Caprinovinocultura

 

Instalações também definem rentabilidade

Descuido com as estruturas de manejo podem ter impacto sobre os resultados da criação de ovinos

Denise Saueressig
denise@revistaag.com.br

Cuidados com a nutrição e a sanidade do rebanho devem vir acompanhados de atenção às condições e à estrutura em que os animais são abrigados na propriedade. São aspectos que, quando avaliados em conjunto, podem ter efeitos positivos ou negativos sobre a rentabilidade da criação.

Tanto o sub quanto o superdimensionamento de instalações podem impactar negativamente a eficiência econômica de uma operação, observa o veterinário Daniel de Araújo Souza, consultor da Prime ASC. “No primeiro caso, no qual a infraestrutura não condiz com o tamanho dos lotes ou do rebanho ou com as necessidades operacionais, há efeitos significativos sobre os animais devido ao estresse, sobre a resposta biológica do rebanho às tecnologias de produção e práticas de manejo, e sobre a eficiência operacional na execução de tarefas por parte dos funcionários, por exemplo”, cita.

No segundo caso, em que a infraestrutura supera as reais necessidades operacionais do rebanho e da propriedade, ocorre a imobilização de um volume elevado de capital em instalações e benfeitorias que serão subutilizadas e que deverão ser remuneradas.

O bem-estar animal também tem efeito sobre os retornos econômicos esperados com a atividade. Souza ressalta que instalações bem desenhadas e dimensionadas permitem a oferta de condições de salubridade, conforto, segurança e de atendimento das necessidades alimentares, comportamentais e sociais do rebanho, otimizando a performance dos animais e, consequentemente, a produtividade do sistema. “São definições que reduzem situações de estresse relacionadas a acidentes, lesões, falta de espaço físico, restrições nutricionais e competição, e ainda influenciam na qualidade do produto final por viabilizar a manutenção de um estado de homeostasia ou higidez orgânica o que, por sua vez, garante as condições necessárias para a obtenção de uma carcaça sem lesões e bem acabada, de uma carne de alta qualidade e de reprodutores e matrizes em plenas condições de serviço”, declara.

Boas instalações ainda possibilitam a execução satisfatória de práticas rotineiras de manejo, como suplementação mineral, fornecimento de água, limpeza e desinfecção, controle parasitário, avaliação da condição corporal e coleta de dados, além de colaborarem para a implementação de tecnologias como o pastejo sob lotação rotacionada, creep feeding, adubação mecanizada e terminação em confinamento.

Planejamento

A forma de organização do rebanho e a escala de produção estão entre os principais aspectos que precisam ser considerados pelo criador que pretende planejar ou reformar as estruturas da propriedade. São fatores que ajudam a definir instalações como centro de manejo, confinamento e galpões de armazenamento.

Análises equivocadas nessas etapas podem ter consequências negativas sobre a organização e acomodação dos animais. Entre os problemas identificados pelo consultor Daniel Souza está a construção de instalações sem nenhuma referência técnica quanto às demandas do rebanho em relação à área, ao espaço de cocho, à água ou sombra; e o uso de materiais de alto custo ou inapropriados para esse fim.

Boas instalações possibilitam a execução satisfatória de práticas rotineiras de manejo, como suplementação mineral, fornecimento de água e limpeza

Em operações bem organizadas, a separação das diversas categorias animais ocorre, principalmente, em função do ciclo produtivo e da fase fisiológica em que se encontra determinado animal. “Isso envolve etapas cruciais do ciclo produtivo como estação de monta, estação de parição, desmama, recria e terminação, assim como fases fisiológicas como reprodução, lactação e crescimento. Em cada uma dessas etapas, os animais apresentam necessidades diferentes, ou seja, é preciso trabalhar de forma específica”, detalha.

A construção de um galpão ou aprisco só se justifica em regiões onde a manutenção em tempo integral do rebanho a campo é um fator de risco à sua integridade física ou sanitária. “Pode ser pela ocorrência de predação, de abigeato ou pela vigência por longos períodos de condições climáticas muito desafiadoras, com alta pluviosidade, quedas acentuadas de temperatura, nevascas ou geadas. Nessas situações, e em rebanhos pequenos a médios, um galpão pode ser uma alternativa viável de abrigo para turnos do dia ou períodos do ano pouco favoráveis”, avalia Souza.

O especialista ainda lembra que, no caso de ovelhas em gestação, é essencial fazer com que as fêmeas cheguem ao parto com boas reservas, o que significa um escore de condição corporal entre 3 e 3,5. “Essa simples medida tem um enorme impacto sobre o crescimento fetal, a produção de colostro e leite, o peso ao nascimento dos cordeiros, ligação materno-filial e a resistência desses animais a condições climáticas mais rigorosas”, conclui.

Quando houver estrutura de confinamento, é primordial atentar para um bom corredor de alimentação e para uma linha de cocho muito bem construída, de forma a permitir um sistema eficiente de fornecimento de ração e de monitoramento e remoção de sobras. “Por esses mesmos motivos é desejável que o confinamento esteja localizado próximo à área de armazenamento e processamento de alimentos, bem como ao centro de manejo, para facilitar o monitoramento do desempenho dos animais e permitir a comercialização dos mesmos assim que atingirem o nível de acabamento determinado”, complementa o veterinário.

Considerando que o centro de manejo é a unidade operacional onde são realizados procedimentos como pesagem, formação de lotes, embarque e desembarque, inspeção, identificação, avaliações clínicas, vacinação, tosquia e coleta de dados, é importante que, além de uma estrutura correta, o mesmo seja equipado com uma boa balança e com os materiais mais utilizados, como pistolas dosificadoras, brincadores, tatuadores, seringas, agulhas e tosquiadeiras.