Raça do Mês

 

TABAPUÃ

Nascido no Brasil e criado para o Brasil

A expectativa é de que 2015 seja um ano bastante favorável para o Tabapuã, com maior participação da raça em leilões, provas zootécnicas e exposições, assim como foi 2014. “O agronegócio no Brasil apresentou evolução significativa nos seus distintos setores, TABAPUÃ fato que não foi diferente na raça Tabapuã, e os criadores têm muitos motivos para comemorar.

Ao longo do ano, foram realizados leilões com faturamento acima de R$ 8 milhões, totalizando a comercialização de 685 machos, com média de venda de R$ 6.230,00, bem como a venda de 838 fêmeas com média superior a R$ 4.980,00. Além disso, a atividade de inseminação artificial alcançou ganhos expressivos, superando as cento e dez mil doses comercializadas com emprego significativo nos cruzamentos industriais”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT), Marcelo Ártico.

Algumas características da raça Tabapuã que a tornam bastante atrativa para a pecuária de corte são a facilidade de manejo, em decorrência do aspecto mocho; a precocidade, a grande habilidade materna, a docilidade, a excelente conformação e acabamento de carcaça. Essas são características que permitem efetuar estratégias eficientes para a pecuária de ciclo curto, uma tendência, por garantir a sustentabilidade em todos os seus níveis e, consequentemente, o desenvolvimento econômico do Brasil.

A genética Tabapuã vem sendo cada vez mais usada em cruzamentos com outras raças de corte. A qualidade dos bezerros oriundos desses cruzamentos tem conquistado novos selecionadores para a raça. É o caso da bezerrada do próprio Ártico, que iniciou na pecuária comercial fazendo cruzas de Tabapuã com Nelore. A qualidade dos produtos chamou a atenção dos vizinhos, que passaram a procurá-lo para adquirir a genética.

Ártico decidiu então iniciar seu rebanho Puro de Origem (PO) com a aquisição de doadoras de criatórios tradicionais, passando a fazer o ciclo completo em sua propriedade Terras da Ártico, na cidade de Aparecida do Tabuado/MS. A FIV é utilizada para produção da maior parte do plantel. Os melhores exemplares seguem para a cidade de Tabapuã/ SP, onde o criador mantém seu plantel de elite na fazenda Ártico SP. A produção de touros e matrizes das duas unidades é comercializada em todo o País.

O rebanho da Terras da Ártico integra o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ). “No início, eu era um criador modesto, que não usava as mais modernas ferramentas de seleção, mas a ABCZ modificou meu sistema de criação em pouco tempo. Com as ferramentas do PMGZ, consegui mudar de um pequeno produtor para um fornecedor de genética. Isso exemplifica que qualquer criador com orientação correta e boa vontade pode produzir um gado de alta qualidade”, declara Marcelo Ártico.

Novo comando

Neste mês, Marcelo Ártico assumiu a cadeira de presidente da ABCT, onde ficará até 2017. Os planos são voltados a alavancar a raça por meio da melhoria genética e de sua disseminação por todo o país, proporcionando um gradiente vertical de produção e um ganho ainda mais expressivo na comercialização.

A diretoria eleita terá como membros os vice-presidentes Paulo Alexandre Cornélio de Oliveira Brom, Sabino Siqueira da Costa, Waldemar Antônio de Arimatéia, Fabiano Churchill Nepomuceno César e José Coelho Vitor, o diretor- -administrativo-financeiro João Trivelato Neto, o diretor de Marketing Marcos de Oliveira Germano e o diretor técnico Marcio Henry Gregg. “A nova diretoria da ABCT é composta por homens que dedicam as vidas e a de suas famílias para o desenvolvimento econômico do nosso Brasil”, destaca o novo presidente.

Marcelo Ártico iniciou a criação de Tabapuã após experimentá-lo em cruzamento industrial

Uma forma encontrada pelos criadores para maior exposição das qualidades da raça Tabapuã tem sido a participação em provas de ganho em peso (PGP). Em 2014, o número de animais participantes das provas oficializadas pela ABCZ chegou a 1.538 contra 1.046 exemplares em 2013. Dentro do sistema Confinamento, foram finalizadas nove provas. No regime de Pasto, 12 PGPs já foram finalizadas e dez estão em andamento.

Todas as deste ano são realizadas em propriedades selecionadoras da raça e contam com a supervisão dos técnicos da ABCZ. Os animais pertencentes a grupos contemporâneos são submetidos a um mesmo manejo e regime alimentar para avaliação de características como: ganho em peso, peso final e tipo. O resultado permite identificar quais os animais enquadram-se nas categorias elite e superior.

O Tabapuã é a segunda raça zebuína com maior número de exemplares inscritos em PGPs. Uma posição que os criadores mantêm desde as primeiras participações, ainda na década de 1970. O desempenho da raça também é superior desde o início da aplicação dessa ferramenta de seleção. Nos anos 1960, o Tabapuã participou de PGPs realizadas pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, juntamente com as raças Gir e Nelore. Em cinco das seis provas em que participou, o Tabapuã terminou como campeão de ganho diário e ganho máximo do lote.

Tabanel

O alto grau de heterose alcançado nos cruzamentos de Tabapuã com outras raças tem levado muitos criadores a utilizar a raça, tanto em rebanhos de corte quanto de leite. Um dos cruzamentos mais usuais é com o Nelore, resultando no chamado Tabanel, pois une o melhor das duas raças. Foi o que levou o criador José Martins dos Santos Neto a trabalhar com essa opção. “Criava Nelore e decidi comprar um touro Tabapuã porque achava que as duas raças tinham carências. O resultado foi excelente e atraiu muitos compradores. O Tabanel tem a cabeça, o arqueamento de costela, a docilidade, o leite e a habilidade materna do Tabapuã e a orelha, o comprimento, a rusticidade e a fertilidade do Nelore, ou seja, uma raça complementa a outra”, assegura o criador da cidade de Campos, que realiza esse trabalho desde 1999.

Na Fazenda São José, o rebanho é alimentado somente a pasto. As vacas não apresentam problemas no parto e têm alta fertilidade. Os bezerros são apartados com peso acima de 280 quilos aos 8 meses. Quando ainda não tinha adotado o cruzamento, o peso médio dos bezerros era de cinco arrobas. “Uma arroba por mês é muita coisa”, anima-se José Martins. Parte da bezerrada segue para a fase de cria e recria em outra propriedade da família, também localizada em Campos, e o restante é comercializado. O cruzamento entre Tabapuã e Nelore é registrado desde 2003 pela ABCZ, dentro da categoria Certificado de Controle Genealógico (CCG).

A história oficial do Tabapuã iniciou em 1907

A raça Tabapuã é considerada uma das mais versáteis para cruzamentos destinados aos criatórios do Brasil Centro- -Norte. Também é uma boa opção para fazer o tricross em cima de F2 de outros cruzamentos. Seu grande diferencial em relação a outras raças de corte é a habilidade maternal alta (adicionando mais leite aos seus filhos), acabamento de carcaça precoce (ideal para os confinamentos), melhor temperamento (que também reflete na qualidade da carcaça e facilita o manejo). O alto grau de heterose eleva em uma a duas arrobas o peso final, no mesmo período e manejo de outras raças.

A parte reprodutiva também pesa na balança na hora de optar pelo cruzamento com Tabapuã. As matrizes apresentam alto índice de fertilidade e baixa idade ao primeiro parto. Entre os 14 e 16 meses, as fêmeas atingem em média 25% de fertilidade. Entre os 16 e 18 meses, 50%; e entre 18 e 20 meses, mais de 60%. Algumas fazendas já registram 95% de taxa de prenhez em inseminação artificial

Fertilidade

A raça Tabapuã também tem sido foco de pesquisas. Um estudo está sendo realizado por nove pesquisadores da Universidade Federal de Lavras/MG, buscando mostrar as correlações de fertilidade com características indicadoras da superioridade reprodutiva de fêmeas bovinas. As características focalizadas no estudo são de fácil mensuração. O experimento é conduzido em parceria com a ABCT, nas fazendas 4 Irmãs (Veríssimo/MG), Água Milagrosa (Tabapuã/ SP), Rodeio Gaúcho (Araruama/RJ) e Chapadão (Guarda-Mor/ MG). A meta do trabalho é permitir ao produtor selecionar seus animais quanto à reprodução, através de avaliações de fenótipos do animal, melhorando, assim, os índices reprodutivos da propriedade. Foram selecionadas 592 fêmeas quanto à conformação corporal, contagem folicular antral, concentração de hormônio Antimülleriano e morfometria da genitália externa.

Marketing

A promoção e ampliação da raça Tabapuã em todo o país sempre esteve nos planos da ABCT. A entidade definiu como prioridade de ação o investimento no marketing da raça, mas com foco na pecuária comercial, onde está o grande número comprador de bovinos. A raça saiu de uma situação de 7 a 8 leilões anuais para um acréscimo de mais 200%, fechando 2014 com 25 leilões realizados.

Outro ponto positivo foi o fato de 70% dos exemplares comercializados em 2013 e em 2014 serem fêmeas, o que representa aumento do plantel em nível nacional. “Esse acontecimento é de suma importância porque hoje há uma carência de touros Tabapuã no mercado”, explica o criador e advogado Paulo Alexandre Cornélio de Oliveira Brom, que conduziu as rédeas da associação na gestão passada.

Para Paulo Brom, o Tabapuã tem apresentado crescimento sólido, mas há mercado para uma expansão ainda maior. Hoje, a raça está presente em várias regiões, em especial nos Estados que concentram grandes rebanhos de pecuária de corte, como Mato Grosso, Tocantins, Pará, Goiás, sendo bastante utilizada em cruzamentos industriais com outras raças de corte. “A raça Tabapuã está passando por um excelente momento, de crescimento em número e qualidade genética, mas sem pirotecnismo. A maior propaganda do Tabapuã é ele mesmo, pois quem experimenta essa genética em seu rebanho não deixa mais de usar. Os touros estão cada vez mais requisitados para fazer repasse nas fêmeas F1. Por isso, precisamos continuar ampliando o comércio de animais”, assegura Brom, que encerrou mandato no ano em que a ABCT completou 45 anos.

Entre os criadores pioneiros na fundação da entidade estão Alberto Ortenblad, Nilo Caiado Fraga, Armando Klabin, Carlos Arthur Ortenblad, Jeorge Ellis, João Borges Neto, John Bradford Locke, José Eduardo Cirne Dantas, José Elesbão Cirne Dantas, José Martins dos Santos Filho, Major Alfredo Elis Neto, Manoel Campbell Penna, Norton Prates Correa, Oswaldo Gudolle Aranha, Ramon de Oliveira Netto e Theodoro Eduardo Devivier.

Fertilidade das fêmeas virou tema de estudo


Tabapuã, uma raça brasileira

O Tabapuã é uma raça brasileira fruto de cruzamentos entre o gado mocho nacional e animais de origem indiana. Foi na década de 1940, no município de Tabapuã (SP), que a raça assumiu as características que perduram até hoje. Mas sua história começa em 1907, na região de Leopoldo de Bulhões, no estado de Goiás.

O fazendeiro José Gomes Louza interessou-se pelos reprodutores zebus e importou alguns animais da Índia. Os irmãos Saliviano e Gabriel Guimarães, de Planaltina, adquiriram três desses touros e iniciaram cruzamentos com o gado mocho de seu próprio rebanho. Dali surgiram os primeiros zebuínos mochos no Brasil. Em 1912, vários desses animais já eram expostos na Feira da Cidade de Goiás.

Já na década de 1930, Lourival Louza, neto de José Gomes, dedicou-se ao cruzamento desses animais com o Nelore e deu origem ao gado anelorado mocho ou baio mocho, como ficou conhecido. O sangue do Guzerá e do Gir foram introduzidos mais tarde e também fazem parte da formação do Tabapuã.

Nos anos 1940, o gado mocho começou a se espalhar por outras regiões.

Júlio do Valle, proprietário da Fazenda São José dos Dourados, levou alguns desses animais de Goiás para São Paulo e presenteou o amigo Alberto Ortenblad, da Fazenda Água Milagrosa, com um garrote zebuíno mocho.

O crescimento do Tabapuã

Com interesse em desenvolver bovinos com melhores qualidades, a família Ortenblad criou em 1943 um planejamento zootécnico elaborado. Cem matrizes Nelore foram separadas para as experiências com o touro T-0, como foi chamado o garrote mestiço. Os trabalhos e resultados foram registrados em detalhes. Foi a partir desses cruzamentos que a coloração branco-acinzentada do Nelore predominou nos animais, que permaneceram sem chifres como o gado mocho.

Os bons resultados chamaram a atenção do mercado nos anos seguintes. Em 1970, o Ministério da Agricultura recomendou que o Tabapuã fosse incluído entre as raças zebuínas, ainda como “tipo”. A Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), então, foi encarregada de realizar o registro genealógico da espécie. Em dez anos, o Tabapuã precisaria mostrar através de análises e provas as características que o diferenciavam de outros zebuínos.

O reconhecimento da raça

Entre 1970 e 1980, o Tabapuã ganhou 80% das pesagens de que participou e em 1981 foi definitivamente reconhecido como raça. O terceiro neozebuíno a ser formado no mundo, depois do Brahman e do Indubrasil. Por ser o primeiro entre esses a surgir a partir de um planejamento específico, o Tabapuã é considerado a maior conquista da zootecnia brasileira dos últimos cem anos.

Fonte: ABCT
*Colaboração: Larissa Vieira, assessora de imprensa da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu