O Confinador

 

CONFINAR 2015

De gestão a crescimento econômico, evento trouxe informações inovadoras

Edgar Sperb Justus

Informações técnicas e econômicas, abrangendo os principais temas do segmento pecuário de Mato Grosso do Sul, do Brasil e do mundo, abordando assuntos de todos os elos da cadeia produtiva. Essa é a avaliação do congressista e economista Luiz Eliezer Gama sobre a 4ª edição do Confinar 2015 – Simpósio de confinamento de gado de corte, realizado nos dias 4 e 5 de maio, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.

Para Gama, que participou de três edições do evento, as informações sobre gestão nas propriedades rurais no setor pecuário foram as que mais surpreenderam positivamente. “Eu não tinha ainda ideia de como esse tema influencia no desenvolvimento do setor. Na palestra de Marcelo Cabral, conheci as dificuldades que os produtores rurais têm de reter os talentos no campo”, destacou.

Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Oscar Stuhrk, o evento, que contou com a participação de mais de mil pessoas, entre produtores rurais, estudantes e profissionais da área, foi um sucesso e apresentou projeções a curto, médio e longo prazos para a atividade. “Os organizadores do evento mais uma vez acertaram a mão e trouxeram um simpósio com informações de grande interesse. Exemplo disso foi a palestra do economista Alexandre Mendonça de Barros, que falou sobre o câmbio e suas influência no mercado bovino”, destacou Stuhrk.

Segundo o dirigente, em sua avaliação, o confinamento passará por mais um momento de alta devido aos preços competitivos do milho. “Apesar disso, nosso setor ainda não está no patamar ideal. Vendemos hoje a carne bovina a uma média de R$ 8 o quilo, enquanto que o certo seria uma negociação na casa dos R$ 13 o quilo”, avalia.

De acordo com Nilton Pickler, presidente da Famasul, uma das entidades apoiadoras do simpósio, eventos como o Confinar reforçam o desempenho dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul e o trabalho em prol do desenvolvimento do setor. “A tecnologia e o acesso às informações são peças fundamentais para que o desenvolvimento da pecuária sul- -mato-grossense. Hoje, nosso Estado tem o terceiro maior rebanho do Brasil e o reconhecimento internacional da qualidade da nossa carne”.

A quarta edição destacou-se como um dos principais eventos sobre pecuária de corte de Mato Grosso do Sul e do Brasil. O Confinar contou com mais dez apresentações com temas que abordaram desde legislação, custo e oportunidades até a importância da profissionalização no agronegócio.

Dezessete empresas e instituições do Brasil e de Mato Grosso do Sul apoiaram na realização. Entre elas, o Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), a Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), o Senar/MS (Serviço de Aprendizagem Rural), o MNP (Movimento Nacional de Produtores), o Sindicato Rural de Campo Grande, entre outros.

O objetivo principal do simpósio é fornecer ao pecuarista uma série de novas informações por intermédio das opiniões dos melhores analistas e dos dados dos principais pesquisadores do setor para aumentar a rentabilidade do negócio.

Pesquisa americana
O professor João Vendramini abordou durante o Confinar 2015 uma pesquisa sobre suplementação em pastos de baixa qualidade, tomando como referência trabalho desenvolvido nos Estados Unidos.

Durante sua palestra, Vendramini mostrou que os resultados obtidos em solo americano podem também serem obtidos aqui no Brasil. “Os dados que mostrei são aplicáveis aqui, pois são conduzidos com vacas de corte em pastagens de gramíneas tropicais com baixa qualidade, muito semelhante às condições do Brasil e também do Mato Grosso do Sul”, ressaltou.

Segundo o pesquisador brasileiro, a suplementação é realizada em vacas de corte e influencia o trabalho desenvolvido em confinamentos. “Os dados são sobre suplementação a pasto, que indiretamente afeta o suprimento de animais de qualidade para o confinamento”, esclarece.

Três panoramas distintos foram apresentados no evento: as realidades brasileira, australiana e americana. “A palestra teve uma introdução abordando similaridades e diferenças de produção a pasto no Brasil, na Austrália e nos Estados Unidos, filosofia de sistemas de produção de gado de corte a pasto, sistemas extensivo e intensivo, seguido de opções e impacto em sistemas de produção de bezerros a pasto”.

Para Carlos Gattass, sócio-diretor da Rural Centro, empresa organizadora do evento, trazer o especialista foi enriquecedor, considerando que os produtores rurais dos Estados Unidos já identificaram a viabilidade da suplementação da vaca em pasto com resultados técnicos e financeiros. “Essa necessidade de produzir mais e aproveitar o mercado, onde é urgentemente necessária a disponibilidade de bezerros, já é perceptível essa intensificação de produção”.

Na avaliação de Gattass, o resultado visto no país americano é totalmente adaptável ao Mato Grosso do Sul. “A alta rentabilidade obtida com a agricultura em nosso Estado, com o cultivo de eucalipto e com a cana-de-açúcar, fez com que essas atividades avançassem para as áreas antes ocupadas com a produção de pecuária de corte que, por sua vez, direcionou-se a regiões com solo de menor qualidade”.

Gattass explica que foi o que aconteceu com os produtores que passaram a criar gado no Pantanal. “Esses criadores saíram de um pasto de formação, de alta qualidade, para um campo nativo e, com isso, viram que o índice de natalidade caiu de 75% para 45%”. Segundo Gattass, a suplementação das vacas em áreas de pasto com baixa qualidade é uma alternativa viável a ser adotada pelos criadores do Estado.

Vendramini é agrônomo, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com PhD em Gestão de Forragem pelo Departamento de Agronomia da Universidade da Flórida, onde leciona atualmente como professor associado.

Gestão
O planejamento nutricional permite um bom retorno financeiro caso seja feito adequadamente. A afirmação é do zootecnista Ulisses Minozzo, que ministrou uma palestra sobre o tema durante o Confinar 2015.

O planejamento compreende o período que vai do desmame até a fase de terminação ao abate. “Consiste na definição estratégica do manejo e nutricional, levando em conta o custo, o preço da arroba do boi gordo no período, a condição de pastagem, a disponibilidade de insumos e matéria-prima e o desempenho que queremos obter”, ressalta.

Em relação ao retorno financeiro, o especialista abordou as estratégias que podem ser adotadas. “Hoje o custo de produção é muito caro e por isso temos de tomar algumas atitudes que façam com que os gastos se diluam durante o período de recria. Uma alternativa é uma suplementação de alto consumo, que considera 3 gramas de sal para cada quilo do peso vivo do animal”.

A suplementação é uma ferramenta para suprir os nutrientes mais limitantes ao desempenho animal e pode minimizar as perdas de peso. Para o especialista, as medidas visam ao custo competitivo do setor.

“O produtor que participou da minha palestra aprendeu como fazer para reduzir os custos na reposição e maximizar os lucros com o confinamento”, destaca Minozzo, que é também especialista em Nutrição Animal pela Esalq.