Mercado

Firmeza da carne bovina continua

Num ano de incertezas, devido ao período eleitoral, o agronegócio brasileiro vem mostrando força e contribuindo com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor acumulou expansão de 1,9% no primeiro semestre de 2014. Atualmente, o agronegócio é responsável por 22,54% do PIB nacional. A pecuária representa 6,87% dentro do agronegócio, sendo que o Brasil é o maior exportador global de carne bovina.

Na reta final para o segundo turno das eleições, o clima de incertezas pairava sobre a economia brasileira, o que é comum em época de mudanças e transições. O Brasil precisa de estabilidade econômica, mas, para isso, é preciso controlar a inflação, grande vilão que assombra a economia do país. O esperado é que o agronegócio continue em crescimento, puxando a economia.

Apesar de todas as mudanças que rondam o cenário econômico brasileiro, o mercado da carne bovina segue em ritmo crescente. Se no segundo semestre de 2013 o produtor passava um período de "vacas magras", não podemos dizer o mesmo do segundo semestre de 2014. O mercado está se mantendo bastante favorável, com a arroba atingindo preços recordes. No segundo semestre do ano passado, a arroba estava valendo, em média, R$ 108 à vista; já no segundo semestre deste ano, a média subiu para R$ 130,00 à vista, referência para o estado de São Paulo.

A oferta curta de animais para abate e a forte demanda externa por carne bovina tem colaborado para a valorização da arroba. A restrita oferta de boiada é reflexo da falta de pastagens devido ao período de seca prolongada. Por outro lado, a oferta de animais oriundos dos confinamentos não está abundante; com isso, os frigoríficos estão encontrando dificuldades para comprar animais e alongar as escalas, que estão, em média, em três dias úteis.

Os animais de confinamento representam cerca de 10% dos abates do país. Para este ano, foi estimado pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) um crescimento de 4% no confinamento, acreditando que o número de bovinos confinados deverá atingir 4,1 milhões de cabeças. Dentre os entraves para a atividade, é destacado o alto preço de aquisição do boi magro e o preço e a disponibilidade de insumos, principalmente milho. Com o término dos confinamentos, o esperado é que haja uma maior oferta de animais para abate. O mercado tende a ficar mais pressionado quando houver a entrada dos bois de pasto, esperado para início de março do ano que vem. Até lá, a arroba deverá se manter firme.

O quadro "Boi Gordo no Mundo", analisado entre 16/09 e 15/10/2014, se comparado com período averiguado na edição anterior, apresentou valorização da arroba do boi gordo de 6,33% na Austrália e 1,10% nos Estados Unidos. Já no Brasil e na Argentina, houve desvalorização da arroba, com queda de 3% para o Brasil e 11,69% para a Argentina.

Analisando-se o mercado externo da carne bovina, apesar de uma pequena retração nas exportações no mês de setembro, percebe-se que há uma manutenção do ritmo de crescimento ao longo do ano. Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o país exportou no acumulado deste ano 1,164 milhão de toneladas ante 1,08 milhão de toneladas em 2013. As vendas em 2014 alcançaram US$ 5,3 bilhões contra US$ 4,7 bilhões registrados no ano anterior. Hong Kong e Rússia continuam sendo os principais destinos da carne brasileira, sendo que o volume exportado para Hong Kong no acumulado de janeiro a setembro de 2014 foi de 293.115,52 toneladas e, para a Rússia, 253.328,61 toneladas. No mês de setembro, o destaque nas exportações foi para a Rússia, que importou 35.122,54 toneladas ante 33.810,43 registradas no mês de agosto, representando um aumento de 3,88%.

O Brasil segue abrindo novos caminhos, conquistando espaço e recuperando alguns mercados que haviam suspendido as importações de carne bovina brasileira, em função do caso atípico de BSE no Estado do Mato Grosso. Iraque, Irã e Egito levantaram o embargo imposto à carne brasileira e já retomaram as compras.

O Brasil está em fase final de elaboração de resposta ao protocolo enviado pela China, a fim de concluir as negociações de um novo Certificado Sanitário Internacional. Mesmo com o acordo de livre comércio estabelecido entre Austrália e China, que dá livre acesso preferencial à exportação para carne australiana, não deverá haver impacto na expansão do mercado brasileiro, uma vez que o potencial de consumo da China é gigantesco.

O gráfico "Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF", para o período analisado compreendido entre os dias 16/09 e 15/10/2014, mostra a evolução dos preços da @ pagos a prazo nas diferentes regiões.

Analisando o deságio do preço do boi gordo por UF, no período de 16/09 Firmeza da carne bovina continua Boi Gordo no Mundo - 16/09 a 15/10 de 2014* Brasil Argentina Austrália EUA US$/@ 54,37 60,20 48,65 92,80 * considerando-se 22 dias úteis. Fonte: Scot Consultoria, adaptado por Boviplan. REVISTA AG - 61 a 15/10/2014, observamos que a média do deságio pago aos pecuaristas, entre o preço à vista e o preço a prazo (30 dias), foi de 1,40%.

As cotações do bezerro seguem firmes, devido à baixa oferta de animais da categoria, reflexo da crise dos últimos anos, quando o produtor precisou lançar mão do abate de matrizes para sair do vermelho. O resultado do maior abate de fêmeas está sendo sentido agora, com a falta de bezerros. Para preencher esta lacuna, muitos produtores têm retido novilhas para reestruturação do rebanho.

O preço médio do bezerro foi de R$ 923,88/cab para o período de 16/09 a 15/10/2014, alta de 2,38% nas últimas quatro semanas. A alta foi quase geral nas principais praças, exceto no RS, onde o preço do bezerro caiu para 835,45/cab. Já no estado de São Paulo, o bezerro subiu para R$ 1.042,73/cab; em MG, para R$ 872,27/cab; em GO, o bezerro está sendo negociado a R$ 975,91/cab; no MS, a R$ 1.011,36/cab; no MT, passou a valer R$ 926,82/cab; no PA, R$ 750,00/cab; e no PR, subiu para R$ 976,64/cab.

No mercado do boi magro, a alta também foi generalizada, exceto para o estado do RS, cujo valor do boi magro foi negociado a R$ 1.500,00/cab.

Já no estado de SP, avançou para R$ 1.579,09/cab; em MG, passou a valer R$ 1.441,36/cab; em GO, R$ 1.553,64/ cab; no MS, R$ 1.555,91/cab; no MT, R$ 1.465,91/cab; no PA, R$ 1.358,18/ cab; e no PR, R$ 1.549,09/cab.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo (gráfico) ficaram em 2,15. Para boi magro/boi gordo, ficou em 1,31, não sofrendo alterações significativas.

O final do ano aproxima-se e com ele chegam várias promessas de mudanças para o país. Até o momento, podemos dizer que o balanço da pecuária brasileira foi positivo, com crescimento do setor, modernização e maior rentabilidade, se comparado com o ano de 2013.

Produzir mais em menos tempo, com qualidade e de maneira sustentável, continua sendo um dos grandes desafios que o produtor enfrenta. Para caminhar em direção a uma pecuária moderna e estar preparado para todas as oscilações da atividade, torna-se vital trabalhar dentro de um planejamento. É necessário ir ao encontro dos novos tempos, buscar modernidade e crescimento para a atividade.

Um dos caminhos importantes a ser trilhado é o da adesão às novas tecnologias, que podem ser grandes aliadas nos controles e na gestão da propriedade. O uso da tecnologia pode trazer mais sustentabilidade e rentabilidade para a pecuária, mas é preciso escolher as ferramentas adequadas e estar ciente que o planejamento é a base do negócio.

Antony Sewell e Rita Marquete
Boviplan Consultoria