Sala de Ordenha

 

Demanda patinando e aumento da produção derrubam preços

Forte pressão de baixa no mercado de leite no final de 2014 e começo de 2015. A produção em alta e a demanda fraca pressionam as cotações do leite e derivados.

No mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as empresas, foram verificados negócios abaixo de R$ 0,70 por litro na Região Sudeste, o que corrobora a grande oferta de matéria-prima (leite) no mercado interno.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, considerando a média nacional, o produtor recebeu R$ 0,932 por litro de leite no pagamento de dezembro, referente ao leite entregue em novembro.

Os preços caíram 2,9% na comparação com o pagamento anterior. Foi a maior queda mensal desde dezembro de 2013.

Desde o pico de preço, em agosto último, o leite caiu 6,4% na fazenda. Veja a figura 1.

Em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI, o preço do leite caiu 7,8%, frente ao mesmo período de 2013.

Em valores reais, considerando a média de preço do leite entregue de janeiro a novembro, últimos números consolidados, o litro fechou cotado em R$ 0,976 (média nacional), uma queda de 1,9% em relação à média do mesmo período de 2013 (R$ 0,995/litro).

Do lado da captação, segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, o volume aumentou 2% em novembro, na comparação com outubro (média nacional).

Para dezembro, a expectativa é de aumento de 1,8% na captação, em relação a novembro.

A produção de leite aumentou 10,1% em 2014, em relação a 2013, segundo o Índice. Os dados de dezembro de 2014 são parciais.

As maiores quedas nos preços do leite aconteceram na Região Norte, chegando a 8,9% em Rondônia.

Para o pagamento de janeiro de 2015, referente à produção de dezembro de 2014, a expectativa é de queda no preço do leite ao produtor.

Figura 1 - Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) - em R$/litro:

Segundo levantamento da Scot Consultoria, 64% dos laticínios pesquisados acreditam em queda dos preços do leite, 34% falam em manutenção dos preços e os 2% restante falam em alta.

As indústrias que apontaram para aumento do leite no próximo pagamento estão na Região Nordeste.

Uma parcela dos laticínios manterá os preços na tentativa de segurar o produtor, considerando as fortes quedas nos últimos pagamentos.

Para o pagamento a ser realizado em fevereiro de 2015, persiste a pressão de baixa, porém, muitas indústrias apontam para estabilidade.

Lembrando que, em 2014, os preços do leite subiram a partir de fevereiro, com a estiagem e especulações acerca da produção. Depois o mercado corrigiu essa alta e os preços despencaram até então.

Para o primeiro trimestre de 2015, com relação ao clima, as previsões estão melhores, em relação ao ano de 2014. Para o Brasil Central e Centro-Sul, as chuvas deverão ficar acima da normal climatológica.

Pressão de baixa também no atacado e no varejo

No atacado, considerando a média de todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria, os preços dos lácteos caíram 0,2% na primeira quinzena de janeiro de 2015, em relação à segunda metade de dezembro de 2014.

A cotação do leite longa vida caiu pela oitava quinzena consecutiva. O produto ficou cotado, em média, em R$ 1,87 na primeira metade de janeiro.

Em relação à quinzena anterior, quando a cotação estava em R$ 1,91, o preço do UHT caiu 2,1%.

Desde o pico de preços, em setembro do ano passado, a queda acumulada é de 19%.

O aumento da produção (safra), o consumo fraco e, consequentemente, a dificuldade em escoar a produção têm pressionado para baixo as cotações.

Não estão descartadas quedas de preços em curto prazo.

No varejo, são comuns as promoções de preços de lácteos, principalmente, leite longa vida e queijos.

A expectativa é de retomada do consumo a partir de fevereiro.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista Scot Consultoria