Sala de Ordenha

 

Queda na rentabilidade da pecuária leiteira em 2014

Com os preços do leite em patamares historicamente melhores em 2013, houve investimento na atividade. Os reflexos foram sentidos na produção de 2014.

A queda dos preços dos grãos e farelos também colaborou para uma maior produção.

Segundo o Índice Scot Consultoria de Captação de Leite, o volume aumentou 10,2% em 2014, em relação a 2013.

A demanda, por outro lado, não cresceu no mesmo ritmo, o que gerou excedentes e pressionou todos os elos da cadeia.

Em dezembro de 2014, o pecuarista recebeu R$ 0,894 por litro, o menor preço desde abril de 2013. A queda chegou a mais de R$ 0,15 por litro em algumas regiões nos últimos dois pagamentos.

Ou seja, as margens para o pecuarista estreitaram-se. A rentabilidade da atividade diminuiu. A Scot Consultoria calcula todo ano o resultado econômico médio das principais atividades pecuárias e agrícolas.

A rentabilidade média da pecuária leiteira de alta tecnologia foi de 7,9% em 2014, frente a 10,1%, em média, em 2013, uma queda de 2,2 pontos percentuais.

Apesar da queda, o resultado foi positivo, superando os investimentos em cadernetas de poupança e arrendamento para a produção de cana-de-açúcar, por exemplo.

Os números mostram a maior capacidade do produtor que trabalha com aplicação crescente de tecnologia em lidar com cenários de crises e quedas nos preços.

Já a pecuária de leite de baixa tecnologia deu prejuízo. A rentabilidade média foi de -3,8% em 2014, frente a -3% em 2013. Foi a atividade com pior desempenho no ano passado, dentre as analisadas. Veja a figura 1.

Expectativas

O ano é de cautela para o setor de laticínios, considerando o cenário de oferta de leite elevada e aumento dos custos de produção, principalmente com energia elétrica, combustíveis e salários.

Além disso, o desempenho ruim previsto para a economia brasileira deverá afetar diretamente o consumo de lácteos, principalmente os produtos de maior valor agregado.

Com relação aos preços do leite e derivados, o mercado deu sinais de estabilidade no curto prazo, após as fortes quedas nos últimos meses. A produção começou a diminuir nas principais bacias leiteiras e a demanda deve melhorar a partir de março.

Paola Jurca Grigolli, engenheira-agrônoma, e Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria