Mercado

  

Momento de cautela

Muitas expectativas e inquietações assolam o cenário econômico brasileiro. Indicadores apontam para um baixo crescimento econômico, aumento dos juros e da inflação. Outro problema é a falta de confiança, fazendo com que os investimentos sejam reduzidos. Enfim, este deverá ser um ano difícil, com muitos desafios e ajustes.

Diante desse clima nada animador, é melhor ficar atento a tudo: alerta geral para todos os setores, incluindo a pecuária. Apesar de 2014 ter sido um ano favorável para o setor, o pecuarista não pode respirar tranquilo, pois muitos fatores ainda são preocupantes, tais como um possível aumento do custo de produção e a desvalorização da moeda, sem contar com os fatores que não podemos controlar, como o clima e os preços dos insumos, por exemplo.

Sem dúvida, o agronegócio é uma das principais locomotivas da economia brasileira, com grande potencial de expansão e promoção do crescimento econômico do país. Em 2014, o PIB do agronegócio cresceu 3,8%, representando ¼ do PIB nacional. Esse desempenho expressivo também é refletido na geração de empregos, sendo um dos setores que mais empregam. Devido à sua importância e ao peso que representa, faz-se necessário um olhar mais atento para o setor, promovendo mais incentivos e investimentos. Na verdade, o que se espera é que sejam cumpridas todas as promessas feitas pelo governo eleito, a fim de impulsionar o agronegócio nos próximos anos.

O Brasil tem potencial para ser o maior produtor de alimentos do mundo, com clima diversificado, terras produtivas e tecnologia; assim, poderá se tornar uma referência futura na produção sustentável de alimentos. No mesmo sentido, a pecuária nacional tem se transformando ao longo dos anos em uma atividade moderna, eficiente e competitiva. No entanto, apesar dos avanços do setor, ainda há muito o que fazer. Existe dificuldade na contratação de mão de obra qualificada e na obtenção de incentivos para mais investimentos em tecnologia, o que permitiria avançar mais em produtividade. Enfim, os caminhos a serem percorridos ainda são longos e o futuro precisa ser construído com muito trabalho e dedicação.

No mercado interno da carne bovina, a oferta de animais para abate ainda é restrita, mas as vendas permanecem em ritmo lento. O preço da arroba recuou em algumas praças, como em MG, onde a média da arroba negociada para os últimos 21 dias foi de R$ 134,21 (à vista); em GO, o valor foi de R$ 135,48 à vista, e no PA, R$ 123,80, também à vista. A referência para o estado de São Paulo foi de R$ 143,60 à vista para o mesmo período.

Analisando o quadro “Boi Gordo no Mundo”, no período de 16/01 a 13/02/2015, as cotações da arroba do boi gordo apresentaram baixas no Brasil, sendo que a média registrada para o período descrito anteriormente foi de US$ 53,78, redução de 0,44% em comparação à análise do período anterior. Nos Estados Unidos, também houve redução de 0,22%, com a arroba sendo negociada a US$ 95,51. Já na Argentina e na Austrália, houve valorização com a arroba subindo para US$ 60,64 e US$ 48,98, respectivamente.

Ainda no cenário internacional, as exportações de carne bovina registraram queda. Essa baixa ocorreu em função da retração do mercado russo que, devido à crise, reduziu os embarques. A Rússia vem enfrentando sérios problemas econômicos, como desvalorização da moeda e aumento da inflação; com isso, a economia daquele país caminha em direção ao retrocesso. Se por um lado as sanções russas aos produtos europeus e americanos favoreceram o Brasil, por outro, esta crise está causando a redução nas exportações, pois, com a retração da economia, o poder de compra dos consumidores fica menor. O mercado russo já sente o reflexo negativo, principalmente no aumento dos preços dos alimentos.

No entanto, as cotas de importação foram divididas entre as empresas importadoras no fim de janeiro; logo, é esperada a recuperação das vendas para o mercado russo. Apesar da retração nas exportações, o Brasil mantém-se como o maior exportador de carne bovina do mundo, tendo parcerias com mercados importantes como Hong Kong, Rússia, Venezuela e Egito. A Rússia é um dos maiores compradores da carne bovina brasileira, ficando atrás apenas de Hong Kong, que, no acumulado do ano de 2014, importou 399.973,89 toneladas. A Rússia vem a seguir, com 314.672,41 toneladas.

A perspectiva de abertura de novos mercados mantém-se firme e deve ocorrer ainda no primeiro semestre do ano. É esperada a abertura do mercado americano para carne in natura, assim como a retomada definitiva da exportação para China, Arábia Saudita e Japão.

Gráfico 1 - Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 16/01 a 13/02/2015:

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), foi confirmada a visita do Ministro da Pecuária de Mianmar e sua delegação ao Brasil, em abril de 2015, a fim de negociar a abertura do mercado daquele país para a carne bovina brasileira. A missão deverá conhecer o sistema brasileiro de produção e atestar a segurança do setor da carne bovina brasileira.

O gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado, compreendido entre os dias 16/01 e 13/02/2015, mostra a evolução dos preços da arroba pagos a prazo nas diferentes regiões. O preço da arroba apresentou queda nas principais praças pesquisadas, mas é observável que em alguma delas a arroba recuperou-se logo no início de fevereiro. Devido à queda do consumo interno, os frigoríficos tentam pressionar, oferecendo menor preço pela carne.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 16/01 e 13/02/2015, observa-se que a média do deságio pago aos pecuaristas entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias) foi de 1,31%.

Gráfico 2 - Relação de troca média - 16/01 a 13/02/2015:

A alta no preço do bezerro aconteceu em todas as praças produtoras, no período de 16/01 a 13/02/2015. No estado de SP, o preço médio do bezerro está sendo negociado a R$ 1.187,67/cab; em MG, o bezerro passou a valer R$ 964,29/cab; em GO, R$ 1.199,05/cab; no MS, R$ 1.194,76/cab; no MT, R$ 1.044,76/ cab; no PA, R$ 976,67/cab; no PR, R$ 1.200,95; e no RS, foi para R$ 977,62/cab.

Para o boi magro, a alta também foi geral para o período de 16/01 a 13/02/2015, com a média da categoria sendo negociada no estado de SP a R$ 1.793,33/cab; em MG, a R$ 1.614,76/cab; em GO, a R$ 1.758,10/ cab; no MS, a R$ 1.772,86/cab; no MT, a R$ 1.602,38/cab; no PA, a R$ 1.522,38/cab; no PR, a R$ 1.764,76/ cab; e no RS, a R$ 1.633,81/cab.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,01. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,30, não sofrendo alterações significativas.

Apesar de o cenário econômico brasileiro ser incerto e desafiador, as perspectivas para o mercado da carne bovina permanecem positivas, principalmente no que tange à exportação. Fatores como a abertura de novos mercados, problemas com a produção enfrentados por alguns de nossos concorrentes, como Estados Unidos e Austrália, e a valorização do dólar frente ao real apontam para um crescimento do setor.

Para manter o bom desempenho, a gestão eficiente continua sendo o caminho para a redução de custos e aumento da lucratividade. Diante de um mercado exigente e às vezes incerto não há espaço para erros e descuidos. É preciso gerir de forma adequada o negócio, garantindo qualidade e eficiência.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria


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