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Convicção em prol dos criadores

O gerente de Produto da Select Sires do Brasil, Felipe Escobar, revela as diretrizes que levaram a empresa a registrar um crescimento de 200% em quatro anos

“A equipe da SSB tem confiança de disponibilizar aos criadores brasileiros o que existe de melhor e mais moderno em genética”

Revista AG – Com aquisição integral da Semeia pela matriz norte-americana Select Sires Inc., em 2011, qual foi o desempenho obtido pela filial brasileira no pós-negociação?

Felipe Escobar – Felizmente, o agronegócio brasileiro vive um excelente momento. A Semeia foi adquirida pela Select Sires por apresentar um modelo de gestão eficiente e um crescimento sólido dentro do Brasil. Esses fundamentos seguem priorizados dentro da gestão atual e temos alcançado um crescimento expressivo de praticamente 200% nesses primeiros quatro anos de Select Sires do Brasil (SSB).

Revista AG – Quais são as raças taurinas e zebuínas que a SSB trabalha e como a qualidade do material genético tem sido avaliada pelos pecuaristas?

Felipe Escobar – Hoje possuímos no portfólio praticamente todas as raças comercializadas no mercado brasileiro, tanto zebuínas e taurinas, bem como as sintéticas. Isso faz parte do projeto de tornar a empresa cada vez mais identificada com o Brasil e valorizar a genética nacional, que em diversas raças já possui indivíduos que seriam importantes em qualquer lugar do mundo. Obviamente, cerca de 80% do mercado da SSB estão divididos entre Holandês, Jersey e Gir, quando falamos em genética leiteira, e, principalmente na raça Angus, quando o assunto é gado de corte.

Revista AG – Quais são os critérios utilizados para a escolha dos reprodutores da bateria de corte?

Felipe Escobar – A seleção dos reprodutores de corte é bastante rígida e deve atender alguns critérios importantes. Em primeiro lugar, o touro deve ser oriundo de um programa de seleção genética bastante confiável, possuir dados de performance (DEPs) entre os TOP da raça, especialmente para facilidade de parto, peso à desmama e ao ano, Área de Olho de Lombo e marmoreio. A linhagem materna também é importante, pois a maioria dos produtos-machos é vendida em no máximo dois anos, enquanto as fêmeas oriundas dessa genética mantêm- -se em produção por 4,5 anos. São essas fêmeas que manterão a produtividade e rentabilidade do criador. Tudo isso associado a um fenótipo que atenda toda a caracterização racial da raça em questão.

Revista AG – A Select Sires Brasil tem a ambiciosa perspectiva de ser a melhor fonte de material genético no País. Mas de que maneira essa ousada meta será alcançada?

Felipe Escobar – É interessante essa pergunta, porque ela está presente em todas as reuniões de planejamento estratégico que temos com a equipe. O famoso investidor Warren Buffet sempre disse que não vale a pena investir em empresas que não estejam entre as líderes de mercado, e esse é um dos nossos objetivos principais. A equipe da SSB tem confiança de disponibilizar aos criadores brasileiros o que existe de melhor e mais moderno em genética associada às melhores tecnologias de congelamento de sêmen. Nosso objetivo é ser líder em genética e fertilidade.

Revista AG – Há novos projetos desenvolvidos pela empresa que deverão ser anunciados em breve?

Felipe Escobar – A SSB tem investido em projetos desde o seu início, em 2011. Já existem vários projetos em andamento e que devem ser anunciados ao final de 2015 e início de 2016, quando estaremos completando cinco anos de empresa própria no Brasil.

Revista AG – A crescente valorização da arroba do boi gordo tem contribuído para o crescimento da empresa?

Felipe Escobar – A valorização do boi gordo injetou um ânimo para o criador investir na atividade. Esse cenário positivo colabora para a percepção de que a genética é um grande aliado no aumento da produtividade dentro da porteira. Além disso, a genética é o único investimento com efeito cumulativo e permanente dentro da fazenda. Os criadores têm percebido isso e levado isso em conta no momento da seleção de qual genética utilizar.

Revista AG – Acredita que o Brasil descobriu no uso correto da genética um rumo para a produção de carne bovina de alta qualidade?

Felipe Escobar – Eu não tenho dúvidas que a genética é o pilar para a produção de carne de qualidade. Felizmente, o criador brasileiro percebeu isso e os programas de carne das associações têm realizado um excelente trabalho em bonificar o produtor que atende esse perfil. Esse foi um passo importante para aumentar a percepção da qualidade da carne brasileira. Acredito que os próximos passos devem ser unificar esforços entre criadores, associações e indústria para comercializarmos nossa carne como produto de qualidade e não como commodity.