Pastagem

 

Paredão contra cigarrinhas

Pecuaristas contam com novas cultivares mais resistentes à praga

Adilson Rodrigues
adilson@revistaag.com.br

Lançadas em abril, mas disponíveis comercialmente apenas a partir de outubro, as novas cultivares MG 12 Panicum Paredão e MG 13 Brachiaria Braúna prometem ajudar o pecuarista a manter boa produtividade do pasto mesmo sob o ataque de cigarrinhas. A primeira é um Panicum maximum, indicado para bovinos na fase de engorda, e a segunda é uma Brachiaria brizantha, recomendada para cria e recria, por apresentar talos mais finos.

Ensaios realizados em casa de vegetação demonstraram que a MG 12 Paredão não é atacada por Notozulia entreriana e Deois flavopicta devido à presença de joçal na base das plantas, cuja pelugem característica apresenta uma verdadeira barreira contra o avanço dos insetos, bem como uma antibiose natural à infestação de Mahanarva fimbriolata, a cigarrinha-vermelha da cana-de-açúcar.

A MG 13 Braúna não apresenta tanta resistência às espécies citadas da praga, mas nos mesmos testes a pastagem apresentou sintomas mais brandos do que os que poderiam ser apresentados em brachiarias não melhoradas, no caso das cigarrinhas das pastagens. Já com a cigarrinha da cana-de açúcar, os ataques foram mais severos, amarelando e secando as plantas. A boa notícia é que a nova forragem não morre e se recupera rapidamente, segundo constatação feita em pasto implantado na região do Guaporé, no estado do Mato Grosso.

Homenagem a Nelson Pineda, falecido mentor da Fazenda Paredão, a MG 14 é um capim mais alto, chega a atingir 1,80 m de altura; e possui sistema radicular profundo, penetrando a 1,70 metro, favorecendo a absorção de água e nutrientes. Produz 35 toneladas de matéria seca por hectare e tem uma digestibilidade acima de 55%. Aguenta o pastejo de 5,7 UA/ha nas chuvas e 3,1 UA/ha na seca.

Um pouco menor, com 90 cm de altura e 1,10 m de raízes, os grandes diferenciais da MG Braúna são a maior proporção folha-talo e a tolerância aos veranicos, muitas vezes mais prejudiciais que a própria seca. Além disso, 40% da produção ocorrem no período do ano de maior restrição. Essa variedade suporta 2,45 UA/ha nas águas e 1,9 UA/ha na seca. Os dois lançamentos pertencem ao Grupo Matsuda, que programa ainda para setembro o anúncio de uma humidícola capaz de tolerar três meses de alagamento.