Sobrevoando

 

Charola

Toninho Carancho - carancho@revistaag.com.br

Fiquei sabendo que nesta edição da Revista AG irão fazer reportagem sobre a raça Charolesa, o que me entusiasmou a engrossar o coro e dar meu depoimento pessoal sobre esse gado tão importante para todos nós.

Charolês para os leigos, Charola para os íntimos. Essa raça francesa é considerada uma das quatro grandes raças europeias (contando as continentais e britânicas) do mundo, junto com o Angus, Hereford e o Simental, está disseminada por todos os cantos do planeta e é nossa velha conhecida aqui no Brasil.

Nos estados do Sul, ela já dominou e branqueou os rebanhos nos anos 1970, 80 e 90, produzindo muito gado pesado e com pouca gordura.

Nas exposições de Esteio e em várias outras, o Charola era a maioria do gado exposto, grande, imponente, pesado. Qualquer novo criador que fosse entrar na pecuária entrava para o Charolês. Era o gado da moda no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Depois dessa época, veio a decadência, junto com todas as raças continentais, das quais cito as com maior importância, Simental, Limousin e Marchigiana. Foi a época da “revanche” do gado zebuíno. O gado cruzado virou “tucura” e por um breve período de tempo, o cruzamento ficou em baixa.

O gado zebuíno, tendo o Nelore como o seu maior exemplo, é predominante em quase todo o Brasil e sua importância é total e sem ele não seria possível ter a pecuária que fazemos hoje, tanto em quantidade quanto em qualidade, só para deixar registrado.

Depois, o cruzamento retornou com força total, porém, com outras raças no cenário, as britânicas com maior ênfase no Angus e, agora, com alguma coisa de Hereford e suas respectivas sintéticas Brangus e Braford e também algo de raças novas como o Senepol, Montana e Bonsmara (e alguma outra raça que posso ter me esquecido).

Porém, o Charola sobrevive e se adapta.

Os criadores remanescentes, aqueles que realmente conhecem e sabem do potencial do Charolês, o ajustaram para os novos tempos e diminuíram um pouco o seu frame, encurtando as patas, aumentando o arqueamento de costelas, cuidando dos pesos ao nascer e, portanto, a facilidade de parto, e também aumentando o leite para os bezerros, entre outras características. Assim, hoje o Charola moderno está muito bem capacitado para entrar em sistemas de cruzamento, agregando o que ele tem de melhor, o ganho de peso.

Ao meu ver, esse é o grande diferencial do Charolês, ele é muito pesado. Os criadores estão de parabéns, perseveraram e com certeza irão colher os frutos do seu trabalho e dedicação a essa raça tão especial, que pode ajudar muito o Brasil a produzir ainda mais arrobas com a mesma quantidade de gado.

Se você quer por peso no seu gado, cruze com o Charola. No caso das fêmeas, vários criadores que fazem cruzamentos com Angus e também com outras raças não têm ficado com as meio-sangue, que, em muitos casos, considero um erro, pois as meio-sangue britânicas são excelentes mães. Agora, se você acha que a fêmea meio-angue Charolês pode ficar grande demais para você ficar com ela, faça como a maioria, mata todas e põe o dinheiro no bolso.

Mas, se você é um dos que têm fêmeas meio-sangue Angus (ou Hereford, ou Senepol, ou Montana), recomendo o cruzamento terminal com o Charolês. Vai colocar peso bruto na bezerrada, sem perder qualidade de carne, além de agregar rendimento de carcaça.

No caso de confinamentos, um tricross, 50% Charolês, 25% Angus (ou outras raças) e 25% Nelore me parece o boi ou novilha ideal. Vai ser bem pesado, ainda bem precoce, gordo na medida certa e com ótimo rendimento de carcaça, além de produzir carne de alta qualidade.

Façam esse gado, tenho a impressão que é isso o que muitos confinadores estão esperando.