Sobrevoando

 

Clima

Toninho Carancho
carancho@revistaag.com.br

Apecuária e também a agricultura, atividades irmãs, têm como eterno parceiro o clima. Isso as difere das demais atividades urbanas, que pouco ou nada se relacionam ou são afetadas positiva ou negativamente pelo clima.

Na pecuária e na agricultura, praticamente tudo é regido pelo clima e pelas estações climáticas. Planta-se e colhe-se em determinadas épocas por causa dele. Entouram-se as vacas e nascem os bezerros em determinados meses do ano por conta do clima.

Às vezes, o clima ajuda e tudo vai bem. Chove na hora certa, na quantidade certa. A pastagem cresce, os bezerros engordam, os bois ganham peso, as vacas emprenham, tudo é uma beleza.

Mas outras vezes o clima não se comporta da forma que gostamos ou precisamos. Seca, excesso de chuvas, vendavais e outros problemas dos quais todos os produtores rurais estão à mercê.

Muitas vezes, calculamos tudo, como um bom administrador deve fazer: custos de semente, trator, diesel, plantadeira, pulverizador, dessecante, herbicida, adubo, ureia, cercas, custo da mão de obra e tudo mais. Projetamos o que a pastagem ou lavoura pode nos trazer (faturamento), tantos quilos por hectare por mês, tantas cabeças em cada hectare ou quantas sacas e, por fim, em quantos reais devem se transformar os quilos de carne, leite, soja, milho ou o que for. Assim, fazemos um cálculo de viabilidade de determinado plantio e podemos saber se essa é uma operação rentável ou não.

Se isso fosse em uma fábrica ou empresa urbana, provavelmente os cálculos iriam bater mais ou menos certos.

Porém, na pecuária e na agricultura, pode não funcionar exatamente assim, pois temos um “X” extra nessa equação, que é o clima.

Se São Pedro for misericordioso com a gente e resolver fazer a parte dele nos conformes, tudo bem, as coisas vão às mil maravilhas.

Entretanto, se por um acaso ele resolver que não fomos legais, obedientes e comportados, e der uma complicada nas chuvas, seja pela falta ou pelo excesso, adeus tia Chica... não vai ter cálculo que sobreviva ao clima adverso.

Neste momento, estamos vivendo essa situação no Brasil, país de dimensões continentais como todos nós sabemos. Falta de chuvas em alguns estados e regiões e excesso no Sul.

Falta de chuva corriqueira podemos nos prevenir com irrigação, mas chuvas de mais, fica realmente complicado.

Plantar e colher, nem pensar. Trafegar com caminhões em estradas vicinais, internas ou mesmo estaduais e algumas federais, também pode beirar o impossível.

Por estes dias, me disseram que demoraram sete horas para fazer um percurso de caminhão em uma distância de pouco mais de 100 quilômetros. E isso foi no Rio Grande do Sul, não na Amazônia. Também soube que alguns produtores de touros deslocam seus animais uns 15 dias antes do leilão para outra fazenda a fim de evitar qualquer surpresa em relação às chuvas. Caso não o façam, podem ficar com o gado “preso” dentro da fazenda, sem poder levar para lado algum.

Ou seja, pecuária e agricultura são indústrias a céu aberto. Correm riscos extras em comparação a outras indústrias e, portanto, nós produtores, devemos sempre estar preparados. Você já ascendeu uma velinha para São Pedro hoje?