AG 18 Anos

 

A 18 Anos com o Criador

Adilson Rodrigues
adilson@revistaag.com.br

Parece que foi ontem que a AG nascia entre os poucos títulos especializados em pecuária, isso ainda em março de 1997. Porém, saiba que antes dessa data muita água já havia passado por debaixo dessa ponte. Não é possível falar da Revista AG sem contar um pouco da história da Revista A Granja, também um produto da Editora Centaurus, focado em agricultura, que hoje ainda recebeu a companhia do Usadão, um caderno classificado de máquinas agrícolas, e A Granja Kids, dedicada ao público infantil.arece que foi ontem que a AG nascia entre os poucos títulos especializados em pecuária, isso ainda em março de 1997. Porém, saiba que antes dessa data muita água já havia passado por debaixo dessa ponte. Não é possível falar da Revista AG sem contar um pouco da história da Revista A Granja, também um produto da Editora Centaurus, focado em agricultura, que hoje ainda recebeu a companhia do Usadão, um caderno classificado de máquinas agrícolas, e A Granja Kids, dedicada ao público infantil.

Era 1945, segunda Guerra Mundial, quando o Brasil era importador de alimentos e a população enfrentava escassez de alguns importantes produtos agrícolas. Surgia A Granja, uma revista de gado leiteiro. A publicação chamava a atenção por inaugurar o layout de revista que conhecemos atualmente. Naquela época, as revistas pareciam mais um jornal tabloide gigante. Ganhou o nome de A Granja porque a revista é gaúcha. Granja é um vocábulo regional utilizado para se referir a uma fazenda leiteira. Eis que, apesar de cobrir o gado de leite, a pecuária de corte começou a ganhar força no País e, da mesma forma, n’A Granja.

A atividade passou a ganhar mais espaço no editorial. Entretanto, nas décadas de 1960 e 1970, a agricultura também começava sua revolução no Brasil e aos poucos o perfil das matérias mudava a atenção para as grandes culturas, chegando ao ápice em 1990, com a criação de animais relegada ao segundo plano no conteúdo. Em 1997, com a drástica diminuição das matérias de pecuária dentro da Revista A Granja, percebeu- se a necessidade de se criar uma nova revista dedicada exclusivamente a esse segmento econômico, com maior enfoque na pecuária de corte, mas também com generosos espaços para o leite e à caprinovinocultura.

Assim surgia a Revista AG Leilões, em março de 1997. No início, a distribuição era totalmente atrelada à assinatura d’A Granja. O assinante recebeu a AG como um bônus por aproximadamente cinco anos. Em 2002, abriu-se a possibilidade de assiná-la separadamente. “A decisão de lançar a Revista AG foi tomada quando uma grande parcela de assinantes exigia mais matérias pecuárias e não podíamos mais fazer isso dentro da Revista A Granja. Ao mesmo tempo, perder uma grande parcela de leitores que foram a base das assinaturas durante décadas também estava fora de cogitação”, relembra Eduardo Hoffmann, diretor-executivo da revista.

A primeira edição tinha 28 páginas, muito pouco comparado à média atual, sempre acima de 60 páginas, com edições que já ultrapassaram 150 páginas. Parece pouco, mas para quem lia apenas uma média de cinco páginas por mês foi uma mudança radical. Podemos dizer que nesse ponto começa a nossa história. “Todas essas transições aconteceram de maneira bastante sutil de uma edição para outra e praticamente imperceptíveis ao leitor, e talvez até de um ano para outro. Mas analisando a cada cinco anos, fica evidente o realinhamento dos assuntos”, explica Hoffmann. A primeira capa foi a raça Limousin, taurino que vivia o apogeu naqueles dias.

Com o passar dos anos, o coro de pecuaristas engrossou, dando vida própria à Revista AG. E assim como no passado, também se registra - mas agora de forma inversa - um substancial aumento de assinaturas d’A Granja proveniente dos leitores da Revista AG. O motivo é óbvio: o embalo da integração lavoura-pecuária, técnica que caminha para ser o futuro da produção agropecuária no País. A Revista AG já tem bastante história para contar, mas quem resume para a gente é o próprio Eduardo Hoffmann, que destaca duas fases distintas da publicação:

“A primeira edição foi muito especial, por ser uma novidade impactante no mercado de revistas e na empresa, internamente. Fazer duas revistas simultaneamente exigiu uma nova organização e contratação de pessoal, além da receptividade que o público poderia ter. Outro momento marcante foi a troca de nome de AG Leilões para AG – A Revista do Criador, porque representou uma verdadeira mudança editorial, que inicialmente estava mais centrado em notícias de leilões, exposições e tudo mais que cercava tais eventos. Agora, temos uma posição consolidada de matérias técnicas, com foco no conhecimento dos pecuaristas, e pensada de forma a melhorar o dia a dia do produtor rural”.

Hoffmann refere-se à histórica edição de julho de 2008. Entre as principais mudanças, como já dito, o slogan AG Leilões cedeu espaço para AG – A Revista do Criador, bem como a logomarca sofreu reformulação. No conteúdo, houve a inclusão de algumas seções, como a “Entrevista do Mês”; a chegada de novos colunistas de peso, como o respeitadíssimo Alexandre Zadra, que conhece gado como ninguém; e o fortalecimento das notícias leiteiras, além de discretas e importantes mudanças no editorial. A essa altura, já é possível perceber que o intuito foi deixar a revista mais leve, atraente e informativa. Esse investimento ocorreu mesmo após anos de crises intensas, como no apocalíptico surto de aftosa em 2005, que sepultou a arroba do boi gordo abaixo dos R$ 40, freando o apetite de compra do setor.

“Manter-se firme sempre foi uma preocupação da Editora Centaurus. Como nessa época estávamos com oito anos de AG, a revista estava em pleno crescimento e fizemos do ano de 2005 melhor do que 2004, mesmo na crise”, pontua Hoffmann. Segundo o diretor-executivo da Editora Centaurus, outra qualidade da revista é a sensibilidade de realizar mudanças apenas quando necessário, e sem grandes exageros. “Procuramos melhorar aquilo que já fazemos bem, mas também achamos que não devemos mudar por mudar. Vamos avançando firme e continuamente, sem grandes alardes. E o mercado vem percebendo isso, tanto nossos assinantes quanto nossos anunciantes”, complementa.

Especialmente nos últimos cinco anos, a consolidação da marca AG ocorreu em bases sólidas, com qualidade de assinantes, leitores e na consistência das matérias e seções, indo além com o diferencial de seus respeitados cronistas. Nesta edição que está entre suas mãos neste exato momento, por exemplo, verá que temos um novo colunista, o zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal e jurado de raças zebuínas e taurinas, William Koury Filho, que tem a missão de apimentar os debates em melhoramento genético e tudo mais que move a pecuária.

Como Eduardo Hoffmann gosta de frisar, “fazer uma revista bonita ou técnica não é difícil, mas reunir essas duas qualidades à utilidade para o dia a dia do pecuarista, distribuição paga por assinantes e completar 18 anos postando- a mensalmente para todo o Brasil de maneira sustentável é um pouco mais difícil”, brinca. Na AG, a qualidade é total, do papel à diagramação, do texto às fotos. Também consolidamos, neste tempo, o Touro de Ouro, nossa entrega de prêmios no final do ano, no qual são nossos leitores que escolhem as melhores empresas e produtos em todos os segmentos da pecuária.

Ao ler a Revista AG, é possível enxergar as transformações por qual passa a agropecuária ano a ano. Agricultor e pecuarista começam a se fundir ou passam a conviver mais próximos, aproveitando as vantagens que a pecuária e a agricultura podem render juntas. Inclusive, nesta edição de aniversário, o foco editorial são as máquinas para fazer silagem, tecnologia que há pouco tempo era de uso exclusivo de agricultores.

O pecuarista também está ficando mais mecanizado e profissional, seja no manejo do gado, da genética, da sanidade e da nutrição, como também no plantio e na conservação de pastagens, confinamento, plantio de culturas anuais para silagem e feno, além de maquinário para fazer toda a logística dessa comida. E a AG acompanha e antecipa essas mudanças, informando e auxiliando os criadores. “Quem pode dizer da nossa importância são nossos leitores e anunciantes, mas com base no feedback deles nesses 18 anos, podemos dizer que estamos fazendo a nossa parte de forma satisfatória, informando e divulgando as melhores práticas pecuárias”, conclui Hoffmann.

Passear os olhos nas 18 capas do mês de março invoca a um túnel do tempo da pecuária. Em 1998, a ILPF (Integração Lavoura -Pecuária-Floresta) já era o grande destaque de capa; em 1999, desmame precoce e racional já era amplamente discutido; em 2002, as mudanças que prometiam revolucionar o Sisbov eram anunciadas; mais à frente, em 2012, o polêmico artigo sobre os modificadores orgânicos; e a bombástica entrevista com o engenheiro-agrônomo Fernando Penteado, em 2014, que completara 100 anos neste ano. A AG também foi uma das poucas revistas a questionar os critérios de julgamento nas pistas de exposição, que começaram a seguir controversa aos objetivos da pecuária extensiva. Bom, se formos elencar tudo de bom que noticiamos nesse período, precisaremos de mais 18 anos. Congratulações aos pecuaristas! Parabéns à Revista AG pela maioridade!