimentar automóveis ou mesmo no consumo de derivados, o petróleo é peça fundamental no resultado da balança comercial da maioria dos países não produtores e exportadores. Quem são os maiores importadores de petróleo do planeta? São os USA, China, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Holanda, Coreia, Índia, Itália, Canadá. Percebam que nenhum desses países consome nossa carne in natura ou o faz em volumes poucos significativos, podendo, agora, com o menor preço do barril, melhorar suas balanças comerciais, deslocando mais recursos na importação de carne bovina e outros produtos de necessidade básica, ou seja, alimento.

Não podemos ainda nos esquecer do impacto negativo que a derrubada dos preços do petróleo causara no setor sucroenergético, inviabilizando a produção de etanol. Acredita-se que o barril pode chegar a US$ 15,00 até 2016, solapando todo e qualquer projeto de biocombustível existente na face da terra. É nesse momento que a exploração desses solos altamente férteis usados para plantio de cana tornam-se viáveis no sentido da produção de alimentos, sabendo que hoje o complexo soja deixa margem de até cinco vezes (37,6%) maior que a da cana (6,7%), de acordo com pesquisa da FNP, consultoria realizada na região de Dourados.

Novamente vou exagerar. Se a soja voltar para as regiões agora tomadas pela cana, como vem ocorrendo no estado de São Paulo, em municípios como Monte Aprazível e Araçatuba, temos a real possibilidade da implementação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o que aumentaria a renda do produtor em até cinco vezes, criando mais uma demanda para a recria e a engorda na pecuária de corte.

Outra questão que pode influenciar no aumento dos investimentos em terras e pecuária pelo baixo risco apresentado aos investidores é a perda consecutiva dos investidores na bolsa, levando-os a repensar sobre a alocação de recursos, podendo haver uma guinada com o aumento da procura por terras e gado.

Pode parecer loucura, mas se o dinheiro fosse seu, você compraria ações ou terra e gado? É para pensarmos.

Alexandre Zadra - Zootecnista
zadra@crigenetica.com.br