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PROMEBO: a pecuária de resultados

ANC atualiza avaliadores quanto ao Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne

Erick Henrique erick@revistaag.com.br

Tem-se falado muito sobre a pecuária moderna e seus benefícios ao bolso do pecuarista. De fato, esse tema é recorrente nas fazendas para que os criadores possam aplicar toda a tecnologia disponível atualmente. Ferramentas inovadoras surgem aos montes, mas uma em especial já completou 40 anos no desenvolvimento genético das diversas raças de corte de origem europeia no Brasil: o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).

O programa amparado pela Associação Nacional de Criadores “Herd-Book Collares” (ANC) é aberto a rebanhos puros de origem, puros controlados ou cruzamentos controlados que forneçam base para o sucesso econômico na multiplicação genética ou na produção de carne bovina. O Promebo permite ao usuário avaliar o progresso produtivo do plantel e ainda oferece a oportunidade de comparação com os demais integrantes do programa, bem como com as demais raças taurinas.

Assim, o pecuarista pode direcionar os acasalamentos, classificar os indivíduos, descartar aqueles inferiores, avaliar tendências e fazer a melhor escolha na hora de aperfeiçoar o plantel. Ou seja, o programa é um mecanismo em prol da saúde financeira da fazenda, já que ao traçar estratégia para obtenção dos resultados positivos, os índices produtivos aumentam e o ganho genético aparece a cada geração.

Para mostrar o conceito desse trabalho e os resultados obtidos, a ANC realizou, nos dias 7 a 9 de maio, o Curso de Credenciamento de Avaliadores Técnicos Promebo, na cidade de Pelotas/ RS. O evento contou com a participação de produtores, técnicos e estudantes de diferentes localidades, como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Rio Grande do Sul e até mesmo do Uruguai.

Participantes tiveram treinamento prático de avaliação dos escores

O curso foi dividido em duas etapas: a parte teórica foi realizada no primeiro dia, no auditório da Associação dos Engenheiros-Agrônomos de Pelotas (Aeapel). Após as boas-vindas de Mário Ubirajara Rota Anselmi, presidente da ANC; Flávio Montenegro Alves, vice-presidente da instituição, recebeu a palavra para discorrer sobre os benefícios do Promebo a campo.

As palestras abordaram temas como “Tópicos sobre melhoramento genético” e “Critérios de Seleção, Interpretação e uso das DEPs”, entre outros, com o objetivo de apresentar as ferramentas necessárias para a condução de um programa de avaliação genética, iniciando com os requisitos para uma correta avaliação a campo e terminando na interpretação dos relatórios gerados com base nessas avaliações.

Ainda no primeiro dia, os participantes aprenderam mais sobre as raças Aberdeen Angus, Hereford, Braford e Charolês, com a ajuda dos técnicos da ANC, além do selecionador André Corrêa Berta, que transmitiu aos presentes o conhecimento adquirido em mais de 20 anos de seleção na raça charolesa.

Com todo o embasamento teórico previamente oferecido, o passo seguinte foi dedicado às atividades práticas, com início na Fazenda Invernada, em Camaquã/RS, sede da cabanha Charolês Figueira. Os participantes tiveram a oportunidade de realizar avaliações a campo em fêmeas de sobreano, pontuando para os escores visuais de Conformação, Precocidade, Musculatura, Tamanho (CPMT), Tamanho de Prepúcio/Umbigo (U), Pelame (PL) e Racial (R).

À tarde, a prática foi na Fazenda Santa Tereza, criatório das raças Hereford e Braford, pertencente à Sucessão Dario Silva Azambuja. No local, os participantes seguiram com o treinamento prático de avaliação dos escores dos bezerros desmamados dos taurinos de origem inglesa.

Já no último dia, foi a vez de avaliar animais da raça Aberdeen Angus, na Baraúna Agropastoril, em São Lourenço do Sul/RS, também para avaliar terneiros desmamados e, diferentemente das práticas realizadas no dia anterior, cada participante pôde pontuar os escores visuais individualmente.

Para a Diretoria da ANC, o saldo do evento foi positivo, conforme descreve o presidente, Mário Ubirajara Rota Anselmi: “o curso foi válido, pois demonstrou a necessidade de realizarmos mais eventos desse tipo, em função da grande procura de criadores e interessados. Outro ponto importante foi a intensa participação de jovens (criadores e estudantes), demonstrando o interesse em aprender e continuar o trabalho já realizado nas propriedades usuárias do Promebo”.

Segundo Alves, a iniciativa atingiu o objetivo de realizar um curso com atividades práticas abordando grande parte das raças que o Promebo atende. “O foco do curso foi qualificar os avaliadores que atuam a campo e, para isso, foram apresentados os pré-requisitos para a realização de avaliações e as consequências de interpretações mal realizadas”, explica o técnico de campo.

Diretor da entidade e também avaliador de animais, Gustavo Brusque Isaacsson, reitera as palavras de Alves, frisando que o encontro, certamente, foi o primeiro de muitos que serão realizados com a meta de aprofundar os conhecimentos na direção desejada. “A grande participação de produtores no curso demonstra o desejo de realizar um trabalho sintonizado desde o campo até as ponderações finais, nas quais, efetivamente, serão obtidos os resultados corretos e lucrativos”, comemora Isaacsson.

Caso os leitores da Revista AG queiram conhecer mais sobre o Promebo, basta acessar o site www.promebo.com. br. Lá tem a história do programa, bem como os sumários de touros 2011/2012 até 2014/2015, com informações das raças Angus, Brangus, Hereford, Devon, Charolês, Braford e Shorthorn.

Há um material completo e instrutivo com a Diferença Esperada na Progênie (DEP) de ganho de peso do nascimento à desmama, musculatura na desmama, ganho de peso da desmama ao sobreano, precocidade no sobreano, musculatura no sobreano, conformação, tamanho e perímetro escrotal.

Há também as características complementares: escore de pelame, relacionado à resistência climática, ao carrapato, medidas de carcaça via ultrassom, espessura de gordura subcutânea e a sempre relevante área de olho de lombo. De acordo com os organizadores do programa, o criador terá à disposição ferramentas para seleção de touros pais e vacas (através de suas progênies) e de seus produtos – machos candidatos a touro e novilhas para reposição.